<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429</id><updated>2011-10-10T11:14:42.137-03:00</updated><title type='text'>A Sala das Letras</title><subtitle type='html'>Blog onde dois estudantes publicam seus contos, crônicas, poemas e simulacros.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-4032469582809450077</id><published>2011-10-10T10:16:00.000-03:00</published><updated>2011-10-10T10:16:10.569-03:00</updated><title type='text'>Causa e Efeito</title><content type='html'>&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;1 – Ônibus:&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Por descer apenas no ponto final, esperou até a última parada do ônibus para passar a catraca. Restando apenas ele e uma família que discutia no fundo do ônibus, ignorou-os passando seu cartão pelo leitor da catraca.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– Aqui é o final, moça! – gritou o motorista, ansioso em levar o ônibus de volta a garagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– Espera seu motorista, tamo tentando encontra o celulá aqui que caiu! – a mulher disse da última fileira de assentos.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Um de seus cinco filhos, o mais velho, alheio a presença dele, ficou na porta ignorando seus pedidos de licença. Olhava pra mãe dando risada, acreditando que, ficando parado bem no meio da porta, estaria atrasando o motorista.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Cansado de pedir por licença, em sua fúria exasperada, ele chutou o moleque com tamanha força que faria um jogador profissional de futebol sentir inveja. O chute, ou bicuda, no meio da bunda do elemento era tanta que faria todos da barreira em frente ao gol se dissipar, o goleiro provavelmente já teria fugido no meio do percurso da bola.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Caindo sobre o chão, o moleque desacordado – ou talvez morto em prol da defesa de seu time covarde diante o time rival, talvez se arrependendo de não ter corrido da bola como os outros o fizeram – se estendia com a face colada ao chão, seu corpo apenas um amontoado de carne que acaba de ser amaciada por um forte impacto da sola de um sapato social de 50 reais.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;2 – 3 horas antes.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– O seu merda! – vociferou o homem a sua frente. – Você chama isso aqui de trabalho bem feito?!&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Naquele instante, como uma ideia que aterrissa arrebatadoramente sobre o consciente, ele teve um vislumbre. Imaginou se aquele homem a sua frente, seu chefe há mais de 10 anos, teria dito as mesmas palavras que gostava tanto de usar com os outros, para o médico que acabara de realizar seu parto.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– O seu merda! – gritava para o médico que o tinha nas mãos. – Você chama isso aqui de trabalho bem feito?!&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Com a cena vívida em sua cabeça, ele não pode conter uma pequena risada?&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– Tá rindo do que? – enfurecido, seu chefe berrava a beira de vomitar seus pulmões. – Você trabalha a quanto tempo aqui? Vinte anos?! E eu sou seu chefe a dez! Por que será, né? Um merda feito você que faz um trabalho de merda, não podia ser chefe nunca!.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;O fato de ser seu chefe, nada tinha a ver com sua requintada educação em tratar os subordinados, mas sim única e exclusivamente pelo fato de ser um grande chupador de saco. Ele chupava tanto o saco dos superiores que, se fosse vendido nas sex shops, seria de longe o produto mais requisitado por todos os homens, e possivelmente para algumas mulheres.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Ele se encolheu na cadeira cerrando os olhos, não por medo, mas pelo fato de que as gotículas que eram expelidas junto as palavras dele caiam sobre ele como uma forte garoa.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– Sai da minha frente! Vaza daqui! Volta pra casa que você não presta pra fazer merda nenhuma!&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Depois de ver seu relógio, ele se levantou pegando suas coisas. Pegaria o ônibus cedo, vazio e tranquilo, com um pouco de sorte chegaria até antes do almoço servido na padaria perto de sua casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;3 – Direção defensiva&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Pisando fundo, o rapaz exigia tanto de seu carro que os cavalos presos dentro dele berravam, desesperados em tentar fugir daquele condutor insano. Acelerando, brecando, ultrapassando, acelerando, pisando, gritando, o carro derramava lágrimas de fumaça implorando por uma morte rápida, uma vez que sobreviver era um sonho antigo e inalcançável.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– Filho da puta! – gritou de dentro do carro, com a força de um boxeador, o rapaz socava a buzina, mas rouca de tanto uso, se negou a gritar, soltando apenas um sopro, um vômito. – Dá a seta seu filho da puta! Tá com essa porra de vareta atolada no cu?! Então para esse carro e fica rebolando nela, seu cuzão!&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Ultrapassando o carro a quem dirigia seus calorosos elogios, deu de cara com outro logo a frente.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– Puta que o paril! – desta vez, descontrolado, gritou pra fora da janela. – Hoje é dia da AACD aprender a dirigir! Vai pra puta que o paril!&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Mais uma vez desviou do carro, fez isso tantas vezes ao longo de sua vida, que acreditava ser um mestre na direção, ninguém era melhor que ele, na verdade, todos deviam deixar seus carros em casa para que pudesse exibir sua mais alta habilidade automobilística. Emparelhou ao lado do carro e olhou pela janela.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;4 – Trauma&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Em seus 18 anos, com habilitação que acabara de tirar, a garota dirigia com todo o cuidado do mundo, analisando meticulosamente cada movimento e postura que aprendeu durante as aulas de direção. Atrás de seu carro, um outro acelerava e parava como um touro enfurecido que se preparava para a estocada na bunda do toureiro. Ignorando-o e prestando atenção a rua e a sua velocidade, a garota prosseguiu.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Quando o carro que estava atrás dela finalmente saiu e emparelhou ao lado do acento passageiro vazio, a garota tentou ignorar as palavras que eram fulminadas a ela.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– O sua puta gostosa! – sua voz era tão alta e clara que um surdo podia ouvi-lo do outro lado do planeta, enterrado em uma base secreta militar. – Vai pilotar fogão e deixa eu engatar meu pau na tua buceta!&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Buscando abrigo por trás do volante, a garota se encolheu, lágrimas brotavam de seus olhos e seus lábios tremiam. Mas ainda assim ignorou o homem, continuando a seguir o caminho de volta a sua casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;A garota também ignorou o barulho que se sucedeu em seguida. O rapaz que segundos antes estava gritando obscenidades dignas de filmes pornô que buscavam saciar o mais sombrio dos fetiches, perdeu o controle de seu carro, fazendo-o com que fosse arremessado pouco a frente de um ônibus que estava parado.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;5 – Música clássica erudita&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– Hoje é dia de um funkzinho e dar um traço em umas menininhas!&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;Olhando por cima do jornal que lia, o cobrador olhava desinteressado para o que o motorista falava, sem se importar com o fato de que fazia dos ouvidos dos passageiros, um banheiro químico no final de uma festa &lt;i&gt;rave&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Soltando um longo suspiro, o cobrador agradecia a todas divindades mitológicas por seu turno estar acabando. Ignorando a fila de passageiros que se formava aguardando que ele recebesse o dinheiro e libera-se a catraca, voltou-se novamente ao seu jornal.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Por que esses imbecis não comprar a porra de um bilhete único? É tão fácil, até um jegue consegue fazer isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Quando uma mulher chamou sua atenção, por fim e já irritado, dobrou o jornal e recebeu o dinheiro. Em sua mente, amaldiçoava aquele motorista que acreditava que &lt;/span&gt;&lt;i&gt;funk&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; era música clássica, que era a origem de todas as músicas, a melhor do mundo, e por isso deveria ser tema principal de todas as maiores orquestras. Para o motorista, o &lt;/span&gt;&lt;i&gt;funk&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; deveria ser imortalizado, acima de qualquer “sonzinho de frutinha, feito aquelas barulheiras que chamam de música clássica. O que tem de música clássica nessa porcaria? Só barulho, &lt;/span&gt;&lt;i&gt;funk&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; sim é música!” Lembrou-se do que o motorista tinha falado horas antes, no meio de seu turno.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; 6 – Efeito&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Ignorando a mulher, mãe dos quatro filhos – o quinto estava estatelado no asfalto – que xingava-o de tantas formas diferentes que para compreender a todos seria necessário um dicionário especializado tão grosso quanto a bíblia e o corão juntos, ele saiu andando mostrando o dedo do meio para ela.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Despercebido, não reparou no carro desgovernado que vinha em sua direção. O automóvel chocou-se contra ele, o arremessando no ar. Seu dedo girava em sentido espiralado tão rápido quanto uma furadeira elétrica de trinta mil rotações por segundo, uma habilidade com o dedo que causaria inveja nos atores pornô e despertaria o desejo mais selvagem das atrizes. Caindo no meio da rua após seu salto ornamental triplo, com cinquenta piruetas, dois mortais, cinco estrelas e com  o giro frenético do dedo do meio, acabou por tornar-se companheiro de chão do moleque que tinha chutado a pouco.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; O carro, não contente ao se chocar contra uma pessoa, deparou-se violentamente contra um poste. O rapaz que dirigia foi arremessado lateralmente, mas diferente do fim que o moleque e ele tomaram, o veloz voo que o rapaz iria tomar acabou interrompido pelo mesmo poste contra que seu carro havia se chocado. Os cavalos presos ao motor de segunda mão, haviam finalmente se libertado e estavam caídos no meio da avenida, no sentido contrário, causando uma série de colisões entre outros automóveis pegos despreparados por esse estouro da manada.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Puta que o paril! – gritou o motorista, mas ao olhar para trás, o cobrador já havia deixado o ônibus há muito tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Levando as mãos a cabeça, o motorista ficou parado olhando a cena cataclísmica. Era a última ronda, queria levar o ônibus de volta a garagem e voltar para sua casa, tomar um banho, ensaiar uns passos, tudo para o show de &lt;/span&gt;&lt;i&gt;funk&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt; que iria acontecer somente a noite. Tinha que ensaiar seus passos, isso era importante. Da última vez levou pra casa duas mulheres que conheceu no show, fez tanto sexo que sentiu-se como um coelho no cio que tinha tomado dois comprimidos de viagra. O que o motorista não sabia era qual das duas mulheres tinha dado de presente a ele uma verruga no pênis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Descendo do ônibus, decidiu esperar somente pela ajuda dos bombeiros e da ambulância.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; A mãe dos filhos gritava na rua:&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Bem feito! Bem feito! Deus castiga! Deus castiga! Tem que morrer mesmo seu desgraçado! Deus é pai! Deus é justiça! Tem que morrer mesmo seu desgraçado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; E repetia como uma vitrola quebrada cujo disco ficou desafinado após tanto uso descuidado. Com diferença que um disco riscado, quebrado, estourado, era menos irritante que a voz da mulher. Pelo menos eram o que os curiosos que se aglomeravam na cena diziam:&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Cala a boca mulher! Já entendemo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Vai pro inferno! Eu sou mãe de cinco filhos – dizia como se a quantidade de filhos servisse de desculpa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Na verdade, se a mãe soubesse contar, restaram apenas quatro filhos, mas isso não fazia diferença para ela, já que estava ocupada de mais vociferando contra todos em volta.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; 7 – Trauma 2&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; A garota de 18 anos chega a sua casa após um dia estressante na faculdade e na rua. Sua mãe a recebe preocupada, lágrimas escorrendo por seu rosto.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;O que foi, mãe? – pergunta a garota escondendo seus olhos inchados, resultado de momentos antes no transito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Você não viu, filha? – disse a mãe da garota ainda apertando-a nos braços. – Aconteceu um acidente horrível na avenida que você passa. Foi agora a pouco... eu pensei que você tivesse envolvida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; A garota acolheu a mãe, dando-lhe tapinhas de consolo nas costas.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Não se preocupa, mãe – disse a filha após sua mãe se acalmar. – Eu não vou mais dirigir... eu desisto. Isso realmente não é pra mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Mas, por que, filha?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Só tem maluco dirigindo hoje em dia... a partir de amanhã eu vou voltar a andar de ônibus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Sua mãe assentiu, aliviada por sua filha não estar envolvida no acidente. Em seguida a garota foi para seu quarto, abraçando-se a sua almofada, ela se encolheu e se pôs a chorar, traumatizada, nunca mais queria ficar atrás de um volante.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; 8 – Dia de cão&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Deitado sobre o raio de Sol que cruzava aquele dia frio, o cãozinho observou todo o evento se desfazer em sua frente. Erguendo as orelhas quando a multidão de curiosos se formou, decidiu levantar-se. Era essa sua chance.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Abanando o rabo, aguardou ansiosamente para que as pessoas começassem a perder interesse no que viam. Quando o momento foi oportuno, ele deu umas latinhas e passou a dançar sobre suas duas patas. Caindo ao chão, ele encarava as pessoas que voltavam a atenção do sangue  esparramado pelo asfalto, para o cãozinho fofinho vira-lata. O olhar do cãozinho era tão meigo que nem mesmo o mais hábil e desesperado mendigo conseguia o imitar. As pessoas faziam carinho nele.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Olha que cachorrinho mais lindo! – exclamou uma mulher.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Nossa, que dó dele! Como podem deixar ele assim, abandonado. Largado na rua. Tadinho – uma mulher balançava a cabeça em reprovação. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; O cãozinho teve sorte, uma senhora jogou um pedaço de salgado para ele. Enquanto devorava sua refeição, todos o apreciavam como uma joia rara, ignorantes às sirenes que rondavam o local do acidente.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Oh! Vem cá, amiguinho! – um mendigo chamou pelo cãozinho que o obedeceu fielmente. Saltitando por um abraço de seu dono.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Todos que até então observavam o cãozinho, desviaram seus olhares ao mendigo. Enojados, eles viraram suas caras. Alguns continuavam a seguir seus caminhos, outros foram novamente atraídos pelo acidente, sedentos em ver os paramédicos agirem, outros, os que passaram a mão na cabeça do cãozinho, limpavam discretamente as mãos em suas roupas.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; A perversão da curiosidade se espalhava como um vírus. Todas as pessoas se deleitavam com a desgraça alheia, como se toda a cena catastrófica servisse como um forte estimulante afrodisíaco para suas almas que se excitavam furiosamente com tudo aquilo.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Logo essas pessoas perderiam novamente o interesse.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Logo essas pessoas se esqueceriam do cãozinho e do mendigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Logo essas pessoas balançariam sua cabeça em reprovação, pesando: “essas pessoas de hoje, não tem jeito.” Outras pensariam: “Gente sem cuidado nenhum, aonde esse mundo vai parar?” Contudo no fundo, em uníssono, todos estariam suspirando aliviados dizendo: “Ainda bem que não foi comigo. Eu sou cuidadoso.”&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; 9 – Fim do turno&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; No carro de bombeiros, o chefe de equipe suspirou profundamente. Faltava apenas quinze minutos para que seu turno acabasse quando recebeu o chamado. Um acidente trágico se desenrolara próximo ao departamento em que trabalhava.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Lamentou-se profundamente por aquele infortúnio. Era aniversário de sua filha. Não apenas tinha comprado um presente especial para ela, mas como também prometido que iria a sua festa. Dez anos, e nunca conseguiu participar de uma festa sequer, aquela seria a primeira em que  iria. Tinha tudo preparado, planejado, revisado e checado, tanto quanto uma estratégia de invasão e resgate da SWAT. Mas nem todo planejamento é livre de acasos, e desta vez, para seu azar, o acaso ocorreu no único instante em que não poderia.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Estamos chegando – informou a todos do carro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Vendo o local do acidente, o pior que já vira nos seus 35 anos de trabalho. Ele sorriu.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Está tudo bem – murmurou de si para si. – Afinal, é para salvar vidas que estou aqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt; Saiu do carro de bombeiros correndo para próximo dos paramédicos.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-indent: 1.47cm;"&gt;– &lt;span style="font-style: normal;"&gt;E toda a vida vale a pena ser salva – continuou em seus pensamentos, enquanto corria em direção ao que restara do carro do rapaz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-4032469582809450077?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/4032469582809450077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=4032469582809450077&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4032469582809450077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4032469582809450077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2011/10/causa-e-efeito.html' title='Causa e Efeito'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-7535961590645323102</id><published>2010-10-04T11:51:00.000-03:00</published><updated>2010-10-04T11:52:11.016-03:00</updated><title type='text'>Duas Luas - Oito</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Porém eles eram tantos que vez ou outra algum chegava perto dela deixando um profundo corte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Então os cortes de antes... – murmurei para mim mesmo olhando-a da entrada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Sem saber lutar, não podia fazer nada naquela situação, em minha mão dentro do bolso eu apertava o canivete, preparado para o pior.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Os movimentos de Akari eram como uma dança suave e delicada, seus ferimentos pareciam pouco incomodá-la. Mesmo em meio a dança nas trevas, sua luz se apagava. Haviam mais sombras do que ela podia conter e não demorou para que algumas viessem em minha direção, sedentos por sangue – ou talvez por minha alma.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Du!!! – Akari virou-se ao perceber que vinham em minha direção, mas era tarde de mais. Mesmo com seus movimentos rápidos de felino não era possível se proteger e me proteger ao mesmo tempo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Oho... seres mal educados... – a voz irônica que conhecia tão bem penetrou as trevas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;No instante seguinte um circulo luminescente cheio de entalhes surgiu a minha frente, de dentro dele feixes de luz cortaram a escuridão que tomava a sala, penetrando em todas as sombras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Yumei? – balbuciei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– As almas daqueles sacrificados em troca da vida eterna são bastante inquietos – Yumei disse para ninguém em especial. – Não se pode culpá-los. É preciso reconhecer o território de outros... – virou-se para mim – Não é, Du?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Parado em frente a ela, permaneci em silêncio sem compreender. Então eu estava fazendo reconhecimento de território? Pensei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Quem é você – perguntou Akari no que pareceu um rosnado agressivo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Oho, acalme-se, não estou aqui para tirá-lo de você – disse Yumei com sarcasmo. – A lua não está aqui, sacerdotisa. Não mais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Akari não pode esconder seu rosto de espanto. Aparentemente ela estava procurando pela lua há algum tempo naquela região. Descobrir que todos seus esforços foram em vão, principalmente após todos aqueles ferimentos, não era fácil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ela estava aqui, mas um poder como o dela não pode ser controlado por um mago tão inferior como o dono desse lugar – disse passando por nós a passos vagarosos. – Após centenas de anos usando sua magia para sacrifícios, ninguém consegue manter a mesma energia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você... é uma Magi...? – perguntou Akari de olhos tão arregalados quanto os meus na primeira vez que vi Yumei usar sua magia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E você é uma sacerdotisa – disse como se fosse algo óbvio. – Não se preocupe, eu só estou interessada em encontrar a lua, não quero usar seu poder.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Parou e virou-se para nós, seu olhar frio provocou um calafrio em minhas espinhas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– No entanto, eu me preocupo com o garoto ao seu lado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Eu e Akari nos entreolhamos, aquilo era novo para mim também. Nunca tinha ouvido algo do gênero vindo de Yumei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Du, leve a sacerdotisa para o escritório – virou-se novamente e voltou a andar em direção aos elevadores. – Eu tenho uma reunião com o dono dessa empresa. Infelizmente acredito que você seja demitido no processo – disse para mim olhando por cima do ombro, o canto de seu lábio levantado em ironia.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-7535961590645323102?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/7535961590645323102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=7535961590645323102&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/7535961590645323102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/7535961590645323102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2010/10/duas-luas-oito.html' title='Duas Luas - Oito'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-8042908645214433503</id><published>2010-02-22T01:36:00.000-03:00</published><updated>2010-02-22T01:37:59.444-03:00</updated><title type='text'>Duas Luas - Sete</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CMarcos%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:usefelayout/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-alt:"ＭＳ 明朝"; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;} @font-face 	{font-family:"\@MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"MS Mincho";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Oho – disse Yumei em um tom irônico do outro lado da linha – Então finalmente chegou o momento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Huh? – cocei a cabeça por cima do celular.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Cheguei em casa com dois pratos congelados que comprei no supermercado, mas Akari não estava em lugar algum. Não era de se espantar, ela devia ter seus próprios assuntos para resolver. Cocei a cabeça novamente com o pensamento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Quais tipos de assuntos teria uma luz da Lua?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ainda está ai? – Yumei perguntou curiosa. – Kin?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Já disse que não gosto desse apelido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Oh... Eduardo então?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Acho que esse nome já não me é mais necessário.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Então Kin será! – disse alegre, mais alegre que qualquer um deveria ficar com algo tão banal como aquele apelido. – Um nome é algo muito poderoso, Kin. Ele não apenas define uma pessoa como lhe da todo o poder concebido pelo nome. Aquele que não possui um nome, não possui uma identidade, sendo desconhecido pelos outros acaba desconhecido por si mesmo. De qualquer forma, esteja preparado para hoje a noite.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que vai fazer?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ora... é a noite em que os gatos e bruxas saem, não é? – mesmo não a vendo, podia enxergar sua imagem deitada sobre sua cama piscando um olho e sorrindo ao pronunciar tais palavras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Antes que pudesse responder, ela já tinha desligado. Guardei o celular no bolso e esquentei meu prato. Passei o resto do dia lendo tranquilamente, sem qualquer sinal de Akari ou do chefe, filho do chefe, ou seja lá quem fosse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Quando anoiteceu me preparei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Uma coisa que nunca gostei é de armas. Armas atraem problemas, independente de você a carregar para proteção ou para agressão, somente o fato de estar carregando uma é o suficiente para atrair problemas. As pessoas olham para você de uma forma diferente, estranha, desconfiada. Sei que parte disso é psicológico, porém há uma grande parte que envolve a ligação entre os espíritos dos seres humanos. Alguns chamam de sexto sentido, algo que somente algumas pessoas possuem. Yumei, contudo, diz que todo ser humano possui um sexto sentido, a diferença que existem pessoas mais sensíveis, outras mais suscetíveis, outras que descobrem tardiamente na vida e outras que apenas o ignoram por medo. Talvez carregar uma arma escondida ative um fragmento esquecido desse sexto sentido. Essa é, pelo menos, a parte espiritual que vejo para os olhares desconfiados que as armas atraem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Em todo caso, a única arma que tinha para me defender era um canivete de lâmina longa dobrável. Não sendo uma arma de fogo já me fazia feliz. Yumei havia me dado como proteção, disse que a lâmina foi feita com um material especial e que foi encantada por runas. De fato haviam muitos desenhos entalhados e emitiam um brilho estranho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Guardei o canivete no bolso da minha jaqueta esperei a ligação no celular. Não seria a primeira vez que fazíamos isso, por isso já sabia a rotina. Meu celular tocou um pouco antes da meia noite, uma vez apenas e em seguida calou-se. Estava na hora.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O que encontrei foi muito estranho, a entrada do prédio em que trabalhava estava aberta, mesmo o horário de fechamento tendo passado há horas atrás, a entrada estava aberta como se estivesse de dia. As luzes estavam acessas, mas ninguém na recepção, nem mesmo um segurança. Olhei em volta, ninguém. Nem nas ruas, nem no prédio. Parecia haver entrado em um lugar isolado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ao entrar, sombras começaram a percorrer as paredes e gemidos ecoaram pelo grande salão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– São espíritos que foram aprisionados nessa caixa – a voz de Akari surgiu atrás de mim.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-8042908645214433503?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/8042908645214433503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=8042908645214433503&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/8042908645214433503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/8042908645214433503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2010/02/duas-luas-sete.html' title='Duas Luas - Sete'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-4046159892131305442</id><published>2009-11-05T20:01:00.002-02:00</published><updated>2009-11-08T11:25:56.075-02:00</updated><title type='text'>Duas Luas - Seis</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CMarcos%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:usefelayout/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt; 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 &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Sono, sono, sono, sono.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Sono e uma garota de cabelo azul chamada Akari Luna em minha casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Problemas com sono? – a voz inicia em um eco distante, mas se aproxima rapidamente quando, com toda a força permitida a mim naquele instante, levanto minha cabeça e ergo minhas pesadas pálpebras. – Senhor Eduardo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Eu te conheço? Não tenho forças para perguntar, somente para processar uma série de informações que percorrem caoticamente minha cabeça. Esse rapaz é...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Quando o processo é finalizado e o resultado retornado para minha consciência, percebo o quão ferrado estava. Era o filho do dono. O diretor, o mandante, o cara que ninguém nunca tinha visto e nem queria ver. Na minha mesa, de frente para meu corpo sonolento e desgraçado, resultado de uma noite de pouco sono.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ótimo. Excelente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Fantástico. Me desculpe pela minha incompetência que gerou a honra de sua descida imperial do último andar ao que eu fico. Movimentando os olhos vejo que todos em volta, dentro do ângulo de visão, me olham, ou melhor, olham para ELE, espantados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– S-sim – reforço com um meneio de cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Tento me endireitar na cadeira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Me desculpe, senhor...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não precisa – respondeu o jovem rapaz abrindo um sorriso tranqüilo. Sua postura impecável e seu mais novo sorriso me trouxeram apenas uma palavra em mente: Artificial.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Mais artificial do que a planta de plástico que serve de cinzeiro no saguão do prédio. Mais artificial que o sorriso que eu devolvo pra ele parecendo um idiota completo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O senhor faz um excelente trabalho e fica até horários incríveis apenas para manter os relatórios em dia – disse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;HEH?! C-c-como ele pode saber de tantas coisas? O filho do dono fica me observando de perto?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Engoli seco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Perguntei-me a quanto tempo ele me observa. Hoje mesmo ele pareceu brotar por debaixo dos pisos do escritório vindo freneticamente falar comigo. Minhas conversas com Yumei foram pelo celular, mas era suficiente para as câmeras me flagrarem conversando com...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Não. Não tinha como eles descobrirem por que eu estava lá. Mesmo assim...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Mesmo assim, para alguém da posição dele saber o que alguém da minha posição que supera – em poucos pontos – a da mulher da copa, faz dentro da empresa é um choque.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;As expectativas de que meu cargo seria bom para passar despercebido foi-se pelo ralo. Imaginei o que mais ele saberia, das minhas pequenas escapadas para os arquivos mais antigos da empresa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Outra camada seca passou pela minha garganta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O-obrigado, senhor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Disponha – respondeu inabalável mantendo seu sorriso propaganda. – Senhor Eduardo, se está cansado, pode tirar o dia de folga – disse estendendo um dos braços no sentido dos elevadores. – Amanhã você pode continuar com isso. E se há qualquer coisa em que eu possa ajudá-lo, por favor, não hesite. Minha sala está sempre aberta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Virou-se e partiu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Suspeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Muito suspeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Incrivelmente suspeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Tão suspeito que me leva a suspeitar da suspeição.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Antes de tudo isso... Onde foi que eu vi o rosto dele. Acredito que essa tenha sido a primeira vez que todos do prédio viram seu rosto. Nunca antes, que eu soubesse através da minha pequena investigação, ele havia descido anteriormente para falar com qualquer funcionário. Tudo era feito através de seu assessor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Espera... Então por que eu?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Arght. Minhas suspeitas coçam mais que cair e rolar em cima de urtiga apenas de sunga.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Coçando minha cabeça e me levantando, aceitando a oferta de voltar para casa, recordo-me de onde tinha visto seu rosto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Foi há mais de vinte anos atrás, quando a internet ainda dava os primeiros passos para o acesso público e a informação que nela circulava era extremamente limitada. A foto dele saiu em uma revista de ciências tão obscura que foi um milagre eu ter encontrado uma cópia dela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Não era uma coluna muito grande, mesmo porque a revista falava de coisas mais absurdas para a época, como óvnis, clonagem, espers e afins; por esse motivo nunca chegou na terceira edição. Na coluna dele falava sobre prolongamento da vida, estudos de drogas que aumentavam a longevidade das pessoas e...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A foto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A foto era ele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Não mais novo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nem mais velho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ele. O filho do dono da empresa... exatamente igual ao seu pai, o homem da foto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O que diabos estava acontecendo...?&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-4046159892131305442?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/4046159892131305442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=4046159892131305442&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4046159892131305442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4046159892131305442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/11/duas-luas-seis.html' title='Duas Luas - Seis'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-6686426754282303939</id><published>2009-10-18T22:34:00.002-02:00</published><updated>2009-10-18T22:35:26.965-02:00</updated><title type='text'>Duas Luas - Cinco</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CMarcos%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:usefelayout/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-alt:"ＭＳ 明朝"; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;} @font-face 	{font-family:"\@MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"MS Mincho";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Seres imortais que regem a noite, as trevas e a pureza. É assim que Akari se denominou. Não apenas elas, mas como todas as sacerdotisas que representam a lua.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Qualquer outra pessoa pensaria no absurdo daquelas palavras, mas não seria a primeira vez que via ou ouvia coisas impossíveis. Apesar de minha tolerância para coisas improváveis, uma coisa aprendi: quando se descobre um desses absurdos, prepare-se para problemas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E o que você faz aqui? – perguntei após a explicação dela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Tentando encontrar uma lua.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– ...?!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Akari riu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não é que a lua tenha caído na terra – disse apontando para o céu cuja lua cheia aparecia cortada por nuvens negras da noite. – Mas existem as descendentes da lua. Na verdade são duas, gêmeas e imortais. Tento encontrar uma desaparecida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E você quer que eu acredite nisso?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Hummm... – pensou colocando o indicador sob seu queixo. – Imagino que isso seja realmente estranho para um ser humano da terra – ficou em silêncio ponderando mais alguns segundos. – Não. Não precisa acreditar nisso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O problema era que eu acreditava. Não precisamente em sua história, mas no contexto geral. Sua imortalidade explicaria seus ferimentos se curando rapidamente. Mas procurar uma lua...?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que quero – prosseguiu encarando-me nos olhos. – É que você me diga o que quer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Huh? – perguntei surpreso, erguendo uma sobrancelha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sim – disse encostando-se a sacada. – Você salvou minha vida, duas vezes. Então eu devo algo a você &lt;st1:personname productid="em troca. Qualquer" st="on"&gt;em troca. Qualquer&lt;/st1:personname&gt; coisa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Erm... se você é imortal, não acho que tenha salvo sua vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ah – disse abrindo um sorriso. – Somos imortais de idade e temos uma tolerância para danos em nossos corpos, dependendo do grau do ferimento levamos dias para nos curar o que nos deixa vulneráveis durante um período. É nesse período em que nos recuperamos que podemos ser mortos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Cocei o queixo, uma brisa fria passou por nós ondulando o longo cabelo azul de Akari.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Então, você salvou minha vida – falou depois de ver minha cara pensativa. – Então estou lhe devendo, você pode...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Antes que terminasse levantei-me da cadeira da varanda e entrei no quarto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você não me deve nada, apenas tome mais cuidado – disse deitando-me no sofá que havia no centro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Esse era o quarto de visitas, na verdade haviam dois quartos no andar de cima da casa e um menor no andar térreo, eu preferia o quarto do térreo, não por ser menor, mas por estar mais próxima a entrada da casa. Por se situar na entrada, podia ouvir qualquer um que entrasse pela porta da frente. Os outros quartos serviam como escritório e biblioteca.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;No que estávamos, que tinha a sacada, era a biblioteca que tinha um enorme sofá de descanso no centro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;De olhos fechado sinto alguém subir no sofá e parar sobre mim, os cabelos de Akari caem sobre meu rosto e ouço sua voz próxima a minha orelha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Talvez essa seja uma oportunidade única em sua vida – sussurrou de uma forma sensual e misteriosa que me fez estremecer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ao abrir minhas pálpebras nossos olhos se encontraram e ela se afastou com um sorriso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Pois bem – disse levantando-se. – Vou ficar aqui até que você tenha algo para me pedir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Suspirei esfregando o topo do nariz com o indicador e polegar. Olhei para o relógio, já era sexta feira.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-6686426754282303939?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/6686426754282303939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=6686426754282303939&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/6686426754282303939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/6686426754282303939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/10/normal-0-21-false-false-false.html' title='Duas Luas - Cinco'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-7595893417114866837</id><published>2009-10-11T23:11:00.002-03:00</published><updated>2009-11-01T17:24:10.749-02:00</updated><title type='text'>Duas Luas - Quatro</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CMarcos%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:usefelayout/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-alt:"ＭＳ 明朝"; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;} @font-face 	{font-family:"\@MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"MS Mincho";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Sobre a fina barra de ferro que não devia ter mais de três dedos de largura, ela parou sobre os dois pés, completamente equilibrada. Andou de um lado a outro sobre o parapeito como se fosse a coisa mais natural de se fazer, parecendo um gato.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Virando-se a minha frente vê minha cara espantada e sem reação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Então... – disse como em um miado entediado. – Você me salvou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Apenas assenti.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Hum... – olhou em meus olhos concentrada. – Acredito que eu tenha que agradecer a você, senão estaria em uma situação muito ruim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Assenti novamente de boca escancarada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Saltou da barra e usou ambos os braços para se segurar a ela antes que caísse. Seus pés ficaram suspensos por um minuto e logo depois, usando seus braços como alavanca, pôs a se sentar sobre o parapeito, cruzando as pernas em seguida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Quanto de força tinha, era impossível saber, mas para fazer o que fez de maneira tão natural devia ser alguém com força sobre humana, ainda mais com aqueles braços finos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Então... – mais uma vez sua voz saiu como um miado. – O que você faz?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Desculpe? – perguntei ainda surpreso com sua performance de acrobata.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– É. O que você faz, com que trabalha. Essas coisas – disse impaciente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Humm... – murmurei pensativo. – Organizo relatórios em uma empresa... acho que você pode dizer que eu sou uma pessoa bastante ordinária nesse aspecto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ela ergueu uma sobrancelha fitando-me com seus olhos azuis que reluziam a luz na lua.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que faz fora do trabalho?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Humm... – pensei de novo. – Nada de mais, leio livros, fico aqui fora tomando um café, fumando um cigarro e apreciando o céu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Que chato... – disse entediada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Huh? Chato? Me desculpe se eu não sou uma pessoa que aparece cheio de cortes pelo corpo e me curo rapidamente. Ou caio desmaiado de madrugada no meio de uma rua deserta. Ah, sim. Prefiro minha vida assim como ela é do que a que está se passando por sua cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Um momento, espera um pouco. Não devia ser eu fazendo as perguntas aqui?!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você não pode ser tão monótono assim! Tão comum! – exclamou ela inclinando-se para mim, tanto que parecia que iria cair da barra de ferro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Erm... Acredito que não seja uma questão de poder ou não...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Claro que é!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E por que da sua exaltação?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Arght, de novo era ela quem estava no controle da conversa. Me perguntei quando foi que deixei esse rumo ser tomado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ora! – endireitou-se e cruzou os braços com ar superior. – Por que eu fui salva por você. E se você é uma pessoa comum e monótona, isso faz de mim algo ainda pior!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Mas que?! Como essa garota...?! Respirei fundo passando a mão pela cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Estou brincando – disse e ao olhar para ela vi o canto de seus lábios se erguer em um sorriso e abrir um de seus olhos em minha direção. – As vezes é no comum que se encontra a beleza de toda a vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Huh?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Fiquei curiosa em ver seu rosto irritado. Alguém que passa pelo que você passou comigo não teria uma expressão tão tranqüila quanto você teve.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– De qualquer forma – prosseguiu, – você parece ser uma pessoa bastante interessante... humm...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Eduardo – respondi sem compreender a mudança radical. – Pode me chamar de Du.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Du – repetiu sentindo o gosto do nome em seus lábios finos e rosados. – Um nome comum para uma pessoa comum – murmurou. Saltou do parapeito e caiu em minha frente estendendo sua mão aberta para mim. – Akari Luna. Ou como alguns humanos me chamam: Tsuki Akari. A luz da lua.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Luz... da lua? – repito sem compreender.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-7595893417114866837?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/7595893417114866837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=7595893417114866837&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/7595893417114866837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/7595893417114866837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/10/duas-luas-quatro.html' title='Duas Luas - Quatro'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-116347150177574532</id><published>2009-09-27T22:17:00.001-03:00</published><updated>2009-10-11T20:56:14.994-03:00</updated><title type='text'>Duas Luas - Três</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CMarcos%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:usefelayout/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-alt:"ＭＳ 明朝"; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;} @font-face 	{font-family:"\@MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"MS Mincho";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:shapedefaults ext="edit" spidmax="1026"&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:shapelayout ext="edit"&gt;   &lt;o:idmap ext="edit" data="1"&gt;  &lt;/o:shapelayout&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Suspirei resignado com ela em meus braços. Seu sangue escorria por cortes profundos em seus braços e por baixo dos rasgos de sua roupa. Era como se enormes garras a tivessem cortado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Deixa eu adivinhar – disse olhando-a nos olhos. – Sem médicos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Com um leve meneio da cabeça ela assentiu, sorriu fracamente e suas pálpebras desceram a deixando inconsciente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Não seria a primeira vez que cuidava de ferimentos de alguém, particularmente de uma mulher. Porém ao tirar a roupa dela um frio me percorreu a espinha. Senti-me como se estivesse fazendo algo pecaminoso, maculando algo extremamente sagrado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Balancei a cabeça. Era necessário. Já estava com agulha e linha nas mãos enquanto observava o sangue escorrendo pelos cortes do corpo dela, manchando o lençol da minha cama.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Espera. Estariam os cortes menos profundos que minutos antes? Perguntei-me ao olhar alguns deles que já pareciam arranhões. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Mas o que...?! Aproximei meu rosto e examinei um dos ferimentos mais profundos na altura de seu estômago. Somente de perto percebi que estava se fechando naturalmente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Tudo bem – disse a mim mesmo. – Já vi coisas mais estranhas que essa...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Guardei a agulha e a linha, depois limpei os cortes e coloquei curativos por cima deles.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Apesar de não ser de meu feitio forçar outras pessoas responderem minhas dúvidas, essa garota precisava esclarecer as coisas. Principalmente por ter manchado meu lençol e o chão da minha sala de sangue.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Quando preciso de um tempo para pensar fico na sacada do segundo andar de casa, sentado em uma das cadeiras fumando um cigarro. Acompanhado de uma xícara de café, observava as casas vizinhas e o céu escuro de inicio de madrugada. A brisa fria e solitária cruzava as ruas desertas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Senti uma mão macia pousando em meu ombro, ao virar-me vejo a garota que estava a pouco tempo desmaiada em minha cama, ferida por cortes profundos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O que me espantou mais do que sua presença a meu lado foi sua roupa. Uma de minhas camisas cobria o seu corpo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ei... isso é meu – foi tudo que consegui dizer ao vê-la assim, repentinamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você queria que eu viesse aqui fora nua? – disse irônica. – Ou você não se contentou o suficiente de ver o meu corpo quando tirou minhas roupas?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Tremi. Só não sei se foi por causa do calafrio na espinha ou por causa da mão que se fechou abruptamente em meu ombro, como uma garra muito forte, mas macia e morna. Talvez tenha sido por causa das duas coisas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Eu não...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Entretanto, antes que pudesse falar qualquer coisa, a garota correu em direção ao parapeito da sacada e pulou sobre ela.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-116347150177574532?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/116347150177574532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=116347150177574532&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/116347150177574532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/116347150177574532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/09/duas-luas-tres.html' title='Duas Luas - Três'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-1513884754693197511</id><published>2009-09-20T11:35:00.003-03:00</published><updated>2009-09-21T22:58:22.718-03:00</updated><title type='text'>Duas Luas - Dois</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Fique a vontade para comer e ficar o tempo que quiser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;Quando sair coloque a chave da porta na caixa de correio na entrada.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A garota ainda estava dormindo quando despertei, na poltrona da minha sala já que ela estava na única cama que tinha, para ir ao trabalho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Não me incomodava ter uma pessoa completamente desconhecida em minha casa. A única coisa de valor que tinha seria um laptop com mais de dez anos de uso que servia apenas para pesquisa e e-mails. Também não acredito que houvesse pessoas que roubariam meus livros, então minhas posses estavam resumidas a coisas relativamente sem valores monetários.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Por volta da tarde eu recebi uma ligação no celular.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Yo, Du – cumprimentou-me a mulher de voz sedosa e animada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Huh?! – fiquei surpreso. – Eu já disse pra não me ligar em horário comercial!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Oh? – disse irônica. – Em uma empresa tão grande como essa em que você está, dificilmente vão se importar com alguém que atende uma ou duas ligações pessoais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Olhei &lt;st1:personname productid="em volta. Realmente" st="on"&gt;em volta. Realmente&lt;/st1:personname&gt; todos os parecia me notar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E então – prosseguiu ela. – O que encontrou?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não muita coisa – respondi desapontado comigo mesmo. – Nenhum funcionário com quem falei nunca sequer viu o dono da empresa. Revistas e jornais também nunca conseguiram uma foto dele. Nem mesmo o chefe do meu setor conhece o dono da empresa. Ele simplesmente parece não existir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Hum... Mas ele existe, disso podemos ter certeza – ouvi um suspiro do outro lado. – De qualquer forma tome cuidado, você sabe o que aconteceu com as pessoas que tentaram encontrar ele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ela não precisava me lembrar. Todos que tiveram a curiosidade e audácia de tentar descobrir o rosto por trás de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, acabaram morrendo. Obviamente morreram por causas naturais, algumas se mataram jogando-se em frente a trens ou caindo de prédios. De uma forma ou de outra, ninguém podia ligar a empresa com essas mortes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ninguém exceto Yumei, minha verdadeira chefe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não se preocupe – disse, prestes a desligar o celular.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ah! – lembrou-se ela. – Não se esqueça de que são os gatos que escolhem os seus mestres – disse com voz irônica. – Claro que não se pode levar em consideração o gato de Nabeshima, hehe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Huh? Qual o problema com gatos agora? – perguntei erguendo uma sobrancelha, mesmo sabendo que ninguém veria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nada – respondeu sarcástica, dando uma risadinha. – Apenas me lembrei da lenda dos gatos serem guardiães dos mortos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Diferente do dia anterior, voltei para casa no horário habitual. Chequei minha caixa de correspondências na entrada do prédio. Vazia. Isso significava que a garota de cabelos azuis não tinha ido embora. Sorri ironicamente. Pelo menos podia perguntar a ela o que aconteceu antes de encontrá-la ainda no asfalto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Subi as escadas e abri a porta, porém ninguém estava lá. Procurei no quarto, cozinha e banheiro. Sentei-me no sofá da sala cocando a cabeça. “Talvez ela tenha esquecido de devolver a chave,” pensei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Tomei banho e jantei. Passado das onze horas, enquanto lia um livro no sofá da sala, ouvi a porta se abrindo.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-1513884754693197511?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/1513884754693197511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=1513884754693197511&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/1513884754693197511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/1513884754693197511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/09/normal-0-21-false-false-false.html' title='Duas Luas - Dois'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-1903324505256132187</id><published>2009-09-08T17:58:00.002-03:00</published><updated>2009-09-16T21:29:37.585-03:00</updated><title type='text'>Duas Luas - Um</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CMarcos%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:usefelayout/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-alt:"ＭＳ 明朝"; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;} @font-face 	{font-family:"\@MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"MS Mincho";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O cheiro pútrido do ácido estomacal se misturava ao cheiro de ferro do sangue. Pedaços de corpos estavam espalhados pelo chão e empalados em enormes estacas fincadas no asfalto. Os escombros do que antes foram enormes apartamentos comerciais e residenciais, e aqueles esqueletos que sobreviveram a destruição do quer que tenha acontecido aqui, cercam a carne e os ossos até além do horizonte do céu tingido de escarlate e nuvens negras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Colocando as mãos sobre o rosto tento fugir da amarga realidade. O ar que entra em meus pulmões queima como brasa. Como vim parar aqui, não faço idéia, mas sei que é o mundo em que um dia vivi.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Acordei em meu escritório com a luminária da mesa acesa, a luz fluorescente estalando de constante uso, meu redor está escuro e vazio. Olhei para meu relógio, três da madrugada de quarta feira. Não era a primeira vez que tinha dormido em cima da mesa por excesso de trabalho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Peguei minhas coisas e sai do escritório deserto. Na portaria me despedi do guarda noturno.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O senhor não quer que eu chame um taxi? – perguntou ele por trás do balcão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não, obrigado – respondi. – Vou a pé mesmo – acenei para ele passando pelo hall de entrada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Do trabalho até minha casa era cerca de vinte minutos, o problema eram as ruas estreitas e escondidas das demais. Por ser madrugada não me incomodei muito, a maioria dos assaltantes e mendigos deveriam estar dormidos ou bebendo nos bares afastados da região.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Isso não mudava o fato de tudo estar deserto e um tanto intimidador. As portas de ferro das lojas fechadas, as casas e apartamentos com suas luzes apagadas, os barulhos dos motores dos carros ecoavam distantes, como se estivessem em um sonho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Continuei caminhando até que algo inesperado entrou em meu campo de visão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Banhada como um ser angelical pela luz do poste que projetava um círculo amarelado no chão, uma mulher estava deitada de costas para baixo. Seus longos cabelos azuis –que lembrava o azul de jeans claro – e lisos estavam espalhados, mas não ousavam cruzar o limiar da escuridão. Sua pele alva reluzia uma incandescência casta e meiga. Usava uma longa saia de um azul muito mais escuro que seus cabelos, e uma camisa branca abotoada até a altura de seu pescoço.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Me aproximei o mais rápido que pude. Felizmente ela estava respirando, porém parecia inconsciente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ei – disse pegando-a nos braços. – Garota? Ei! – balancei-a. Obtive apenas um fraco movimento de suas pálpebras fechadas. – Espere, vou chamar uma ambulância.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;No instante em que ia pegar meu celular, a garota agarra com firmeza minha mão com o aparelho. Nossos olhares se cruzam, seus olhos são azuis como seus cabelos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não! Eu vou ficar bem – disse com uma voz fraca. – Só preciso descansar...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Logo em seguida voltou a fechar os olhos caindo em um sono profundo. Cocei a cabeça e olhei &lt;st1:personname productid="em volta. Ningu￩m." st="on"&gt;em volta. Ninguém.&lt;/st1:personname&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Sem outra alternativa a carreguei até minha casa. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-1903324505256132187?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/1903324505256132187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=1903324505256132187&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/1903324505256132187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/1903324505256132187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/09/duas-luas-um.html' title='Duas Luas - Um'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-2192547040557766114</id><published>2009-07-21T19:09:00.000-03:00</published><updated>2009-07-21T19:14:34.801-03:00</updated><title type='text'>Cidade sem estrelas</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CMarcos%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:usefelayout/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt; 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 &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Na varanda de um café, sentada em uma mesa próxima ao parapeito, uma senhora de meia idade observava o movimento constante da rua, seu olhar distante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Era segunda feira a tarde, o dia de folga dela. As mãos calejadas que envolviam a xícara mostravam anos de trabalho duro e a pequena aliança em seu dedo, anos de devoção. Mergulhada em pensamentos, costumava ficar ali imaginando como estaria seu filho, que trabalhava fora do país.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Dentro do café, na parte dos fundos onde os funcionários se trocavam, duas jovens trocavam confidencias, uma chorava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Eu sabia que ele estava com outra! – disse em meio a soluços.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ele não presta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que foi que fiz para merecer isso?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ele não presta – a amiga repete a abraçando, deixando que derrame suas lágrimas sobre seu uniforme.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Andando pela calçada, um senhor de idade tenta atravessar a rua. Três passos, extremamente lentos, são necessários: bengala, perna direita e por fim a perna esquerda. Sua coluna é envergada por anos de trabalho levantando peso e seu olhar cansado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Um carro corre em direção a ele, sem diminuir a velocidade, o motorista, ainda jovem, apenas desvia do velho tão próximo que se não fosse pela mão amiga teria sido atropelado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Os transeuntes xingam o motorista.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Pegando o senhor pelos braços, um homem de terno e gravata o puxa para perto de si, salvando o idoso do jovem motorista imprudente. Mantém a postura impecável de um alto executivo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Eu estou bem – anuncia o velho a todos que o olham.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Eu estou bem, obrigado – agradece ao homem com um sorriso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O executivo responde apenas com um falso sorriso e solta o braço do senhor, em seguida arruma sua gravata e continua seguindo seu caminho a passos apressados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Com uma mão no volante e a outra no celular o jovem, com lágrimas nos olhos, não consegue pensar. Esta fora de si, felicidade e medo o dominam a adrenalina corre incessante em seu sangue. Do outro lado da linha sua mãe grita:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Vai nascer! Vai nascer! Seu filho vai nascer!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Tento apenas vinte e um anos, a chegada de seu filho trazia um novo rumo a sua vida. Nada seria como antes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Sentado ao chão, de mão estendida, um mendigo olhava para cima para os transeuntes que passavam o ignorando. Ele esboçava o sorriso mais amigável que conseguia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Assim é a vida! A vida é assim! – exclamava para quem passava. – Peço humildemente por perdão. Perdoem por eu não me apresentar com a mesma dignidade que vós!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Vai trabalhar, vagabundo! – gritava algum mais estressado ao ouvir a cena.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Gritos e risadas de crianças são ouvidos, misturando-se com o alaranjado de fim de tarde. A escola nas proximidades abre suas portas para a saída dos pequenos e pequenas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Fileiras de caros surgem de lugares desconhecidos. Pais e mães que buscam seus filhos e filhas. Também uma sorte de pessoas que saem de seus trabalhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Parada em um ponto de ônibus, uma mulher massageia seu próprio ombro com a mão, exausta após a faxina do escritório em que trabalha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Suspirou ao ver seu ônibus tão cheio que ma podia fechar as portas. Encolheu-se nas escadas do ônibus e partiu apertada, obrigada a, pelo menos durante as quase duas horas até sua casa, esquecer sua dor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Uma mãe carregando sacolas de supermercado em ambas as mãos, sorri quando vê a filha correndo em sua direção, recém saída da escolinha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Como foi o dia? – pergunta assim que a filha lhe da um abraço.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Foi normal, tenho muita lição de casa agora – disse um pouco triste.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Então tem que se esforçar – disse a mãe. – Não quer fazer a lição enquanto faço a janta? – perguntou erguendo as sacolas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Hun! – assentiu a filha sorrindo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Mãe e filha caminharam lado a lado até a casa delas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Os gritinhos e risadas continuaram por mais algum tempo. Assim como as buzinas e congestionamento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A tarde começava a ceder espaço para a noite.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Assim chegava ao fim mais uma segunda-feira na cidade onde não se podia ver as estrelas.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-2192547040557766114?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/2192547040557766114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=2192547040557766114&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/2192547040557766114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/2192547040557766114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/07/cidade-sem-estrelas.html' title='Cidade sem estrelas'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-2630213185245430182</id><published>2009-06-28T16:22:00.000-03:00</published><updated>2009-06-28T16:49:16.783-03:00</updated><title type='text'>Sem inspiração.</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CMarcos%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:usefelayout/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-alt:"ＭＳ 明朝"; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;} @font-face 	{font-family:"\@MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"MS Mincho";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Faz quantos dias? Ou será que foram semanas? Talvez até meses?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Não sei. O que sei é que a brancura do papel começa a me enjoar. Vertiginoso, opressor, aterrorizador. O branco envolve o fundo da minha córnea projetado de cabeça para baixo, ou será de cabeça para cima? Vejo navios, colossos, guerreiros, detetives e casais apaixonados... mas passam muito rápido, não consigo captá-los.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A caneta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A tinta contida em um recipiente de acrílico. Aprisionada. Trancafiada. Esquecida. Sua liberdade tão breve que dura nano-segundos até sua nova prisão... o papel. Tem sorte quando é aprisionada em palavras ricas e belas... O que não é o meu caso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Minha cabeça dói... será o branco do papel? Tão branco que as linhas horizontais se misturam no oceano... branco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Branco, branco, branco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;“AAAAAAARGHT!” Jogo a caneta sobre a mesa e dou voltas pela cadeira de madeira, velha e empoeirada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Sou um merda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Minha vida é uma merda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Constato tudo ouvindo as musicas dos vizinhos se divertindo em plena noite de sábado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Sou um merda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Fétido, inútil, desprezível... Restos negados pelo próprio corpo...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Tentei me matar, mas nem isso consegui. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A colher de madeira não quis cortar meu pulso. O fio dental se rompeu quando o testei antes de me enforcar. O copo d'agua não foi o suficiente para me afogar. A arma que usei estava sem munição... e era de bolinhas...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Não há inspiração da minha vida. Não há inspiração da minha morte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Sento-me na cadeira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Folha branca. Caneta cheia. Tinta aprisionada esperando para que eu a liberte em palavras belas e românticas. Palavras certas e sábias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;“Dane-se,” escrevo na folha. “Eu sou um merda.” Continuo...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Ah... a beleza...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Acendo um cigarro e olho pela janela.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-2630213185245430182?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/2630213185245430182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=2630213185245430182&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/2630213185245430182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/2630213185245430182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/06/sem-inspiracao.html' title='Sem inspiração.'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-5892716312946434750</id><published>2009-05-13T22:29:00.004-03:00</published><updated>2009-05-13T22:56:08.265-03:00</updated><title type='text'>Last Goodbye</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu pretendo fazer desse aqui meu último post nesse blog. A razão? Não importa. Escrever para mim é um sacrifício que prefiro – como bom auto-proclamado mártir e filho único – não compartilhar com ninguém , só pra ver se algum fulano(a) devidamente embriagado gives a fucking damn about it.&lt;br /&gt;Afinal, ninguém nunca disse que não é pelo Ibope que o mártir faz o que faz. Autoflagelo em praça pública pra entrar nos anais da história. Considerando que, no meu caso pelo menos, a literatura vai ficar muito mais no anal do que história, se é que vocês me entendem. Não? Tudo bem...&lt;br /&gt;O bacana é que consigo ver uma evolução nas coisas que escrevi há dois anos comparadas às coisas que eu escrevo agora (putaqueopariu: ainda bem!) e, essa ilusão de ter subido alguns degraus ajuda a ligar o som mais algumas vezes e esmurrar essas teclas sem medo, sonhando ser Dostoievski, tentando imitar o Bukowski, devorando o Mirisola (no bom sentido, puramente sexual. Se algum dia ele ler esse lixo aqui, vai entender) e puta merda, Deus me impeça de falar que pago um pau pras poesias do Piva. Mas ninguém conhece ele, nem o Dostoievski (“Ah! O cara que escreveu o livro do tal assassinato? Que tem filme e tudo né?”), nem o velho Buk, então tá tranqüilo. O Mirisola é famoso. Todo mundo o conhece pela alcunha de “Maldito”, não sei de onde tiraram isso (Eu vou na Saraiva e pergunto: “que livro do Mirisola vocês têm ae?” A bichinha com piercing no umbigo diz: “Ai, aquele escritor que chamam de maldito né? Acho que tem um livro dele, sim”. Nem sei porque eu pergunto isso toda vez; talvez seja pra ver o ponto de interrogação na cara da minha mulher). A verdade é que tem gente demais tomando muito Nescau com esperma por aí. Au, au. (quem manja, manja. Quem não manja se fodeu e perdeu a referência muito bem feita).&lt;br /&gt;Aproveitando, Animais em Extinção é um dos meus livros preferidos de 2009.&lt;br /&gt;Pronto!&lt;br /&gt;O importante foi dito.&lt;br /&gt;De volta à lenga-lenga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo continuar a escrever aqui. Agora vou me tornar um advogado de sucesso e quem sabe até virar juiz (segredo: prefiro adestrar chinchilas albinas e viajar o mundo com o Circo Vostok do que voltar a pegar num livro de direito, mas azar dos fatos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concentre-se nos bugalhos, concentre-se nos bugalhos: essa mudança no meu humor em relação à “arte” de escrever decorreu de um conjunto de fatores, desde topar com um conto da Márcia Denser e ter, com isso, descoberto a literatura pela segunda vez, até estudar estruturas narrativas e ler poesia. Coisas muito bacanas que apenas me acrescentaram  enquanto pessoa (???) e refletiram no meu texto.&lt;br /&gt;Conheci também alguns escritores e vi que eles são humanos e gente fina. Eles até topam ler algumas coisas que eu escrevo; imaginar que os caras vão ler algo que eu escrevi me tira até o sono, mas daí eu pego um Balzac (qualquer um dele) pra ler e em dois minutos estou capotado, sem previsão de retorno e sem garantias de que não haverá seqüelas.&lt;br /&gt;É claro que nem tudo são flores. Tomei muita porrada na cara de gente que se dizia escritor. Muito e-mail ignorado e cartas devolvidas por mudança de endereço – nesse a culpa é minha, eu sei...-; cheguei até a fazer um curso de escrita, é mole? Não vou falar muito disso aqui porque me serviu para alguma coisa que, quando eu lembrar o que foi eu peço pro Felipe postar aqui. Cursos de escrita criativa, ministrado por escritores são uma roubada. Deixo desde já um aviso: ROUBADA! Do tipo passa a carteira e a auto-estima. Watch out my brothers and sisters.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, quero agradecer aos 1465 visitantes que nos presentearam com sua presença e leitura (fato: dessas 1465 visitas – 730 são minhas, 650 do Felipe, 50 de pessoas que entraram no site sem querer e logo clicaram no “voltar) e 35 foram de pessoas perdidas nesse mundo em busca de ajuda (o Disk Oração dava sinal de ocupado direto). Espero que o Felipe continue postando as coisas que ele escreve aqui. Eu vou continuar lendo o blog, escrevendo (não aqui, obviamente), lendo, lendo, lendo, sonhando em ser Dostoievski, tentando imitar Bukowski e etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou deixar como despedida um poema do velho Buk, em homenagem à minha mulher que, ao contrário de vocês, vai continuar me agüentando e fazendo um puta esforço para ler as coisas que eu escrevo até o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah!&lt;br /&gt;PUTA QUE O PARIU! NÃO POSSO ESQUECER!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BANDO DE FIODAPUTA! TEM APRESENTAÇÃO DA VELHA NO SATYROS I – PÇA ROOSEVELT, 214, ALBERTO GUZIK E CHICO RIBAS!&lt;br /&gt;ESTARÁ EM CARTAZ ATÉ 28 DE MAIO! NÃO PERCAM! O TEXTO É DO MALDIT... DIGO MIRISOLA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MONÓLOGO DA VELHA APRESENTADORATexto: Marcelo MirisolaDireção: Josemir KowalickElenco: Alberto GuzikTrilha sonora: Ivam CabralIluminação: Rodolfo García VázquezAssistência de direção: Chico Ribas Quando: Quartas e quintas, 23hOnde: Espaço dos Satyros Um, pça Roosevelt, 214Quanto: R$ 20,00; R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt)Lotação: 70 pessoasDuração: 40 minClassificação: 12 anosGênero: ComédiaEstréia: 11 de fevereiro a 28 de maio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande abraço pra vocês, muito obrigado por tudo. Talvez, eu espero, no ano que vem meu livro esteja nas livrarias mais próximas de vocês. As aventuras do incrédulo Bostoievski.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuida da bagaça Massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confissão (Confessions)&lt;br /&gt;Charles Bukowski (Tradução André F.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperando pela morte como um gato&lt;br /&gt;Que vai pular na cama&lt;br /&gt;Eu sinto muita pena da minha mulher&lt;br /&gt;Ela vai ver esse corpo duro e branco&lt;br /&gt;Vai mexer nele uma vez&lt;br /&gt;Talvez outra vez mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hank!&lt;br /&gt;Hank não vai responder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a minha morte que me preocupa,&lt;br /&gt;É minha mulher&lt;br /&gt;Deixada com essa pilha de nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero que ela saiba que &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em todas as noites dormindo ao seu lado,&lt;br /&gt;Até as discussões mais inúteis&lt;br /&gt;Foram coisas eternamente esplendidas&lt;br /&gt;E as palavras duras que eu sempre temi dizer&lt;br /&gt;Podem agora ser ditas:&lt;br /&gt;Eu te amo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-5892716312946434750?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/5892716312946434750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=5892716312946434750&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/5892716312946434750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/5892716312946434750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/05/last-goodbye.html' title='Last Goodbye'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-7335487249226028649</id><published>2009-05-11T19:07:00.000-03:00</published><updated>2009-05-11T19:13:54.520-03:00</updated><title type='text'>Despertar</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CMarcos%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt; 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Estava sem senso de direção. Não que isso importasse já que nem sabia onde estava. Minha visão turva não ajudou, nem o fato de não conseuir mover meu corpo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Recapitulei as últimas coisas das quais me lembro, precisei de mais esforço que o necessário. As lembranças vêm &lt;st1:personname productid="em flashes. Uma" st="on"&gt;em flashes. Uma&lt;/st1:personname&gt; discussão com minha esposa, alguns &lt;i style=""&gt;drinks&lt;/i&gt; com os amigos para afundar as mágoas. Risadas, piadas e lembranças da época de escola. Luzes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A cortina de veludo preto pousa sobre meu rosto impedindo minha visão. Tudo está escuro e tranqüilo, apesar dos murmúrios incessantes em minha volta. Sinto gotas de água?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Esforço mais minha memória, mas a exaustão não me permite. Ainda consigo ouvir murmúrios, agora de outras pessoas. Esforço-me mais um pouco e distingo as vozes da minha esposa e amigos. Alguns choram, outros conversam. Acho que devo ter sofrido um acidente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ouço uma música no fundo após alguns instantes de silêncio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Descubro então que é meu velório.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-7335487249226028649?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/7335487249226028649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=7335487249226028649&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/7335487249226028649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/7335487249226028649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/05/despertar.html' title='Despertar'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-2508568764099675476</id><published>2009-05-06T15:41:00.001-03:00</published><updated>2009-05-06T15:42:45.872-03:00</updated><title type='text'>Escrever, escrever e escrever.</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CMarcos%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:usefelayout/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-alt:"ＭＳ 明朝"; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;} @font-face 	{font-family:"\@MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"MS Mincho";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Escreva. Se você tem vontade, escreva; mesmo não sabendo como começar, como escrever certo ou errado, torto ou reto, apenas escreva. Escrever não é um ato certo ou errado, fácil ou difícil, sério ou leviano, escrever é apenas escrever. A vontade de escrever é sempre maior, a paixão pela escrita é inevitável. As histórias, as imagens, a beleza, amizades e inimigos tudo que nos é contato pelas letras: escreva.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Aristóteles dizia que a paixão não existe sem a razão, e vice-versa. Porém o descontrole, a falta de julgamento, a loucura por um desejo, por uma obsessão, faz com que a razão seja reprimida, afundada no fundo, no canto do canteiro, deixe a razão lá e quando sobrar a paixão: escreva.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Não importa se achem que você não tem futuro, que você é um merda, que isso o que faz não passa de ilusão de criançinha: escreva, só quem sabe escrever é quem escreve, só quem sente paixão pela escrita é quem escreve, certo e errado, torto e reto. Os escritores já nascem loucos, já nascem com distúrbios, já nascem diferentes das “pessoinhas” que não sabem o que é escrever. Então, escreva, não lute, não force, escreva.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Se sua razão diz para não escrever, lhe falta paixão, lhe falta amor, lhe falta coragem, lhe falta dar espaço para que a paixão se misture com sua razão, que sua paixão enlouqueça a sua razão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Rouanet dispõe dois tipos de razão, a sábia e a louca. A sábia é a moderação da paixão com a razão, de forma que o julgamento seja imparcial, já a louca que seria a paixão reprimida, dominada pela razão, porém tal razão é nada mais que a influencia da perturbação da paixão reprimida, aquilo que uma razão louca se diz ser a pura razão, é na verdade uma loucura gerada pela paixão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Então, deixe que os outros te reprimam, deixem que digam o quanto você é inútil, fraco, imbecil e idiota, acredite neles, reprima sua paixão, se torne um louco, mais louco do que você – como escritor – já o é. Reprima a paixão e se deixe ser controlado por uma melancolia. Renuncie a escrita, sinta essa melancolia. Seja melancólico para ser o que os outros querem que você seja.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Mas no fim, lhe garanto, você não vai parar de escrever, a paixão não é vencida, mesmo na razão louca a paixão lhe influencia, lhe ferve, razão louca ou sábia: escreva, a paixão pela escrita transcende.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Idéias não nascem da razão, criações não nascem da razão, arte não nasce da razão, tudo é paixão, deixe que elas surjam, a razão é secundária, a razão é o que leva a concretizar as idéias. Não deixe que a razão controle suas idéias, pois elas não podem ser controladas, então não controle a escrita. Só os escritores conseguem escrever, só os escritores estão preparados para receber as palavras que ninguém mais pode.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Apenas escreva.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;As pessoas não compreendem o escritor, o menosprezam e até o tratam com repugnância, mas por quê? Porque escrever é para poucos, escreva.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Escritor não é sábio: é atento. Escritor não é inteligente: é letrado. Escritor não é excêntrico, é louco. Escritor não é idiota, é mártir. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Então, escreva. Não deixe de escrever. Não deixe que os outros ao seu redor te influenciem, não deixe que a SUA razão te influencie. O escritor escreve, não por felicidade, não por tristeza; não por facilidade, não por dificuldade. O escritor escreve porque escreve, a paixão não tem razão, a criação não pode ser controlada, se o é, deixa de existir. Escrever é sofrer, assim como a paixão. Escrever é ser passivo com o externo, assim como o é a paixão. Então, por que escrever? Simples, porque paixão não se controla, não se domina, não se reprimi, paixão se sente, paixão existe, paixão não é opcional de fábrica, está entalhada no espírito do escritor. Paixão está aqui e ali, nasce com o escritor, morre com o escritor. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Por fim... Escreva.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Referência: Os sentidos da paixão. De Sérgio Cardoso. Ed. Cia das letras.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-2508568764099675476?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/2508568764099675476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=2508568764099675476&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/2508568764099675476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/2508568764099675476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/05/escrever-escrever-e-escrever.html' title='Escrever, escrever e escrever.'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-4578799428746339141</id><published>2009-05-05T21:02:00.003-03:00</published><updated>2009-05-05T21:11:55.033-03:00</updated><title type='text'>O Gato Perdido (PARTE Final)</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CMarcos%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt; 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Mas conseguimos chegar ao final. Confessor que aprendi bastante... principalmente que não sirvo para isso \o/ HAHAHAHAHAHAHA&lt;br /&gt;Bom... a história:&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Bom dia, senhor Masahiro, senhorita Ling. E você deve ser a senhorita Nana. Prazer em conhecê-los – cumprimentou a diretora do colégio, olhando e sorrindo para cada um de nós enquanto pronunciava nossos nomes. – Desculpem a demora, essa semana e a próxima a maioria dos funcionários está de férias devido ao fim de ano.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A sala da diretora era pomposa, uma mesa de mogno entalhada acompanhado de uma poltrona e duas cadeiras que eram incrivelmente confortáveis. Atrás da poltrona uma janela coberta por uma persiana e do lado oposto a porta de entrada. A parede direita tinha vários armários de livros e arquivos e na oposta o mesmo, com exceção de um sofá próximo a mesa, Nana estava sentada nela, enquanto eu e Ling ocupávamos as cadeiras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não há problemas – assegurou-se Ling, assim que a diretora se sentou na poltrona do lado oposto a nosso na mesa. – Nós é que agradecemos por você ter aberto esse horário em sua agenda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sim, sim – disse sorrindo. – Então Nana, sim? A ficha dela é excepcional, com certeza gostaríamos de ter alguém como ela aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Como Nathalie – disse eu. Sua expressão logo se tornou exasperada e seu olhar inquieto percorreu a sala. Apontei a arma para ela e sorri, pude ver que nesse instante se agarrou aos apoios de braços de sua poltrona, o suor despontando de sua testa. – Sabemos o que aconteceu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que? – perguntou fingindo um sorriso inocente. – Do que vocês estão falando?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Suspirei sorrindo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nunca imaginei que chegariam a esse ponto – disse engatilhando a arma, vi que ela engoliu seco. – Felizmente é fim de ano e quase ninguém está no colégio, não é? Seria muito fácil matar você, não acha?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– A policia estaria aqui no mesmo instante – falou tentando soar como uma ameaça. Permaneci indiferente. – Mesmo que vocês fugissem, eu sei o rosto de vocês e seus nomes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sim, sabe – ri guardando a arma. – Porém...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Relatei o que Anderson havia contado para Ling, todos os detalhes que eu me lembrava. Calmamente ela ouviu, algumas vezes sorrindo e outras com um olhar sarcástico voltado para nós. O dia estava claro, com apenas algumas nuvens no ar, nem parecia que os eventos de quatro dias atrás foram reais, mas aqui estava eu falando com a diretora decadente de um colégio onde a imagem era tudo que tinham a manter, ao lado de Ling e Nana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Heh – riu ironicamente a diretora. – Muito interessante a sua fantasia, mas você não tem evidência contra mim ou qualquer um que você mencionou estar envolvido nessa sua ficção. Infelizmente é com pesar que lembro você de que o senhor Anderson e seu filho estão mortos, logo a única pessoa que poderia comprovar a sua pequena fantasia conspiratória, está morta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Cruzei os braços e suspirei por trás de um sorriso. Ling tomou o rumo da conversa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Felizmente boatos são boatos por não precisarem de evidências – disse acendendo um cigarro. Claramente não se podia fumar lá dentro, mas o olhar e a voz intimidadora de Ling fizeram com que a diretora pensasse melhor e baixasse a cabeça, submissa. – Mas boatos desse tipo costumam vagar rapidamente pelos meios de comunicação e logo a imprensa de todos os lugares vão começar a fuçar, fazendo da vida de vocês um inferno.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Tragou e assoprou tranquilamente cruzando as pernas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não importa se acharem algo ou não. O que importa é que o nome de todos vocês e deste colégio vão aparecer entre boatos de estupro, assassinato, suborno e muitas outras coisas desagradáveis que, infelizmente é com pesar que lembro você de que manchará o nome de todos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Um longo silêncio caiu sobre nós, várias vezes a diretora tentou pronunciar uma palavra, mas toda vez que ia falar foi impedida por ela mesma. O suor brotava claramente de sua testa, sua mão segurava firmemente os apoios, coluna ereta que mal tocava no encosto, tamanha era sua tensão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– V-v-você não teria como...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling sorriu antes que respondesse a aquilo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Procure na internet, veja os jornais. Felizmente as pessoas gostam de fofocas e conspirações.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A diretora se calou, lágrimas começavam a brotar de seus olhos, estava claramente desesperada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você pode saber nossas caras e nomes – comecei assim que Ling apagou seu cigarro. – Mas nós sabemos o rosto de cada um de vocês, onde vocês moram e trabalham, assim como a rotina e quem são seus amigos e contatos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Levantei da cadeira, Ling e Nana fizeram o mesmo e se dirigiram a porta. Antes que nos retirássemos perguntei olhando pelo canto do olho para a diretora que ainda estava estática:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Só uma pergunta: qual era a matéria que Nathalie tinha publicado que chamou sua atenção?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A diretora balbuciou várias vezes tentando tirar as palavras de sua garganta fechada até que, com muitas tentativas, conseguiu pronunciar baixinho e asfixiado:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sobre a condição da educação do Brasil, e a violência e medo que começam a entrar nas escolas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A isso eu tive que rir pela ironia que a vida havia trazido para todas essas pessoas e para nós. Suspirei e antes de fechar a porta da sala dela, sem me virar para ela, avisei:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Estaremos de olho, não se esqueça.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Epílogo, parte 1: Um velho conhecido.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling nos deixou na entrada do nosso apartamento. Subimos os sete andares de elevador e seguimos o extenso corredor até a nossa porta. Nana parou séria, fitando a direção da porta, seus olhos novamente sem o brilho da visão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Alguém está ai.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Sem falar nada saquei a arma e virei a maçaneta. Estava aberta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Entrei seguido por Nana e na sala vi um homem vestido de terno, camisa, calça e sapatos, o conjunto era tão caro que valeria o preço do apartamento. Cabelos escuros e espetados, um rosto quadrado e firme, olhos cerrados, estatura robusta e forte; seria o modelo ideal de um soldado linha dura. Era Malcom.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ora, ora, ora – disse assim que nos viu no limiar da entrada para a sala. – Se não é o sumido Masahiro... – silenciou-se ao ver Nana ao meu lado. Assim que a viu riu alto. – Ora, ora, vejam só... se não é a filha prodígio do clã Windstorm. Pensava que todos tivessem morrido em uma chacina em algum lugar da Europa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nana agarrou meu braço se escondendo atrás de mim. Foi a primeira vez que a vi assustada daquele jeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Huuuuuuum...? – Malcom viu o gesto dela e riu ironicamente. – Sua namoradinha? Ela é muito nova para você, não acha? Hehehe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que você quer? – perguntei secamente, ele sabia que eu não iria sentar e aceitar a presença dele ali tranquilamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Fechou os olhos e ergueu o canto da boca.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você sumiu depois que seu apartamento pegou fogo... pensava que estivesse morto – simulou uma voz triste com o pensamento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não pegou fogo: explodiu, depois, foi você quem colocou os explosivos no apartamento – disse friamente, ainda de pé mantendo Nana atrás de mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Malcom riu alto, seus olhos brilharam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sim, sim – afirmou. – Mas não tenho culpa que você abandonou a organização. Não pude resistir em te matar – disse em um tom travesso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E vai fazer isso agora? – perguntei firmando a arma em minha mão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ora essa, é claro que não! – exclamou indignado. – Você e eu sabemos que uma explosãozinha daquela não iria te matar... além do mais, eu queria que você trabalhasse para mim, mas você desapareceu depois daquilo – curvou a cabeça tentando ver Nana. – Mas percebo que você não perdeu tempo hein, hehehe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Por que eu trabalharia pra você?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Além de você não ter mais a proteção da organização? – Malcom perguntou retoricamente. – Você é um dos poucos gunslinger que conheço.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Quando eu ia falar ele me interrompeu apontando para a mesa de jantar do meu lado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você devia ser mais cuidadoso em suas operações – disse apontando para vários DVDs em cima da mesa. – As câmeras de segurança registraram tudo – respirou fundo estalando a língua. – Turma interessante você reuniu, provavelmente a última pessoa do clã Windstorm e uma feiticeira elementalista.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Levantou-se.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Considere isso um presente de natal atrasado, senhor Masahiro – disse secamente e parou do meu lado. – É melhor que fique &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em São  Paulo&lt;/st1:personname&gt; por enquanto. Eu vou precisar dos seus serviços.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E quem disse que eu vou aceitar? – perguntei olhando friamente para seus olhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ele sorriu, olhou para Nana que senti se encolher ainda mais atrás de mim afundando sua cabeça nas minhas costas, depois novamente para mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Por que você sabe o que posso fazer com a sua amiga feiticeira, essa sua namoradinha da família Windstorm e a quem for necessário... – disse em um tom mais de aviso do que de ameaça. – Você sabe do que eu sou capaz, sabe o que eu posso fazer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E por que você não resolve sozinho? – perguntei tentando manter meu controle.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ele riu, sua expressão mudando radicalmente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Por que eu gosto de você, senhor Masahiro – disse caminhando em direção a porta. – Acho você uma pessoa bastante interessante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Assim que ele saiu pela porta tive que conter minha raiva, desengatilhei a arma ainda com as mãos tremulas e a coloquei de volta no coldre. Nana afastou sua cabeça de minhas costas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Masahiro... a energia dele era...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Eu sei – disse baixinho antes que ela pudesse terminar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Quem era ele? – perguntou depois de um tempo, sua voz quase um sussurro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Suspirei e fui me sentar no sofá guiando Nana. Acendi um cigarro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O nome dele é Malcom – disse após um longo trago. – Alguém que eu devia ter matado há muito tempo...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Epílogo, parte 2: Um outro ponto de vista.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ela já está no quarto que a senhorita pediu – anunciou a enfermeira alegre.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Hum, obrigada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Mas quem diria – continuou a enfermeira interessada em fofoca. – Nunca imaginaria algum relativo fazendo tudo isso por ela... além da mãe que parou de vir há algum tempo, ninguém mais veio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A outra apenas assentiu sem demonstrar qualquer emoção. A enfermeira vendo que não conseguiria puxar assunto com a mulher, fez cara amarrada, baixou a cabeça e se retirou para o canto das enfermeiras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O hospital era um dos melhores de São Paulo, não era qualquer pessoa que podia pagar pelo leito particular, mas foi o que ela fez para a garota, por mais que não a conhecesse, sentia que lhe devia isso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Caminhou pelo corredor de portas e abriu a que a enfermeira tinha lhe indicado na hora da transferência da garota. Não havia trancas por ser um hospital.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Quem está ai? – perguntou a garota sentada em seu leito, olhava pela fresta da cortina da janela quando a mulher entrou. – Quem é você? – perguntou assim que a viu atravessar o pequeno corredor de entrada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nathalie? – perguntou sentando-se na cadeira ao lado da cama.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nathalie assentiu brevemente não podendo esconder seu olhar assustado. Estava muito fraca para se mexer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Meu nome é Ling. Ling Wei – apresentou-se. – Eu transferi você para esse hospital, eles vão cuidar da sua reabilitação. Faz alguns dias que você despertou do seu coma. Lembra-se de alguma coisa?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Sacudiu a cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Apenas alguns flashes... sonhos talvez... – levou as mãos ao rosto e continuou por entre elas. – Pesadelos na maior parte...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling sorriu e abriu mais as cortinas para que o sol entrasse, ainda vestia as roupas finas que usara para falar com a diretora do colégio, fazendo-a parecer ainda mais imponente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Na verdade – disse sem se virar para Nathalie. – Eu vim aqui para saber a respeito de um gato.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nathalie arregalou os olhos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-4578799428746339141?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/4578799428746339141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=4578799428746339141&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4578799428746339141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4578799428746339141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/05/o-gato-perdido-parte-final.html' title='O Gato Perdido (PARTE Final)'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-3010849792131070833</id><published>2009-03-14T13:14:00.001-03:00</published><updated>2009-03-14T13:15:59.155-03:00</updated><title type='text'>Segunda Estação</title><content type='html'>A cadeira nunca foi tão desconfortável e a pilha de papel que enfeita minha mesa nunca foi tão gigante. Textos para revisar, pesquisas para concluir e não fazia tanto tempo que tinham acabado minhas férias; eu não via a hora de poder ficar longe de tudo isso o mais rápido possível. Quase não tenho tempo para escrever, o telefone dispersa minha atenção o dia inteiro; o ar condicionado não funciona direito. Calor. O Chefe, que tem feições de coruja e físico de porco passa de cinco em cinco minutos para olhar meu trabalho, sempre desferindo um olhar desconfiado para o caderno que começou a fazer parte da minha mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta semana teríamos reunião com o pessoal da matriz, lá de Brasília, para cobrir as eleições presidenciais, então era importantíssimo que estivéssemos organizados como formigas que se preparam para uma nova estação. Os cabelos deveriam estar cortados, os dentes brancos, o saco cheio e a cabeça vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentava não pensar no que eu realmente gostaria de fazer do meu dia, da minha vida, nas coisas que poderia escrever, mas acho que é justamente nesse ambiente que o ócio dá às mãos à criatividade, juntas saem saltitantes para o outro lado da janela, da rua, do bairro e do país. Era justamente no trabalho, naquela sala e naquela cadeira com o estofado gasto que eu pensava mais no que eu não deveria fazer: como lavar a roupa, comprar a ração do gato, a janta de amanhã e nas três estrofes não nascidas. Não conseguia ler nada, nem a escolha sempre fácil para a capa do jornal: o estupro de crianças ou assaltos a banco, tudo muito bem regurgitado, em tom profético, prevendo o fim do mundo. Eu não conseguia decidir. Estou começando a acreditar que, como todo mundo, odeio meu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus colegas não estavam diferentes. As mulheres da seção de moda conversavam baixinho, exibindo as unhas e se perguntando se o vermelho vinho combina mais que o roxo escuro. Falam dos cabelos, cremes, pomadas e como estão cansadas de trabalhar, sem nunca ter feito isso uma única vez na vida. A dupla da coluna de esportes estudava profundamente as formas da última capa da Playboy, o chefe passava, de cinco em cinco minutos na minha mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só o setor financeiro sorria; bocas cheias de dentes, hienas que nos observam sempre sorridentes, sempre confiantes; a raposa observando os cordeiros. Deus, esse calor me deixa mal humorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase onze horas. Nenhuma linha escrita, nenhuma palavra lida. Idéias circundavam minha cabeça, urubus cercando a carniça. As pessoas me olham e comentam que deixei meu humor em casa, esquecido na gaveta das meias. Sorrio. Olhos se cruzam, se encaram. Silêncio.&lt;br /&gt;- Hoje é dia de feijoada, não vão esquecer hein? – anunciava o mais faminto, convidativo. Todos nos entreolhamos sorridentes, podíamos sentir o cheiro do torresmo, da língua, do molho com pimenta.- É nóis! – Confirmava o rapaz da máquina de xérox.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio dia em ponto o comboio foi à Padaria do Campos. As mesas estavam tingidas de gotas negras e restos de carne mordida. Sentamos os doze em três mesas que foram juntadas, improvisadas, perto de um ventilador que tinha apenas dois pedaços da hélice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- São oito cumbucas de feijuca, mais sete tubaínas... – o chefe Coruja fez o pedido.&lt;br /&gt;As moças planejavam como iam dividir o prato, se abanavam e se divertiam com os olhares maliciosos dos homens que observavam analiticamente as gotas de suor que surgiam nos pescoços finos e intocáveis como corrimão de ônibus; agendam programas para o final da semana com o arquivista, o pessoal da seção de esportes e o Chefe Coruja, que só vai comparecer após deixar a esposa e as filhas na casa da cunhada. Eu sentia minhas costas suadas e o cabelo molhado. Encarava o ventilador de dois dentes que pareciam sorrir para mim, inútil, objeto de mera decoração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram os potes de barro fumegante, uma travessa de arroz, couve, pastéis, torresmo – o prato do dia chega sempre mais rápido; as tubaínas já estavam esquentando nos copos.&lt;br /&gt;O colunista de esportes antes mesmo da primeira garfada já suava torrencialmente; ninguém o encarava temendo testemunhar a queda livre de algumas gotas de suor no prato de comida, que fatalmente terminariam em sua boca, misturadas com o arroz e o feijão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Domingão tem futebol lá no Ibira. Podemos contar com você? – perguntou me encarando. Como por hábito sorri. Sem motivo algum. Não sabia o que responder. Não queria jogar nada. Eu queria terminar o que eu comecei: quero escrever as três estrofes. Embora com esse calor, eu sei que vai ser difícil. Deus, como eu fico mal humorado no calor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é claro que ele vai! – o arquivista respondeu por mim. – É o nosso melhor lateral direito! Tem que ir! – gritou alguém no fundo da mesa. Houve um movimento na mesa, os homens olhando para mim, mastigando de boca aberta, espantados com a minha confirmação demorada, é claro que eu ia. Eu sempre fui e sempre irei. Não era discutível e por isso não seria mais assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti algo subir pela minha garganta, as gotas de suor cada vez mais geladas escorrendo pelas minhas têmporas. Será que tinha um toucinho estragado na feijoada, seria o lombo, a lingüiça, a tubaína? Uma revolta interna. Algo não quer se conformar com todo isso, essa toalha de plástico furada por bitucas de cigarro, frontes reluzentes e sorrisos manchados com pedaços de feijão preto. Está vindo cada vez mais perto da minha garganta, chegando na boca, algo inesperado, um grito contido. Não poderia simplesmente explodir, sujar tudo com meu inconformismo mudo. Não naquele calor, não ali na padaria, não a feijoada, é o calor. Comecei a me sentir fraco, cansado de ouvir as pessoas decidindo meu final de semana. Não quero mais isso. Senti um gosto estranho na minha boca, palavra diferente. Preciso falar algo. Não posso deixar que comandem minha vida com a facilidade que levam o garfo com porco e farofa à boca. Não quero sumir como o gelo no copo sujo, metade cheio de tubaína. Eles precisam ouvir minha voz, minha vontade. Tomei coragem; mastiguei tudo o que tinha para mastigar, respirei fundo, abri a boca, articulei alguns sons, me olharam furtivamente, na expectativa expectorante do simples abrir a boca e o som surdo da voz. Agora é a minha chance, encarei as mulheres, o Chefe Coruja e o rapaz na ponta da mesa. Engoli seco e sorri. Como sempre, me faltam palavras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-3010849792131070833?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/3010849792131070833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=3010849792131070833&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3010849792131070833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3010849792131070833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/03/segunda-estacao.html' title='Segunda Estação'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-4617255741553686381</id><published>2009-03-13T07:23:00.002-03:00</published><updated>2009-03-13T07:25:43.410-03:00</updated><title type='text'>Primeira Estação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os domingos nos arredores das ruas cinzentas do MASP são agitados, infestados por barracas de madeira velha, cobertas por plástico azul, roxo ou índigo; nelas vende-se toda sorte de objetos inutilizáveis por senhoras de riso simpático, amarelado pelo cigarro. "A gente fuma para passar o tempo", dizem elas com seus sotaques indecifráveis, de mãe e avó. Mas se esquecem de que o tempo passa a todo instante, com ou sem cigarro, naturalmente pinta-lhe os dentes, os dedos, modifica a textura da pele, a voz, tira sempre um pouco mais do que deveria, com ou sem o cigarrinho de todo dia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passo por elas e por senhores barbados de cabelo branco, vendendo móbiles, vestindo camisetas com um rosto com feições dolorosamente messiânicas e boina de guerrilheiro, aproveitam toda oportunidade que tem para falar de umas idéias irreconhecíveis, tortas e mal lembradas de uns senhores chamados Trotski e Lênin. Falam delas com um sorriso estranho e brilho nos olhos estrábicos. Sussurram para si mesmos: um dia eles hão de encarnar nesse Brasil, encarnam sim. A bandeira do Brasil será vermelha como a cor da camisa do Che... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entro no parque Trianon pela entrada dos fundos, escondido do burburinho e dos vendedores de tabuletas indígenas. Não tem escapatória: aos domingos este recanto da paulista se torna o Embu das Artes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Caminho entre a sombra das árvores e o cheiro de ar puro que meu cérebro mal consegue identificar. Seguindo por esquerdas e direitas encontrei a estatua de Fauno, esculpida por Vitor Brecheret. Os braços longos tocando os próprios ombros, o olhar de pedra perfurando meus próprios olhos hipnotizou-me por um instante. Será que este lugar, este ponto em que milhões de pessoas pisam com suas solas sujas de chiclete e merda de poodle seria um dos pontos sagrados para receber a visita desse Deus da natureza. Se eu recebesse sua visita conseguiria escrever meu poema? Mas que peles sacrificaria, já que nada é de graça neste mundo: A minha? O Boris?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda em busca de algo inominado, deparei-me com a estátua de Aretuza. “Ela representa o que eu procuro: a fonte, a vida, a água”, pensei enquanto sentava num banco de cimento bem em frente a ela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Gostosa, né? – perguntou a voz rouca de um sujeito que parecia ter vívido toda sua existência entre essas árvores e que fumava guimbas de cigarro deixadas pelos cantos – tenho certeza, não sei porque, mas ele prefere as sujas de batom.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ignorei a pergunta que cheirava tresvario, tal qual seu hálito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Ei – desferiu um tapa no meu ombro – to falando contigo rapá!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhei-o assustado e meneei a cabeça negativamente: “não sei... não sei...” respondi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Essa dona me lembra a Maristela. Ah, Maristela, que saudades. Se lembra da Maristela, rapá?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Não-. Respondi, fingindo naturalidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Essa ae é mais gostosa que ela. Mas as duas são boas – abria a boca sem dentes enquanto encarava a estátua.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu olhava ao meu redor, tentando captar no ar a melhor hora para fugir e deixar esse homem sozinho com a estátua da deusa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe que a Maristela até brincava que era a reencarnação da Aretuza. Eu falava que não, ela tinha um fogo digno de Afrodite, isso sim. – ria uma risada rouca, monstruosa, retumbante. – Tem certeza que não lembra da Maristela?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Balancei a cabeça negativamente, impressionado com as palavras recém proferidas por aquele sujeito sujo e que tinha mais folha no corpo do que as árvores ao seu redor. Achei que delirava por uns instantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Hoje até que está tranqüilo por aqui. Vira e mexe tem aqueles bolivianos fedidos vendendo ervinha como se tivessem no país deles. Não suporto isso! Sempre que vejo um, já dou logo um apavoro. – me dizia aguardando aprovação, que eu fazia questão de prontamente garantir balançando a cabeça positivamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, meu chapa. A Maristela antes de partir de volta para o outro mundo – suspirou e ficou em silêncio por uns instantes, contendo lágrimas que insistiam em fazer seus olhos reluzir – Foi o domingo mais triste da minha vida. Sempre disse que morrer no domingo era sacanagem, mas ela queria me sacanear mesmo: bateu as botas num domingo, ao meio dia. É mole? Então, ela falava que queria flores em tudo quanto é canto, até o vestido que ela tava usando era florido. Ela adorava umas flores roxas, nem sei o nome. Engraçado como as mulheres gostam dessas coisas, mais do que sapatos. Enchi tudo de flores, joguei flor até no esgoto. Mais engraçado ainda é que na hora de dizer algumas palavras em homenagem a falecida não me veio. Nem um arroto. Só consegui recitar aquele poema do Basho. No tanque morto, o ruído de uma rã que mergulha. Sabe? Conhece esse? Aquele foi um domingo complicado – sorria encarando os olhos de concreto da Aretuza, que parecia sorrir para mim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei imóvel. Atônito. Não sabia se era apenas impressão, auto-sugestão ou qualquer baboseira desse tipo. Aquele morador da rua recitou Basho! Olhei para a figura esculpida a minha frente. Ela sorria para mim, do meu preconceito de classe média que julga pelo cheiro e quantidade de dentes que se tem na boca. Olho para onde estava o sujeito, um pouco envergonhado de mim mesmo e das palavras que não proferi. Ele não estava mais lá. Uma folha vermelha ocupava o seu lugar, exalando o mesmo cheiro de lixo que o homem exalava. Aretuza agora me encarava séria, impávida, tal qual a idéia inicial do artista. Acho que o parque do Trianon, nos domingos de primavera tem dessas coisas inexplicáveis. Continuei sentado no meu banco de concreto por mais algumas horas e voltei para casa com um sorriso idiota no rosto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-4617255741553686381?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/4617255741553686381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=4617255741553686381&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4617255741553686381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4617255741553686381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/03/primeira-estacao.html' title='Primeira Estação'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-3565125373969671934</id><published>2009-02-15T19:22:00.001-03:00</published><updated>2009-02-15T19:30:42.963-03:00</updated><title type='text'>Trevas da Luz - O Gato Perdido (PARTE 4)</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Olhei para trás de relance e Nana parecia não ter problemas em se manter no lugar. – Por que isso só está acontecendo agora?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não faço idéia – respondeu Ling fazendo uma curva muito acima da velocidade para esquerda, eu fui arremessado para direta e tive que me segurar nos apoios já que o volante ficava do outro lado. – Alguma idéia Nana? – olhou rapidamente pelo retrovisor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Olhei pelo canto do olho e a vi negar com a cabeça. Voltei para Ling novamente, agora em linha reta estava mais tranqüilo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Segunda coisa, então – comecei. – Aonde entra o gato nessa história?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Lembra do que conversamos ontem à tarde? – continuou antes que eu respondesse. – Um gato respeita seu dono, além disso, como qualquer outro animal ele é sensível aos sentimentos do dono. Assim que essa ligação é feita entre dono e animal, também é feita um laço mais profunda, espiritual se você preferir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Diante do semáforo vermelho, Ling fez uma pausa no que ia falar, olhou rapidamente a rua que cruzava o farol e, vendo que dava para passar, acelerou ainda mais o carro. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Quando a pessoa que tem essa ligação com o animal é alguém bondoso com ele, a reação é equivalente. Esse é o tipo de respeito e de proteção que falamos. Se você é gentil com um gato ele responder de mesma forma, assim que o laço é estabelecido – virou uma curva, me segurei e suspirei assim que vi uma avenida. – Minha suposição é de que o gato era muito bem cuidado por Nathalie, e depois do que aconteceu com ela, ele está honrando a bondade dela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Calma, calma, calma – disse atônito a encarando por um olho e com o outro na avenida. – Se isso acontecesse com todos os gatos do mundo...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não – cortou Ling. O canto se seus lábios levantando. – O forte sentimento de raiva que Nathalie sentia era sobre-humano, esse sentimento foi canalizado através da ligação dela com o gato e deu no que vimos. Tudo me leva a pensar que a ligação entre eles era muito forte – olhou pelo retrovisor para o Nana, depois se voltou para o asfalto. – Talvez ela tivesse algum tipo de sensibilidade como a Nana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Voltei para trás para Nana, seus olhos verdes e opacos bem abertos nos meus. A freada repentina do carro me jogou contra o pára-brisa, por sorte todos estávamos com cinto. Virei para frente, não havia como passar do semáforo vermelho, Ling foi obrigada a parar e soltou um palavrão em chinês que não reconheci. Me olhou pelo canto dos olhos, prestando parcialmente atenção ao semáforo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Isso acontece, é possível – completou percebendo que eu precisava de mais informações. – Como Nana disse, o gato é um animal que respeita seu dono e como sinal de respeito por Nathalie, ele resolveu vingar as mágoas dela da forma que sabia. Se os gatos realmente são guias das portas do mundo dos mortos, então não é de se espantar que ele trouxesse a morte daqueles que causaram a raiva no coração de sua dona.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Quando o semáforo abriu, ela esperou uma oportunidade de cortar a fileira de carro que se mantinham alinhados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E como você sabe que esse gato é realmente da Nathalie? – pensei mais um pouco e taquei outra pergunta. – E ele por um acaso está vivo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não sei – respondeu séria e concentrada no volante. Tinha voltado a correr. – Para ambas as perguntas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você podia ter perguntado para a mãe dela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Senti o carro diminuir um pouco a velocidade e Ling virou para mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ela foi morta – seu olhar duro. – Não sei se foi algum dos envolvidos, Anderson também não soube dizer, mas eu acredito que alguém estivesse com medo e mandou matá-la. Isso foi logo após a morte das garotas naquela festa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Então...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Antes que eu pudesse terminar Nana gritou do banco de trás.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ling! – eu me virei para vê-la e Ling a olhou pelo retrovisor. – A energia está na outra direção, para oeste – apontou pela janela, à esquerda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Merda! – dessa vez não foi chinês. – Ainda ta na casa deles.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Mudou de rumo repentinamente, os pneus do carro cantando sobre o asfalto deixando um rastro preto e esfumaçado. Se a rua não estivesse vazia e a habilidade de Ling no volante não fosse de mestre, com certeza seria um acidente muito feio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Com o coração preso na garganta e o suor da tensão ainda escorrendo virei para trás com os olhos bem fechados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E por que você não falou isso antes?! – reclamei colocando as mãos na cabeça. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;– Não sabia se a energia iria seguir, ela oscilou – disse atenta aos seus sentidos. – Sumiu e reapareceu no mesmo lugar, está mais intensa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Se ele é realmente quem planejou tudo, o gato de Nathalie deve ter guardado o melhor para o final – Ling falou de repente. – Espero não chegarmos tarde, se Nathalie sabia de toda a teia que se formou por trás do estupro dela, Alexander não vai ser o último.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nesse ponto ela podia estar certa, principalmente porque Nathalie devia te desconfiado já que simplesmente ignoravam as denuncias dela. Se o que me falaram era verdade e o gato tivesse absorvido toda essa energia de rancor, então começaria por aqueles que ela mais tinha raiva até todo o restante envolvido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Vão precisar de muitos caixões – murmurei para mim, mas Ling pode ouvir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Acelerou mais e me olhou, as ruas estavam vazias a maioria das pessoas deveria estar viajando por causa do fim de ano.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que disse?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Que vão precisar de muitos caixões.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você acha que não vamos conseguir impedi-lo? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que eu acho é que deveriam ficar a sua própria sorte depois do que fizeram – suspirei. – Mas isso não é o melhor a se fazer, não é?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não – respondeu friamente Ling. – As pessoas fazem o possível, na medida do possível e da forma que as circunstancias permitirem, tudo de acordo da maneira como pensam e cresceram...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ergui uma sobrancelha a encarando e ela me encarou de volta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Alguém me disse isso no passado – revelou voltando-se para a rua diante do pára-brisa. – Não se pode julgar as pessoas simplesmente por suas ações sem antes entender todas as raízes que há por trás delas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Dei uma risada leve e ela retribuiu com outra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sim mestra – disse zombeteiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Após uma freada brusca paramos em frente a mansão de Anderson.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Através do enorme portão de grades da entrada via-se uma pequena rua de alguns metros cercada por um jardim e na ponta oposta uma abertura que dava para a grande porta de madeira de quase três metros de altura. Era uma mansão moderna de três andares, sendo grande parte branca e com janelas panorâmicas que se erguiam do chão ao topo da casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Alguma coisa está errada – anunciou Ling olhando entra a grade. – Havia vários seguranças aqui – caminhou em paralelo ao portão e parou. – Masahiro, aqui!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Corri até onde estava e na clareira que se abria no extremo da rua de acesso a entrada da mansão, atrás de uma árvore havia um carro com as portas abertas, mas sem ninguém por perto. Aquilo não parecia bom.&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Toquei o interfone, acenei para as câmeras de vigilância da entrada e esperamos os segundos virarem minutos, e os minutos consumirem um cigarro meu e outro de Ling. Ninguém chamou a policia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Perdi a paciência – disse sacando a arma do coldre. – Afasta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Foram três tiros na fechadura do portão até que abrisse um buraco em seu lugar, com uma ombrada no centro onde as duas seções do portão se encontravam, uma delas se abriu e então corremos para dentro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O carro estava abandonado, passamos pela porta de entrada que estava apenas encostada, chegamos há uma sala grande por onde um pequeno lago cercado de mármore corria pelo chão sob uma placa de vidro. A claridade da tarde penetrava por todas as janelas projetadas para deixar que os raios de Sol entrassem por mais tempo. Gritei chamando por alguém, mas sem sucesso. Duas vezes, depois Ling e novamente eu. Nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Foi quando Nana sobressaltou-se.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Voltou! – exclamou se referindo a energia. – Ali! – apontou para o fundo da casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;No mesmo instante que ela falou ouvimos vários tiros seguidos de um grito que foi logo abafado como se estivesse se afogando. Corremos até a parte de trás da casa onde se encontrava a piscina relatada por Anderson. Era uma piscina retangular grande, um pouco menor que a largura da casa, ao fundo um jardim grande com algumas árvores e a esquerda da piscina uma área coberta com uma churrasqueira e mesas para festas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Saímos e paramos imediatamente assim que atravessamos a porta dos fundos, a cerca de quinze metros da piscina. Haviam corpos espalhados pelo chão torcidos de uma forma impossível, cada parte deles mergulhados em uma poça de sangue. Eram os seguranças. O último deles, o perpetuador dos tiros que ouvimos estava flutuando no ar, seu corpo torcido como os outros e por onde seus ossos saiam da carne, pequenas fontes de sangue desciam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Próximo a piscina de frente para ela e de costas para nós, um rapaz de pijamas e do seu lado esquerdo um senhor também torcido, mas diferentes dos seguranças ele não usava terno, apenas uma camiseta e uma calça comum. Devia ser Anderson.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Que energia é essa?! – Ling exclamou a minha esquerda. – É excruciante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Olhei para ela, além da cena grotesca que nem mesmo filmes de terror conseguiriam fazer igual, não sentia coisa alguma. Virei para Nana, seus olhos verdes bem abertos agora estavam brilhando com vida. Não tinha dúvidas, agora ela estava vendo tudo que acontecia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nana? – perguntei, não era a primeira vez que seus olhos ganhavam vida e nenhuma das vezes anteriores que aconteceu, indicou bom sinal.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– É muito poderoso – disse absorta naquilo que eu não podia ver. – Não é só um gato. Há milhares de espíritos surgindo ao seu redor, lamentam-se, sentem raiva. Masahiro... é como se os portões do mundo dos mortos estivessem abertos nesse lugar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Um calafrio percorreu minha espinha até minha nuca, o coração começou a bater em um ritmo acelerado. Ling confirmou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– É. Não posso ver, mas consigo sentir uma energia pesada, o cheiro fétido e esse ar pesado estão afetando meus sentidos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Mantive a arma em punho todo momento. Ah, que se dane, pensei caminhando no sentido do rapaz que estava de costas. Mal havia dado dois passos e ele pareceu perceber minha aproximação e se virou. Pensava que aqueles corpos já formavam um cenário terrível o suficiente, porém quando o rapaz se virou consegui ver que não tinha olhos e devido seus cabelos meio longos não tinha percebido que estava sem orelha até ver a lateral de seu rosto. Foi então que vi suas mãos cheias de sangue. Ele havia perfurado seus olhos e arrancado suas orelhas. Não precisava ser um gênio para reconhecer que era Alexander, ou o que havia sobrado dele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Travei no lugar quando vi aquilo, não pude me movimentar por alguns instantes, mas foram o suficiente para que ele se voltasse para a piscina lentamente, fez que ia cair e logo retomei meu controle e corri em sua direção.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ei! Garoto! Para! Para!!! – gritei enquanto corria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A menos de cinco passos dele senti um impacto contra meu peito e estomago tão fortes que fui arremessado para o lado, como se tivesse sido pego por uma explosão. No mesmo instante perdi a respiração e a visão embaçou. Em menos de um segundo o mundo ao meu redor ficou mudo e logo em seguida voltou abafado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Masahiro! – ouvi Ling e Nana gritarem ainda próximas a porta da casa, suas vozes pareciam atravessar uma espessa camada de vidro até chegar as minhas orelhas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Atordoado e recuperando a visão aos poucos me voltei para Alexander, mas já não estava mais lá. Levantei-me da maneira que pude pensando em correr atrás dele, mas fui parado pela voz de Nana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Masahiro!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Eu a ouvi mais uma vez e virei para vê-la ainda na porta, sua mão esquerda estendida na frente do corpo. Uma luz branca cruzou verticalmente por sua mão aberta e rapidamente a luz começou a se estender em forma de um arco; as luzes formando pontas nas extremidades como se fossem asas de cristal prateado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Do seu lado Ling pôs sua mão sobre a de Nana que segurava o arco de prata e pronunciou algumas palavras que não pude ouvir, logo uma flecha grande branca com entalhes dourados surgiu. Com um movimento de dedos da outra mão, Nana puxou a corda do arco que se materializou, a corda parecia com pequenas estrelas unidas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Toda a cena durou apenas alguns rápidos segundos. Por instinto dei dois passos para trás preparado para o que estava por vir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nana disparou a flecha na direção onde estava Alexander a beira da piscina, porém foi parada no ar e estilhaçada, uma explosão de luz e poeira luminosa se espalhou no ar, fui obrigado a proteger meus olhos com ambos os braços e quando eu os baixei a poeira se assentava, o gato e os espíritos em forma de tentáculos erguiam-se como escudo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ling! – exclamou Nana ao seu lado. – Os espíritos que seguem o gato o protegeram.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Tch... – encarou nervosa olhando para eles. – Eu sei, a energia se dissipou, agora consigo ver eles... as magias de luz não conseguem penetrar nesse tipo de trevas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Minha reação foi dar dois tiros em direção a muralha que os tentáculos formavam, porém atravessaram como tivessem passado por uma densa fumaça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Masahiro! – olhei pelo canto dos olhos, era Ling. – Armas mortais não afetam espíritos!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Suspirei e baixei a arma. Não havia maneira de ajudá-las. No mesmo instante o silêncio nos envolveu, nem o som do vento ou do movimento do gato, somente da minha respiração e um abafado bizarro como se todo o lugar tivesse virado uma sala a prova de som.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;No meio das trevas que havia nos cercado e a direita da piscina, uma luz azulada quase translúcida atravessou dando forma a uma garota. Olhei para as duas e elas também permaneciam imóveis diante do fantasma, pude ver o balbuciar de Ling e claramente entender: Nathalie.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Os tentáculos abaixaram até penetrarem pelo chão de mármore sobrando só o gato e Nathalie vestida apenas com um vestido de alça curta um pouco mais opaca que o resto de seu corpo, mas da mesma cor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Da piscina ergueu-se o corpo de Alexander que começou a tossir pela água respirada, estava fora de seu transe, seu corpo no ar a alguns centímetros acima da água, sendo alvejado pelo olhar furioso de Nathalie já na beirada da piscina.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Não sei quando e nem como, mas vi outra flecha do mesmo estilo anterior cortando o espaço na direção de Nathalie. O gato avançou para interceptá-lo e assim o fez, porém daquela vez a flecha foi absorvida antes de acertar o gato. Seus pelos se ergueram e seus olhos amarelos cintilaram de raiva. Percebia-se claramente que seu poder estava muito além daqueles espíritos que o cercava antes. Vendo que os ataques de Nana e Ling, não iriam surtir efeito, fiz a primeira coisa que me veio à cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nathalie! – gritei de alguns metros de distancia sem me aproximar. No mesmo instante ela lentamente virou seu olhar do corpo de Alexander que havia desmaiado para mim. – Você é tão bondosa assim a ponto de matar ele?!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Seu olhar se tornou ainda mais rancoroso, um brilho intenso por trás de seu corpo feito de luz azulada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Olha pra ele – disse apontando para Alexander. – Arrancou suas orelhas, furou seus próprios olhos com as próprias mãos. Fora os pesadelos que o levaram a fazer isso. Você não acha que matar ele é ter piedade? – dei dois passos em direção a borda da piscina. – Não acha que viver vai ser bem pior pra ele? Agora ele ta sozinho, sem pai, sem seguranças, sem família nem amigos... Morrer para ele vai ser o melhor que poderia acontecer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;É verdade que eu preferia todos mortos, mas naquele instante, naquele breve momento, queria que as coisas acabassem e que Nathalie descansasse tranqüila sem precisar se preocupar com o que havia deixado para trás. Dei mais um passo e estava muito próximo à beira da piscina, mais quatro, pensei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você também já causou pavor em todos os que estavam envolvidos no seu caso, já foram expostos... – seu olhar era intimidador, porém sentia que de alguma forma Nathalie estava ponderando minhas palavras – não acha que já é o suficiente? O medo, os problemas, o terror e ódio com que todos vão ter que viver?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Eu a vi sorrir, era um sorriso amável que uma mãe da ao bebe assim que nasce. Fechou tranquilamente os olhos para mim e virou-se para Alexander que ainda pairava a alguns centímetros acima da água da piscina, quando abriu os olhos eles incendiaram de rancor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Já estava próximo o suficiente da piscina e pulei. Não sabia se ia dar certo, mas precisava tentar fazer algo. Todo o tempo parecia ter reduzido de velocidade, meu salto em direção a Alexander foi lento, as batidas do meu coração subiram para as têmporas e eu as ouvia com um eco ensurdecedor. Uma batida, e estava me aproximando, duas batidas, estendendo as mãos, três batidas e as mãos quase estendidas. Mais alguns centímetros, ainda tive tempo de pensar quando senti mais um impacto sobre meu corpo, todos meus ossos e músculos se contorceram. Fui arremessado para o lado oposto da piscina caindo e rolando pelo chão até bater com as costas em um dos pilares que sustentavam a cobertura da churrasqueira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Sentado com os pés e braços largados, sem força para me movimentar permaneci olhando enquanto o corpo de Alexander, que parecia estar mais distante do que realmente estava, se contorcia em uma espiral até que todos seus ossos rasgassem sua pele, a água da piscina tingindo-se da cor do sangue. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Tentei levantar um braço sem sucesso, olhei para eles estendidos ao longo do corpo, pareciam tão distantes quanto minhas pernas. Quando voltei para ver o que havia restado do corpo de Alexander, vi uma ponta preta se aproximando rapidamente, uma lança sombria cortando o ar vindo em minha direção, tentei mais uma vez levantar os braços para tentar me proteger, mesmo que fosse em vão, mas nem isso consegui. Fechei os olhos esperando pela minha morte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Passaram-se alguns poucos segundos, e um clarão penetrou por minhas pálpebras, assim que o clarão se apagou abri os olhos. A lança de sombras havia se dissipado e fragmentos de luz pairavam do ar para o solo, virei para Nana que sorria soltando um suspiro de alivio, ela tinha conseguido interceptar a lança com uma de suas flechas. Ling corria em minha direção quando parou repentinamente, seus olhos arregalados e apontando para mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Pelo canto dos olhos a vi e me virei. Nathalie estava agachada na minha frente sorrindo, com a ponta dos dedos de uma mão acariciou gentilmente meu rosto, sua forma etérea era morna e transmitia uma calma aconchegante. Levantou-se mantendo seu sorriso olhando sempre para mim e, em um piscar dos olhos, desapareceu. O gato, já tranqüilo, virou-se fazendo pouco caso e partiu por entre as sombras que nos envolvia, enquanto as trevas o seguiram dando espaço para a luz alaranjada do final da tarde.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Os sons do vento acariciando as folhas das árvores e da grama reapareceram, pássaros cantavam na distancia, tudo parecia bem excetuando os corpos espalhados pelo chão e o de Alexander boiando na piscina de sangue. Não reparei quando Ling e Nana se aproximaram de mim estendendo seus braços oferecendo ajuda. Curiosamente me sentia melhor, como se todos meus ossos e órgãos que haviam sido deslocados pelos dois impactos tivessem voltado a seus respectivos lugares, pude me levantar sozinho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;“Nathalie,” pensei, não podendo deixar de soltar um sorriso.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-3565125373969671934?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/3565125373969671934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=3565125373969671934&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3565125373969671934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3565125373969671934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/02/trevas-da-luz-o-gato-perdido-parte-4.html' title='Trevas da Luz - O Gato Perdido (PARTE 4)'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-7034779820206927583</id><published>2009-02-08T21:05:00.000-02:00</published><updated>2009-02-08T21:16:32.981-02:00</updated><title type='text'>Trevas da Luz - O Gato Perdido (PARTE 3)</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Sentado na poltrona adjacente do sofá em que ela estava sentada, tomei um gole.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que foi? – perguntei. O chá gelado descia pela garganta despertando cada parte do meu corpo que ainda dormia. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não sei – respondeu um tanto transtornada. – Ling vai falar logo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Busquei um cigarro no maço em cima da mesa de centro e acendi, depois me levantei e abri a porta da sacada. Chovia continuamente, porém não era pesada a ponto de chamar de tempestade. O ar fresco e úmido entrou na sala retirando o ar abafado e quente que havia se formado, o telefone tocou logo em seguida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Acordei vocês? – mais uma vez reparando em seu erro disse logo em seguida. – Esquece. Estou a caminho do hospital.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que aconteceu – ergui uma sobrancelha, ouvia o barulho do cantar de pneus no asfalto e do barulho da chuva, abafados porém audíveis. – Você está bem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Estou, mas nove garotos do caso, não.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Hã? – ela conseguiu despertar a parte de mim que ainda insistia &lt;st1:personname productid="em dormir. Senti" st="on"&gt;em dormir. Senti&lt;/st1:personname&gt; o coração bater e a tensão aumentar. – Do que você ta falando?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nove garotos do caso acabam de cometer suicídio. Estou indo para o hospital em que foram levados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Como?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não sei todos os detalhes, mas chamou a atenção o suficiente dos investigadores para eles mesmos me ligarem. Também estão a caminho do hospital.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Não consegui falar. Tudo que consegui pensar foi em um grande: “que diabos?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Eu ligo para vocês assim que descobrir o que está acontecendo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Antes de desligar disse em uma voz sarcástica e baixa, porém audível.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Agora sabemos porque eles viram o gato...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;No mesmo instante que Nana ouviu o barulho do telefone voltando para o gancho perguntou:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que aconteceu?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nove das testemunhas cometeram suicídio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Me peguei perguntando se agora seriam vitimas. Após um momento de silêncio ela continuou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E onde está o último garoto?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Boa pergunta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Boa pergunta – não tinha reparado nos números até então. – Ling foi para o hospital onde eles foram levados. Disse que ligaria assim que tivesse noticias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;“Vamos esperar,” não precisei pensar, Nana havia falado antes. Tomamos banho, não que precisássemos já que não fazia nem três horas desde que tomamos banho e fomos dormir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Quando os primeiros raios de sol cruzavam o céu limpo e calmo após a chuva contínua da madrugada, olhei para o relógio de pulso que anunciava cinco e meia da manhã. A brisa fresca começou a ceder espaço ao vento abafado. Já havíamos nos trocado, Nana com uma calça jeans desbotada e uma camiseta regata que deixava a amostra uma parte da barriga, nada muito chamativo nem muito conservador a ponto de fazer passar calor. Eu já tinha o armário com roupas repetidas, calças esporte com vários bolsos, uma camisa de manga curta e a jaqueta de couro preta que tenho há anos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Tomamos o café-da-manhã logo após eu ter trazido o jornal da caixa de correio. Como era nosso costume: ficar em silêncio até que terminássemos e eu lavasse a louça. E também, como de costume, perguntei:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Algo de interessante no jornal hoje?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não e acho que você não conseguir ler o seu jornal hoje – disse com uma voz indiferente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Quando ia pegar o jornal em cima da mesa de centro o telefone tocou, desta vez não foi preciso dizer quem era. Até eu já sabia quem seria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Preciso de vocês aqui, agora – disse Ling logo que coloquei o telefone na orelha. – Estou esperando no meu escritório.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Desligou antes que eu pudesse falar qualquer coisa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Assim que passamos pela porta do escritório, fomos recebidos com ar fresco e barulho de motor. Ling tinha ligado o ar-condicionado e o ambiente estava tão agradável que fui hipnotizado até o sofá que ficava alguns passos de sua mesa de trabalho. Sentamos juntos, eu e Nana em um sofá, e no adjacente estava Ling com um cigarro aceso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que descobriu? – perguntei assim que me ajeitei. Ansioso em saber o que estava acontecendo, pulei a parte do “bom dia”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling deu um longo trago e permaneceu séria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Os nove garotos estão mortos, morreram pouco depois que eu cheguei no hospital – iniciou seu relato, seu tom inalterado. – Todos cortaram os pulsos e segundo seus pais falaram, praticamente todos no mesmo horário. O estranho é que permaneceram reservados a maior parte do tempo, é compreensível por causa do choque, mas... &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Suspirou, apertando o topo do nariz com o indicador e o polegar, parecia cansada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Falaram que os filhos estavam tendo ataques de histeria. Acordavam no meio da madrugada gritando por causa de pesadelos, às vezes quando tudo parecia tranqüilo eles começavam a chorar e se encolher – olhou para minha cara e respondeu minha pergunta antes que a fizesse. – Quando pedi por detalhes e que coisas gritavam, é ai que ficavam mais reservados. Falaram que eram coisas estranhas e incompreensíveis, mas era evidente que estavam mentindo. Também não quis forçar agora, já que estavam todos em choque.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E todos relataram as mesmas coisas? – perguntei após algum tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sim – respondeu indiferente. – As respostas foram combinadas até de mais. São muitas coincidências para ser uma coincidência.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Apenas assenti com a cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E quanto ao último? – perguntou Nana, sua voz penetrando no silêncio que havia nos envolvido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling levantou um canto da boca, mas logo voltou a ficar séria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Logo depois de pegar todas as informações que podia no hospital fui para a casa do último suspeito. Como as fichas estavam com vocês, eu tive que perguntar para os investigadores e, além de saberem onde era a casa do garoto, já haviam pensado o mesmo que eu, então fui junto com um investigador até a casa que morava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Acendi um cigarro e Ling acendeu seu segundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Fomos recebidos com automáticas e uma ameaça de processo acompanhada de tiros se a primeira não fosse o suficiente. Mesmo o investigador se identificando os seguranças não permitiram nossa entrada. Foi então que o pai do garoto apareceu na porta, estava com olheiras profundas e escuras, seu olhar parecia sem rumo e exaurido de todas as forças. Primeiro pensei que o havia acordado, mas ninguém fica daquele jeito por falta de sono.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Talvez estivesse doente – comentei levantando uma sobrancelha após um longo trago.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Foi o que pensei logo depois, mas descobri que estava errada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Huh?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Depois que o pai fez a mesma ameaça por trás de seus seguranças, o investigador foi buscar um mandato, mas você sabe melhor do que eu que o juiz não iria liberar tal coisa. Depois que o investigador foi embora deixei um cartão com o pai do garoto, não que eu tivesse muitas esperanças mas...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Cruzei as pernas mudando a posição que estava no sofá, assumindo uma posição mais ereta e mais confortável para minhas costas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ele ligou pra você – afirmei antes que ela terminasse sua pequena pausa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ela, porém, balançou a cabeça abrindo um pequeno sorriso de vitória, mas tão rápido quando venho, o sorriso partiu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ele veio pessoalmente até aqui... e estava chorando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Não pude deixar de fazer uma cara de surpresa e, olhando pelo canto do olho, percebi que Nana inclinara sua cabeça para o lado curiosa. Ling reparou na nossa mudança e apagou seu cigarro ainda pela metade, retirou outro do maço em cima da mesa de centro e acendeu. Sua expressão era vazia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling contou que assim que o pai do último garoto vivo entrou em seu escritório, passou bastante tempo sentado, hora chorando, hora em silêncio e logo as lágrimas voltavam a escorrer por seu rosto. Seu nome era Anderson, pai de Alexander. Finalmente depois de conseguir forças, ou talvez exatamente por falta delas, começou a falar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Anderson disse que todos os pais, de todos os envolvidos no caso da festa onde somente as garotas morreram, eram culpados por um crime que encobriram há muito tempo atrás, um encobrimento que foi discutido com cada um dos pais de cada filho e filha que estavam presentes no crime.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A garota se chamava Nathalie, ele já não se lembrava de seu nome completo. Ela havia ingressado no colégio como bolsista devido suas boas notas e um currículo exemplar. Coisas assim não costumam acontecer no Brasil, somente em algumas poucas exceções isso acontece, Nathalie era uma delas, chamou a atenção por um artigo em uma revista de noticias famosa aqui de São Paulo, nem eu, nem Ling ou Nana vimos essa matéria, porém a diretora do colégio sim e se interessou pela garota oferecendo uma bolsa completa para o colégio assim que ela terminasse o fundamental.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Isso aconteceu a menos de dois anos, foi no final do primeiro ano de colégio dela. Nathalie, apesar de suas notas, tinha problemas em se relacionar com outros alunos, isso até o final no primeiro semestre do primeiro ano. No segundo semestre seu histórico se revelara para os alunos, não se sabe como, mas acabaram descobrindo que o pai de Nathalie havia a abandonado e sua mãe se prostituído para pagar as contas e a educação da filha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;No inicio todos foram amigáveis, o grupo de doze garotas e dez garotos formava a típica panelinha de amizade que incluíram Nathalie nesse período. Anderson sabia que seu filho não era nenhum cidadão exemplar, mas também não podia imaginar que ele podia chegar tão longe ao ponto de fazer o que fez. Talvez nenhum pai poderia imaginar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Um dia em uma festa de final de ano, como a que aconteceu na que veio a se tornar a desgraça, convidaram Nathalie. A festa foi na casa de seu filho Alexander enquanto ele – o pai – viajava a negócios e sua esposa havia falecido quando Alexander ainda era criança, então além da empregada, do motorista e de dois seguranças, a casa estava livre para a festa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A casa dele tinha um grande quintal com mato, piscina e churrasqueira no fundo &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;que era cercado por enormes muros. Obviamente a festa começava a noite e iria durar até a madrugada, nada muito diferente das festas de jovens da mesma idade. Também não sejamos inocentes, havia muita bebida alcoólica ali.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Todos bêbados, exceto Nathalie que não bebia. Sob o efeito do álcool começaram a revelar o passado de Nathalie a ela, o que a fez estremecer. Não só isso; os garotos, que naquele instante nada tinham de garotos, revelaram suas intenções. Talvez por curiosidade e impulsionados pela embriaguez, consolidaram seu plano. Embeberam Nathalie e a estupraram, um a um, enquanto as outras assistiam com fervor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nathalie não se lembrava como saiu de lá, mas lembra-se da crueldade e da dor até que o efeito do álcool começasse a surtir efeito sobre seu corpo e sua mente, fazendo tudo ficar distante e dormente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Espera, estamos falando de garotos de quinze ou dezesseis anos – disse após o relato de Ling Wei. Fazendo as contas das idades. – Não acha que isso é bastante fantasioso?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling ergueu uma sobrancelha me olhando torto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Masahiro... em que época você vive? – coçou a cabeça. – Você é puritano?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Desta vez quem erguei a sobrancelha fui eu. Ling olhou para Nana com um ar travesso, porém ela permanecia imóvel, atenta a nossa conversa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Errr... – suspirei. – E a garota não fez nada?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Claro que fez – voltou-se para mim novamente séria. – Falou primeiro com a diretora do colégio. Talvez ela não quisesse envolver a mãe no assunto, não tenho certeza.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Quem você acha que avisou os pais de cada aluno e aluna que estavam envolvidos na acusação da Nathalie?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E eles? – a ficha caiu no momento em que fiz a pergunta. – Encobriram tudo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling assentiu. Meditei sobre o assunto um pouco, faltava uma coisa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E a diretora do colégio? Os pais deles a forçaram encobrir tudo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O olhar de Ling subitamente se tornou severo e frio. Senti uma onda de raiva e de anseio nele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Foi ela quem deu a idéia de encobrirem tudo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Com essa até Nana se surpreendeu em seu canto do sofá, mesmo sem brilho seus olhos pareceram perturbados. O barulho do ar condicionado ecoou pela sala quieta, enquanto Ling servia chá para todos e, ao se sentar, acendeu um cigarro aguardando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Isso não faz sentido – falei à medida que fui pensando. – O que a diretora ganha com isso?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling olhou pelo canto dos olhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você não percebe? – perguntou entre um trago e um gole do chá. – Que tipo de impacto teria para o colégio se anunciassem que um dos colégios mais bem conceituados de São Paulo e um dos mais caros, tem aluna de origem humilde que foi chamada para estudar lá, estuprada por alunos, filhos de homens e mulheres de grande influência. E ainda o que seria para seus pais se isso viesse a tona, alguns são juízes renomados, não só aqui como no Brasil inteiro – deu um trago. – Além dos donos de empresas multinacionais, tenho certeza que os jornalistas morreriam por uma noticia dessas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Suspirei pelo absurdo e mais outra vez pela indignação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Por que ela não levou o caso a policia? – na mesma hora me toquei. – Esquece... péssima idéia – pensei um instante. – Enquanto a mãe dela?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A única pessoa que sobraria para ela recorrer seria a mãe. Quando tudo falha, geralmente optamos pelo auxilio da família, exceto quando não temos... olhei para Nana quieta e atenta como sempre, voltei para Ling.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Claro que ela foi falar com a mãe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E então?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Um dos envolvidos subornou ela com uma quantia enorme de dinheiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E ela aceitou?! – exclamei mais surpreso do que indignado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling soltou um longo e pesado suspiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Masahiro... não podemos questionar muito bem a moral dela. Além de serem mais humildes, chantagearam ela. Disseram que a filha perderia a bolsa do colégio já que não seria algo muito bem visto pelas pessoas uma aluna ter uma mãe que se prostitui – cruzou os braços. – A mãe devia amar muito ela por se submeter a isso, ou talvez quisesse sofrer de alguma forma para compensar o que a filha sofreu. Em todo caso acredito que tenha feito isso pensando que estaria evitando o mesmo futuro que o seu para sua filha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Afundei no sofá apoiando a nuca no topo do encosto e vendo o teto com manchas de umidade e pedaços da tinta descascando, fechei os olhos e respirei fundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Então tudo isso foi por causa de imagem? – perguntei ainda de olhos fechados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Para maioria que vive no mundo de hoje a imagem é tudo – pronunciou em uma voz seca. – Vivemos por trás de mascaras criadas por nós, escondendo aquilo que negamos ser, escondendo quem somos. Estamos em um mundo onde se leva décadas para construir algo e apenas alguns segundos para destruir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Levantou-se e caminhou para as janelas atrás de sua mesa, olhou alguns instantes pela armação antiga de vidro sem se virar, eu por outro lado precisei colocar meu corpo de lado no sofá para vê-la. Ouvia ocasionalmente o som de um carro passar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Uma mascara para sociedade, uma mascara para família, uma mascara para esconder-se de si mesmo. Com o tempo essas pessoas perdem sua identidade e passam a viver em um mundo de imagens, de ilusões; e no caso de muitos, ilusões muito caras – baixou as persianas retalhando os raios de sol do inicio de tarde. – E quando o império treme, ou deveria dizer suas mascaras ficam próximas de caírem, preferem prejudicar outros a ter que abrir mão de sua imagem perante outros. De uma forma ou de outra não suportariam ver seu próprio reflexo diante de um espelho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E você acha que manteriam suas mascaras até com a morte de seus filhos? – perguntei erguendo uma sobrancelha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Tch – virou-se e voltou para onde estava sentada no sofá. – Precisam manter as aparências de família ideal, e mesmo quando tudo está ruim, preferem manter o sorriso no rosto e as informações controladas. – Olhou para sua xícara de chá vazia e fez uma careta. Buscou outro cigarro em seu maço e acendeu assim que o encontrou. – Seus filhos acabam se tornando um reflexo das aparências, achando que estão acima de qualquer coisa, quando na verdade são seus pais que acabam tendo que lidar com as sujeiras deles e no fim quem sai prejudicado são os que menos têm envolvimento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– ...Nathalie – murmurei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Exato – confirmou Ling com o cigarro aceso entre os lábios.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que aconteceu com ela?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Se matou – respondeu após soltar um trago.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;No mesmo momento um frio percorreu minha espinha e me inclinei em direção a ela, surpreso. Ela apenas assentiu com um aceno de cabeça e de olhos fechados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Cortou os pulsos durante a madrugada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ficamos em silêncio, mergulhado na penumbra dos raios de sol cortados pelas varas da persiana. O ar condicionado parou quando a temperatura atingiu a qual estava programado, deixando o silêncio mais mórbido e um zunido em nossos ouvidos. Lembranças de que uma vez o ar estava ligado e que logo seria esquecido, assim como acreditavam com o caso de Nathalie. Fechei os olhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E esse Alexander? – perguntei de repente, obedecendo a um reflexo da mente. Abri os olhos rapidamente. – Por que não cometeu suicídio?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling deu de ombros.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Anderson acredita que seu filho foi quem deu a idéia da festa e do que iriam fazer com Nathalie – virou-se para Nana e suspirou de boca bem aberta. – Talvez seja verdade, talvez o pior ainda esteja por acontecer...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Se for assim por que você não avisou ele? – perguntei atônito&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Avisei, disse que não iria trabalhar hoje, além disso parece que ele contratou mais seguranças – coçou a cabeça com a ponta dos dedos. – Acho que ele não iria aceitar muito tranqüilo se eu falasse que um gato invisível vem pra matar o filho dele...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ela tinha razão nesse ponto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Falando nisso – lembrei-me. – Duas coisas que eu não entendo. A primeira é porque agora? Se faz quase dois anos que isso aconteceu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nara e Ling se viraram para mim como se eu tivesse levantado um tópico inesperado. Nenhuma delas havia pensado nisso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O escritório começava a esquentar novamente, algumas gotas de suor começavam a brotar da minha testa. Olhei em volta procurando pelo controle do ar condicionado, já que as duas pareciam procurar respostas para o problema inesperado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Entretido na busca por baixo de uma pilha de papéis sobre a mesa de centro, Nana levantou bruscamente a cabeça, chamando a minha atenção e a de Ling.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Uma energia muito forte atravessou o nosso plano.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Arregalei os olhos franzindo a testa e olhando para Ling. Um grande ponto de interrogação em minha cara. Quando Ling ia dizer algo o telefone sobre sua mesa tocou. Levantando-se de um salto ela foi atender.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Alo? O que?! Quando?! Estou indo pra lá agora!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Desligou o telefone em uma batida, pegou sua bolsa e falou enquanto corria para porta:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O Alexander tentou se matar. Estão levando ele para o hospital agora – pegou a chave o carro sobre uma pilha de livros próxima a porta. – Mexam-se!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nos levantamos em um salto seguindo Ling para fora do escritório apressados até o estacionamento.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-7034779820206927583?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/7034779820206927583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=7034779820206927583&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/7034779820206927583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/7034779820206927583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/02/trevas-da-luz-o-gato-perdido-parte-3.html' title='Trevas da Luz - O Gato Perdido (PARTE 3)'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-3729293365413400081</id><published>2009-02-05T21:51:00.003-02:00</published><updated>2009-02-06T22:18:38.273-02:00</updated><title type='text'>Andross Editora</title><content type='html'>Para todos aqueles que não sabem, a editora Andross é uma editora que seleciona contos, poemas, cronicas e afins para publicar em antologias, afim de promover o nome de novos autores.&lt;br /&gt;Esse ano a editora vai lançar vários livros dos quais qualquer um pode participar enviando seus contos, poemas e afins.&lt;br /&gt;Aqui vai o release:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANDROSS EDITORA SELECIONA TEXTOS DE NOVOS AUTORES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Andross Editora está organizando sete antologias a serem publicadas ainda em 2009. Escritores interessados em participar da seleção já podem enviar seus textos. São vários gêneros literários (poemas, contos, crônicas e microcontos) de temáticas diferentes - de humor a suspense.&lt;br /&gt;Podem participar autores iniciantes ou com obras já publicadas. O regulamento e instruções para envio dos textos estão disponíveis no website da editora: www.andross.com.br.&lt;br /&gt;Veja a lista dos lançamentos da Andross Editora para este ano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 1.      Palavras Veladas – Antologia de poemas&lt;br /&gt; 2.      Risos de Papel – Contos e crônicas de humor&lt;br /&gt; 3.      Dias Contados – Contos sobre o fim do mundo&lt;br /&gt; 4.      Dimensões.Br – Contos de literatura fantástica no brasil&lt;br /&gt; 5.      Histórias Liliputianas – Antologia de microcontos&lt;br /&gt; 6.      Marcas na Parede – Contos sobrenaturais, de suspense e de terror&lt;br /&gt; 7.      2054 – Contos futuristas (histórias que se passem no ano de 2054)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a Andross&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com quatro anos de mercado e mais de 33 títulos publicados, a Andross Editora iniciou as atividades com obras acadêmicas, cresceu e se manteve no mercado graças a um modelo de negócio diferenciado: a publicação de antologias. Por este sistema, a editora já publicou mais de 780 autores de 13 a 68 anos, do ensino médio ao doutorado, amadores e profissionais. Alguns dos que estrearam nas antologias da Andross hoje têm obras publicadas individualmente por outras editoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para quem não sabe. Eu tenho um conto no livro de antologia chamado "Entrelinhas". O nome do conto chama "Dia dos Namorados".&lt;br /&gt;Quem quiser pode comprar pela livraria cultura no site deles:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2477460&amp;amp;sid=2018304011125408032904153&amp;amp;k5=144B22A7&amp;amp;uid="&gt; Link Aqui &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-3729293365413400081?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/3729293365413400081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=3729293365413400081&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3729293365413400081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3729293365413400081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/02/andross-editora.html' title='Andross Editora'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-6449959289541221176</id><published>2009-02-01T22:25:00.001-02:00</published><updated>2009-02-01T22:31:16.756-02:00</updated><title type='text'>Trevas da Luz - O Gato Perdido (PARTE 2)</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5Cusuario%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:usefelayout/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-alt:"ＭＳ 明朝"; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;} @font-face 	{font-family:"\@MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"MS Mincho";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Já era final da tarde quando entramos no apartamento. Nana começou a preparar o jantar com sua destreza sobrenatural enquanto eu sentei-me no sofá e vi as fichas de cada pessoa que estava na festa, sem saber exatamente o que procurava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Abrindo elas aleatoriamente percebi que todos tinham a mesma faixa de idade, de dezesseis a dezoito anos, filhos ou filhas de pessoas da alta classe social, como advogados, juízes, presidentes, donos de negócios e coisas do gênero que abrangiam São Paulo e às vezes por todo território brasileiro, tinham até os de gênero internacional.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Pelas fichas terem sido feitas em cima do caso, muitas informações foram vagas e outras até reservadas. Por exemplo, um pai que é dono de um negócio multinacional, não mencionava nome da empresa ou que tipo de negocio era. Pensava haver algum padrão do tipo que a informação foi reservada somente pelos pais das garotas que morreram, porém isso se mostrou falso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O cheiro da comida saía da cozinha e enchia a sala onde estava que era adjacente a ela. De todas as coisas, por mais trivial que pareça, o que mais me surpreendia sempre em Nana era sua habilidade na cozinha. Não me surpreendia quando ela sabia algo que eu estava pensando, ou eu alguém estivesse por vir, nem mesmo quando respondia alguma pergunta antes dela ser feita; mas quando se tratava do que ela fazia para comer, não conseguia deixar de me espantar com tamanha aptidão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Deitei no sofá olhando para a mesa onde fazíamos as refeições, encostada na parede que dividia a cozinha da sala. Uma pilha de cadernos e livros em um canto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Cadernos e livros. Tive um estalo e imediatamente liguei para o escritório da Ling. Após algumas chamadas caiu na secretária. Em seguida liguei par o celular que ela o atendeu quase de imediato.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ling Wei – anunciou ao atender.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Masahiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Oho – não pareceu tão surpresa em saber que era eu. – O que quer?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– A escola em que eles estudavam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Huh?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ninguém falou em que escola eles estudavam, todos eles – afirmei passando o olho pelas fichas abertas sobre a mesinha de centro. – Muitas informações também ficaram bastante obscuras aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Houve uma pausa de alguns segundos do outro lado da linha, durante o silêncio pude ouvir alguns telefones tocarem e o murmúrio de várias pessoas. “Onde ela estará,” fiquei pensando nesse intervalo de tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Hummm... – começou depois de concluir sua reflexão. – Não é de se surpreender que, quem quer que fosse o responsável por preencher a ficha das testemunhas e vitimas, tivesse que omitir algumas coisas. Muitos têm medo de sua segurança, principalmente depois de ter a filha, ou amiga do filho, mortas em uma festa em um condomínio bastante seguro... – mais um momento de silêncio. – Pode ser que você tenha achado algo interessante. Por sorte estou com os investigadores aqui, vou ver com eles e já te informo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Desligou antes que eu pudesse agradecer ou fazer qualquer comentário.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nana serviu a janta e eu transitei do sofá para a cadeira na mesa de jantar, a mesma que estava antes de fazer a ligação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que você acha? – perguntei para ela entre uma garfada e outra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ela levantou a cabeça e seu olhou direto em meus olhos, seus olhos verdes esmeraldas eram lindos, porém sem brilho ou profundidade que indicava qualquer sinal de visão. Não eram brancos ao contrário do que a maioria poderia pensar, o que deixava que ela andasse sem óculos escuros.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você está preocupado comigo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sim... digo... Eu prometi que iria ajudar você...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Balançou a cabeça com um sorriso, pousou seu garfo e faca no prato, e depois colocou seus braços por baixo da mesa. Era seu costume de quando conversava com alguém, manter essa postura ereta com as mãos juntas sobre as coxas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E você está me ajudando – disse com uma voz tranqüila e amável. – Mesmo agora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Mas esse caso...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Balançou a cabeça mais uma vez me interrompendo, um sorriso se formou em seus lábios finos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Eu não me sentiria confortável em ver você deixar de ajudar os outros por minha causa, especialmente Ling Wei que nos ajudou tanto desde que nos conhecemos – colocou uma mecha de seus longos cabelos castanhos e lisos atrás da orelha. – E eu também acho que a cada passo que damos juntos, nós três, sinto estar um pouco mais perto de descobrir os responsáveis pela morte das pessoas do meu clã.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Soltei um suspiro e não pude deixar de sorrir para a força e a tranqüilidade que ela conseguia assumir, mesmo se tratando de seu passado violento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Continuamos a jantar em silêncio enquanto do lado de fora, pela porta da sacada que permanecia aberta, os últimos raios de sol formavam uma penumbra dentro da sala dando um ar melancólico e nostálgico enquanto a olhava entre uma garfada e outra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Masahiro... – disse olhando para mim. – Obrigada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Me espantei mas de imediato sorri.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Hum.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O telefone tocou logo após a janta enquanto Nara retirava os pratos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– É Ling – disse ela enquanto se levantava com os pratos e copos sobre eles.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Levantei-me e atendi o telefone.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Novidades? – perguntei logo após colocar o fone na orelha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E como sabia que era eu? – respondeu com uma outra pergunta e logo completou. – Ah! Deixa pra lá... hihihi.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Pelo som abafado que fazia deduzi que ela já estava em seu escritório. Algo que não sabia sobe Ling era onde ela morava, sabia onde ficava seu escritório assim como sabia que dormia às vezes lá. Como se soubesse meus pensamentos ela continuou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Estou no escritório agora e gostaria que vocês dessem uma passada aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Estamos a caminho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Quando ia desligar ouvi uma exclamação do outro lado da linha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ah! E podem me trazer alguma coisa para jantar? Ainda não jantei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Erm... – e essa era a Ling, de um lado fria e séria, de outro cabeça-de-vento e animada. – Claro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Coloquei o telefone no gancho e assim que me virei para a porta da cozinha Nana saiu com dois potes nas mãos sorrindo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Suspirei e sorri também.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Vamos para o escritório – disse indo pegar minhas coisas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nuvens escuras começaram a cobrir o céu de verão, uma fina garoa ameaçava se tornar uma forte tempestade assim que os brilhos de raios começavam a percorrer pelo céu. Pelo menos o tempo tinha esfriado um pouco e a jaqueta sobre o coldre de ombro não incomodava tanto quanto havia me incomodado durante a tarde de calor escaldante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O escritório de Ling ficava em uma das quadras obscuras da avenida paulista. Ela havia comprado um pequeno prédio de três andares, tão velho que parecia estar presente desde a formação da região. O acesso ao prédio era feito por uma porta pequena e estreita ao lado de um bar sobre o qual os três andares superiores se sustentavam. Ling também havia comprado o bar e feito dele um estacionamento para seu carro que deveria ter custado mais que o prédio inteiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Subimos as escadas mal iluminadas até o primeiro andar onde ficava o escritório bagunçado e abarrotado de papeis, livros, pergaminhos e outras relíquias pelas quais um colecionador ou curador de um museu cortaria seus pulsos para tê-los.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Oh! – exclamou assim que nos viu passar pela porta. – Jantar da Nana! Eu fui abençoada! – disse excitada ao ver os potes que eu carregava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Após arranjar um milagroso espaço sobre sua mesa completamente bagunçada e abrir os potes sentindo a fragrância ainda quente do jantar de Nana, prosseguiu com aparência séria:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Masahiro – começou levantando levemente o canto da boca, travessa – você realmente encontrou algo muito interessante aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Não pronunciei palavra alguma esperando que ela continuasse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O colégio que eles estudavam realmente é o mesmo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E os investigadores não notaram isso? – perguntei atônito, era algo bastante óbvio de se ver.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Notaram. No entanto pelo que me informaram, o próprio colégio barrou as investigações deles – revelou dando uma garfada. – É claro que eles não deixaram passar e exigiram que o colégio desse as informações, mas além da reitoria do colégio, seus superiores mesmos proibiram qualquer um envolvido no caso de envolver o colégio no meio – Nana serviu chá para Ling e sentou-se do meu lado da mesa. Ela conhecia o escritório quase tão bem quanto conhecia nosso apartamento. – Obrigada – voltou-se para mim. – É claro que os investigadores ficaram indignados, além de todas as vitimas e suspeitos serem alunos do mesmo colégio, as informações que eles queriam não era de forma alguma confidencial.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E fizeram alguma coisa? – perguntei cruzando as pernas e acendendo um cigarro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Claro, tentaram encontrar outros meios de conseguir a informação, até que um os investigadores foi afastado do caso. Logo os outros pararam e seguiram outro caminho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Que caminho? – questionei mais por minha curiosidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– De que eles agora estavam literalmente sem nada e sem poder avançar por pressão de superiores. Do outro lado sofriam pressões dos pais para que prosseguissem com a investigação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Isso é estranho... – murmurei. Então tive um estalo. – Os pais de algumas das vitimas e dos suspeitos eram juízes. Eles não chegaram a interferir?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Pelo contrário, Masahiro. Eles mesmos insistiram para que não envolvessem o colégio na investigação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Mas... por quê?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling suspirou dando sua ultima garfada e ela mesma acendendo um cigarro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ninguém sabe o motivo – e após um trago. – Como você disse: estranho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ninguém falou por algum tempo. Não era algo somente estranho, era também completamente conflitante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– No entanto... – Ling rompeu o silêncio com certa alegria em sua voz. – É de mim que estamos falando! – um sorriso misterioso se formou. – Conversei com algumas dessas pessoas que deram a ordem de que não deveriam envolver o colégio no meio dessa investigação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Assim como no café em que estivemos à tarde, quase cai da cadeira. Vi ela sorrir, para minha felicidade estava escondendo algo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Por mais que insistisse, não queriam passar qualquer informação, chegaram até a me ameaçar de processo e prisão por me envolver em assunto policial sem autorização – deu de ombros. – Mas de uma coisa é certa: todos com quem comentei sobre o colégio ficaram bastante desconfortáveis.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O colégio é suspeito então – minha voz ficou entre uma pergunta e afirmação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não sei – respondeu com um sorriso largo apagando seu cigarro em um cinzeiro abarrotado de pontas. – E é ai que vocês dois entram.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Olhei para Nana, ela ficou apenas em silêncio esperando o que estava por vir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Segundo os investigadores, nenhum dos responsáveis pelo colégio liberou informações. Pra mim todos os lados estão com medo de alguma coisa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Medo? De que?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não faço idéia – olhou para Nana que pareceu perceber e acenar negativamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Cocei a cabeça, se nem ela sabia... olhei o cigarro que queimara até o filtro. Acendi outro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E o que você quer com nós?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nós três na realidade – disse. – Quero saber o que tem naquele colégio e tudo que eles têm sobre os alunos envolvidos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Continuei ouvindo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Vou arranjar a papelada necessária para conseguirmos entrar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Lembrei de uma coisa... – falei antes que ela prosseguisse. – Que tipo de colégio estamos falando?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ah! É verdade, vocês não sabem – cruzou os braços encostando-se a sua cadeira de escritório. – É um colégio dos mais caros de São Paulo onde só a elite entra. Não apenas isso, mas o nível de ensino é bastante alto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Tudo bem... e precisamos da papelada por que?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Seremos um casal vindo da Europa com uma importadora em extrema ascensão e queremos que nossa filha Nana estude lá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;A isso até Nana franziu a testa ao meu lado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Com certeza a diretora vai querer confirmar nosso histórico, então vou dar um jeito nisso. Pode deixar – disse com convicção. – Só vou precisar de alguns dias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Erm... – cocei a cabeça. Aquilo parecia um exagero de espionagem. – Por que não falamos com os dez sobreviventes? – ainda com a mão na cabeça a olhei transtornado pela idéia. – É menos invasivo – complementei o pensamento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Desta vez foi Ling quem coçou a cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Vai ser difícil se aproximar deles. Além dos seguranças, até mesmo a polícia deixou de interrogar eles.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Por quê? Se eles não falam com os sobreviventes, que caso a policia tem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Exato – disse em um estalo. – Os investigadores praticamente desistiram, não sabem mais o que fazer. A comoção ficou entre os superiores da investigação, mas é como eu disse... esses não querem falar coisa alguma.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Que complicação – murmurei massageando as têmporas. – Podemos tentar enquanto você consegue os documentos para entrarmos no colégio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ela pensou por um instante, mas foi Nana que disse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– No entanto se conseguirmos falar com eles e depois visitarmos o colégio, pode ser arriscado que alguém nos reconheça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E com certeza o pessoal do colégio e todos que estão envolvidos no que quer que seja já devem estar mais alertas com todas as perguntas que andei fazendo – completou Ling concordando com acenos de cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nana tinha razão. “Mas poderemos fazer isso depois se não descobrirmos nada no colégio.” Foi o que eu não disse, supostamente todos automaticamente pensaram nessa segunda possibilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling agradeceu o jantar e disse que passaria a noite no escritório arranjando as coisas para a nossa pequena espionagem. A chuva começava a cair quando saímos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-6449959289541221176?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/6449959289541221176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=6449959289541221176&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/6449959289541221176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/6449959289541221176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/02/trevas-da-luz-o-gato-perdido-parte-2.html' title='Trevas da Luz - O Gato Perdido (PARTE 2)'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-8276245225389999974</id><published>2009-01-26T00:06:00.001-02:00</published><updated>2009-01-26T00:08:36.356-02:00</updated><title type='text'>Pequeno</title><content type='html'>Essa noite, pela terceira vez tive o mesmo sonho: o céu estava negro, coberto por nuvens tingidas de diferentes tons cinza que não me faziam sentir nem um pouco confortável por tê-las sob minha cabeça. Algumas gotas de chuva tingiam o chão e molhavam meus cabelos. Não ouvia a voz do vento. Seguia em frente pela rua que se esqueceram de nomear e me preparei para descer a mesma ladeira da Rua General Chagas Santos, que desço todos os dias.&lt;br /&gt;Nenhuma lâmpada emanava um fio de luz sequer, o negrume do céu fazia eu me sentir como se estivesse caminhando de olhos fechados. Meus passos eram vagarosos e firmes; tinha medo de escorregar e rolar até que algum muro me segurasse em seus braços, já inconsciente. No primeiro cruzamento com a Rua Estero Belaco nenhum carro passou, nem os cachorros da casa nº 306 latiram, como fazem habitualmente ao sentir minha presença.&lt;br /&gt;A chuva apertava. Comecei a ouvir o sussurro do vento, zunia em meus ouvidos. Cruzei os braços, colocando as mãos sobre as axilas para esquentá-las e não me sentir tão sozinho. O ar estava seco e parecia escasso. Apertei o passo para chegar logo à minha casa. Respirava pela boca. Por alguma razão meu corpo estava quente e conforme expirava uma pequena cortina de fumaça surgia na minha frente.&lt;br /&gt;Alguns metros da minha casa, uma lâmpada, de um único poste de luz, começou a piscar; clareando um pouco o caminho que restava. Olhei para luz e notei que ela iluminou um gigante de concreto, de 20 andares, que me observava e provavelmente me acompanhou durante toda a descida.&lt;br /&gt;Era um edifício cuja construção fora paralisada por conta da crise imobiliária que assolou o país no ano de 2010. Antigamente o edifício simbolizou a promessa de um futuro melhor para algumas famílias que, mas agora é apenas um bloco esquelético e imenso de concreto protegido por infindáveis pedaços de pano que o cobrem como se fossem um véu.&lt;br /&gt;Enquanto o encarava, o vento erguia os trapos que o cobriam, como se o noivo erguesse o véu para beijar a noiva. Senti pena de tudo que ele poderia ter sido com a sua construção. Agora não resta nada senão o vazio.&lt;br /&gt;Subitamente, um estrondo ensurdece meus ouvidos e um raio atinge algo atrás do gigante, sua expressão se modificou. O vento soprava mais forte. O que antes parecia um véu agora se movia com violência, eram braços que se esforçavam para me atingir. Foi como se ele soubesse que eu o observava com algum sentimento próximo à pena e decidiu me punir por isso. Um novo estrondo fez com que eu começasse a correr.&lt;br /&gt;Quando cheguei ao portão de minha casa, minhas mãos tremiam tanto que não conseguia encontrar a chave para abri-lo. Olhei para trás e o gigante me encarava com olhos demoníacos, jurando vingança. Nesse instante eu acordo.&lt;br /&gt;Meu coração está disparado e minhas têmporas estão úmidas. Tenho medo de abrir minha janela, pois sei que aquele monstro está lá fora, olhando para mim, esperando que eu abra minha janela e o encare.&lt;br /&gt;Não importa a vida que corra pelas minhas veias, a alma que recheia esse corpo, sou pequeno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-8276245225389999974?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/8276245225389999974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=8276245225389999974&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/8276245225389999974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/8276245225389999974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/01/pequeno.html' title='Pequeno'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-2088399818722568052</id><published>2009-01-25T11:45:00.004-02:00</published><updated>2009-01-26T17:16:43.018-02:00</updated><title type='text'>Trevas da Luz - O Gato Perdido (PARTE 1)</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Estávamos no inicio de um verão quente e insuportável, já sentia minhas costas suadas e minha camisa encharcada grudando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Até o gosto do cigarro muda – murmurei para mim mesmo, mas ela pareceu ouvir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Por quê? – perguntou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nana, apesar de cega, aparentava ver tão bem quanto qualquer um. Nunca precisou de mais do que uma ajudazinha quando caminhávamos e sua precisão tanto na cozinha quanto nas ruas era impressionante. Além disso, Nana tinha um dom sobrenatural, sabia, sentia, ouvia e literalmente enxergava coisas impossíveis para as pessoas normais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não sei, mas acredito que seja o calor – respondi sem me virar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ela se aproximou da porta de correr da sacada e a abriu deixando o ar abafado penetrar por toda a sala. Sai de perto da janela e fui a acompanhar lá fora com cinzeiro em uma mão e o cigarro na outra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Já estamos no verão, não? – foi uma pergunta retórica que ela fez ao me aproximar do parapeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sim – respondi. – E parece que esse ano vai ser mais quente que o anterior.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nada disse, fez apenas um leve aceno de cabeça e continuou dispersa, seus olhos que não podiam ver – pelo menos não como nós vemos – focado a sua frente, além do horizonte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Que horas são? – perguntou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Uma das poucas coisas das quais ela pedia minha ajuda: informar as horas. Não que ela precisasse, já que havia relógios que anunciavam as horas por som espalhados pela casa, mas isso havia se tornado uma espécie de habito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Onze horas – respondi olhando para meu relógio de pulso. – O que vai querer para o almoço? – perguntei casualmente lembrando que seria a minha vez de preparar o almoço e como cozinheiro eu simplesmente não prestava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Daqui a pouco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Esperei que terminasse sem sucesso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que, “daqui a pouco”? – indaguei virando-me para ela que ainda mantinha o olhar no horizonte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Hoje alguém vai nos levar para almoçar – respondeu indiferente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Hum – dei um trago e apaguei o cigarro no cinzeiro. – Entendi... que horas?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Acho que meio dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Temos tempo até lá – afirmei olhando mais uma vez no relógio. – Quer que eu leia o jornal para você?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não tem nada de interessante hoje respondeu voltando para dentro, deixando a porta da sacada aberta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Estava acostumado a rotina. Morávamos apenas eu e ela no apartamento. Todos os dias ela preparava o café-da-manhã, parecia não ter problemas de acordar cedo como eu tinha, e então conversávamos um pouco ou assistíamos TV, na verdade eu assistia e ela ouvia. Quando tudo isso terminava, eu pegava o jornal do dia e lia. Nos dias que havia alguma coisa interessante ela pedia para que eu lesse, nos dias que nada a interessava, ela simplesmente permanecia sentada no sofá em silêncio até que eu terminasse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nunca errava. Quando Nana falava que nada havia de interessante no jornal, realmente não havia, e quando havia, geralmente eu encontrava sem problemas. Apesar dela saber essas coisas, ela não sabia exatamente o que era interessante, apenas sabia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Óbvio que ela não estava errada, após folhear o jornal nada me chamou a atenção. Desastres naturais, queda na bolsa de valores, empresários cometendo suicídio, a vitória de um doente de câncer – provavelmente alguém famoso, – nada de mais nos esportes, não me interessava por nenhum deles. Nada de crimes bizarros, nada de relatos estranhos ou alguma desordem no sentido natural da sociedade caótica e corrompida em que vivemos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Sentei na cadeira da sacada e acendi outro cigarro, dentro da sala, próxima a porta da sacada, Nana estava sentada no sofá, pernas unidas e mãos juntas sobre as coxas em profunda meditação, como geralmente ficava a maior parte do tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 45pt;"&gt;Assim ficamos até que o interfone tocou. Olhei para o relógio e suspirei sorrindo para Nana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– O que foi? – perguntou ela sorrindo de volta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Peguei o interfone e do outro lado o porteiro gaguejava e sua voz parecia sair de uma boca abobada ou dormente. Já sabia quem ele iria anunciar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– S-s-senhor Masahiro? – perguntou. Consegui imaginar o suor escorrendo de sua testa e o sorriso abobalhado nos lábios que não permitia que falasse com clareza. – U-u-uma pessoa veio...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Pode deixar subir – interrompi.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– S-s-sim senhor – ouvi o clique dele desligando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Suspirei e retornei a sala onde Nana estava na mesma posição em que estava antes. Virou-se para mim sorrindo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ling está subindo? – perguntou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sim – respondi soltando outro suspiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Como Nana sabia quem era? Nem eu mesmo sei. É um tipo de coisa que você se acostuma quando tem uma parceira com uma sensibilidade sobrenatural. No começo você fica surpreso e espantado com tudo, com o tempo passa a aceitar e fazer perguntas e por fim, quando as perguntas não ficam respondidas ou não compreende as respostas, você simplesmente convive.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Por outro lado, eu sabia que era Ling Wei, pela maneira como o porteiro falou comigo. Ling era uma mulher que poderia ser A &lt;i style=""&gt;top model&lt;/i&gt; de toda a Ásia e digo isso humildemente. Não era tão alta, porém seu corpo era extremamente bem formado e definido, seus seios eram médios, porém perfeitos – e não são minhas palavras – e seu rosto parecia de criança, porém transmitia um ar de maturidade e seu olhar sério deixava qualquer um ao mesmo tempo assustado e apaixonado, somado a tudo, seus cabelos longos lisos eram escuros como seus olhos e brilhavam como as estrelas. O maior problema era quando ela sorria, qualquer homem não preparado ou com dúvidas em sua fidelidade matrimonial, sucumbiria facilmente àquele sorriso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Está aberto – anunciou Nana ainda sentada no sofá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling abriu a porta sorrindo. Quase nunca sorria para as pessoas, mas quando me via junto com Nana seu humor e temperamento mudavam tão rápido quanto o vento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Olá a todos! – exclamou encostando a porta a suas costas. – Já almoçaram?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Olhei para ela levantando uma sobrancelha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ah, desculpe. Nana já devia saber da minha chegada – disse aproximando-se de nós. Eu estava sentado na cadeira da sacada. – Vamos almoçar?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sobre trabalho? – perguntei me levantando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sempre – respondeu levianamente Ling.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Peguei o meu coldre de ombro e o coloquei, chequei a pistola e a munição no pente. Recoloquei o pente e destravei a pistola colocando-a de volta no coldre. Maldito calor, pensei vestindo minha jaqueta por cima da camisa. Era preciso, não gostaria de ter de explicar o que um civil armado estaria fazendo perambulando nas ruas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nana levantou-se e fomos para o restaurante.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E sobre o que é o trabalho? – perguntei logo depois que fizemos nossos pedidos ao garçom.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;O restaurante não era nada de mais, uma pequena casa que servia comida caseira de variados tipos, todos comuns ao paladar brasileiro. Além de nós não haviam outros clientes, o que nos deixou escolher o lugar. Sentamos em uma mesa ao fundo próxima a parede e ao ventilador. Olhei no relógio e eram meio dia e meia, ainda um pouco cedo para o horário que normalmente os restaurantes enchiam nas áreas comerciais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sobre um gato perdido – revelou olhando fixamente para mim do lado oposto da mesa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Tch – peguei o maço de cigarros do bolso da jaqueta e tirei um. Sentada ao meu lado, Nana ergueu seu braço e colocou a mão sobre a que eu segurava o cigarro. Olhei-a pelo canto dos olhos e ela negou com a cabeça apontando com a outra mão uma placa de proibido fumar. Suspirei e guardei o cigarro no maço e este de volta na jaqueta. – Pensava que você só pegasse casos estranhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E esse não é diferente – afirmou dando um sorriso misterioso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Gatos? – repeti mais para mim mesmo. – E eu que pensava que encontrar gatos era coisa que só se via em filmes para crianças.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling riu, Nana permaneceu imóvel e ereta em seu lugar, seus olhos sem brilho fitavam a parede oposta do restaurante, sempre atenta a conversa. Se ela pudesse ver, veria uma fileira de mesas encostadas na parede cobertas por um pano de mesa vermelho e branco xadrez, e alguns vasos colocados ao lado da parede. Esperamos o garçom colocar nossas bebidas e se retirar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E o que tem de tão especial nesse gato? – perguntei. – Que necessite de nossos serviços – completei coçando o queixo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Por mais que parecesse besta encontrar um gato, Ling não aceitava os casos por acaso, sem antes saber algo a respeito, nem mesmo se permitiria entrar em contato conosco – eu e Nana – se realmente não fosse necessário.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Na realidade é dela que preciso – disse Ling apontando para Nana em sua diagonal. Ambas se olharam, se é que no caso de Nana poderia ser olhar. – Nana é a única daqui que pode ver esse gato.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ver? – indaguei coçando a cabeça. – Como assim: ver?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling assentiu voltando-se para mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Exatamente – afirmou com mais um leve aceno. – Ver – fez um minuto de silêncio antes de prosseguir. – O gato é invisível.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;É claro que o senso comum diz para rir quando ouvimos algo do gênero, porém ninguém da mesa riu, especialmente depois de tudo que já havíamos passado. Tudo que fiz foi coçar a cabeça mais uma vez e refletir um pouco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E Nana é a única daqui que pode ver o gato? – deduzi de forma que, o que era para ser uma afirmação, acabou saindo mais como uma pergunta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Exato.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Nesse momento nossos pratos chegaram e comemos &lt;st1:personname productid="em sil￪ncio. Claro" st="on"&gt;em  silêncio. Claro&lt;/st1:personname&gt; que a conversa iria continuar, mas somente após a refeição que não tardou a terminar. Assim que Ling pagou a conta, como Nana havia previsto ela tinha insistido em pagar pelo almoço, saímos deixando para trás o restaurante que começava a lotar por funcionários de várias empresas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ainda em silêncio entramos em um café próximo ao restaurante em que estávamos. Ling e eu pedimos expresso enquanto Nana preferiu um chá gelado. Ficamos do lado de fora, porém debaixo de um ar condicionado que ficava exatamente em cima da porta de entrada, e finalmente pude acender um cigarro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Mal lhe pergunte – comecei entre um trago e outro – se o gato é invisível, como alguém pode querer procurar por ele – pensei um instante. – Digo: como alguém sequer saberia da existência do gato para que fosse procurado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Olhei estranhando, porém voltado para mim mesmo. O que tinha acabado de falar não pareceu fazer muito sentido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você entendeu... – disse ainda confuso com o raciocínio que acabara de colocar em palavras não tão coerentes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling não sorriu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Devido ao sincronismo da hora do almoço, o café estava vazio, apenas aguardando para que as pessoas terminassem de comer e seguissem para lá. Mesmo assim havia bastantes pessoas passando pela rua. Ling não se sentia confortável com muitas pessoas, geralmente eram nesses momentos que ela costumava a ficar mais séria e fria. Mesmo agindo dessa forma, ela chamava atenção tanto aos homens quanto as mulheres que transitavam, não só por sua beleza incomum, mas por suas próprias roupas ordinárias – uma camisa de manga comprida branca com as mangas dobradas até os cotovelos, uma calça social preta e sapatos de salto baixo – parecerem cair tão bem quanto qualquer outra mulher.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Aparentemente somente algumas poucas pessoas podem ver o gato – explicou sem qualquer sentimento em seu tom. – Somente as pessoas com sensibilidade sobrenatural, porém nem todas, e pessoas que estão próximas a morte, porém...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Pausou um instante encostando-se em sua cadeira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Vocês se lembram das mortes misteriosas das garotas do prédio? – perguntou, como se estivesse para montar um raciocínio, ordenando seus pensamentos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Sim – respondi me recordando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Em meio a uma festa no salão de um condomínio de classe alta &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em  São Paulo&lt;/st1:personname&gt; somente as mulheres morreram, simplesmente morreram. Os homens ficaram vivos e sem saber o que fazer. Claro que a noticia não escapou das mãos da mídia, principalmente quando as mulheres – ou deveria dizer as adolescentes, ou garotas – eram filhas de pessoas bastante influentes, também é claro que a história não passou despercebida pela Nana que um dia antes pressentiu algum tipo de distúrbio. Isso faz quase três dias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você disse que ia dar uma olhada quando comentamos – relembrei-a.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E olhei – confirmou Ling. – Apesar de fazer tempo que não falava com meus contatos aqui no Brasil, consegui algumas informações que não saíram na mídia. Parte porque foram abafadas pelos pais dos adolescentes que estavam lá e parte porque parecia que os relatos de todos os rapazes foram efeito do choque.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Que relato?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– De que todos viram um gato passar pelo salão. Só não souberam dizer se já estava lá durante a morte ou se foi só depois que o gato apareceu – tomou o resto do café de olhos fechados, se concentrando. – É claro que isso foi considerado uma reação do choque, no entanto dos dez que estavam lá, todos viram o mesmo gato. Isso é estranho, confirmei isso diretamente com os investigadores, já que os relatórios parecem ter sofrido alterações.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Gato... huh? – refleti. – Mais alguma coisa em comum?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Tirando o fato de que todos lá eram filhos e filhas de pessoas ricas e bastante influentes: nada – respondeu curiosa com o próprio fato. – É claro que a primeira teoria foi de atentado, mas matar somente as mulheres, não faz sentido algum. O caso só não foi arquivado devido a influencia dos pais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Refleti mais uma vez sobre o que foi dito e sobre qual pergunta fazer primeiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Algum suspeito?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Os garotos. Porém isso foi logo descartado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Como? – entendi no mesmo momento em que fiz a pergunta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– As câmeras de vigilância filmaram tudo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Antes que eu pudesse fazer a pergunta, Ling pareceu ler minha mente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nenhum gato apareceu nas fitas, de nenhuma das câmeras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E pode confiar na analise? – não que notar um gato mencionado em um relatório de testemunhas que possivelmente sofreram de paranóia coletiva passasse despercebido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Disso eu tenho certeza. Devido à magnitude desse caso, praticamente todos os forenses de São Paulo e até de fora, analisaram as evidências.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Suspirei. Um gato invisível e de uma festa inteira só as adolescentes morrem. Tomei o resto do café ainda morno devido ao calor que fazia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Quem era a responsável pela festa?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Uma garota chamada Mariana Elena Rossberg, morava com os pais no mesmo prédio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Suspeitam deles?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Masahiro... – suspirou. – Você não entendeu. Além dos garotos que sobreviveram e de um gato inexistente que eles mesmos disseram ver, não há outras testemunhas ou suspeitos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E entre os garotos e o gato, sua melhor hipótese é de que seja o...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– ...gato, sim – completou antes que eu terminasse. – Acredito que ele tenha sido a causa da morte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Franzi a testa. Um gato matou as garotas e deixou os garotos vivos, pensei no absurdo disso tudo. Olhei para Nana que estava novamente ao meu lado quieta. Não parecia ter qualquer tipo de reação sobre a conversa, no entanto era claro que estava atenta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Um gato invisível matou as garotas?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Isso é no que acredito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Cruzei os braços encostando as costas na cadeira e acendi outro cigarro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Você disse que somente os mortos ou algumas pessoas com sensibilidade sobrenatural podiam ver esse gato – raciocinei alto. – Mas esses garotos o viram – Ling confirmou com um movimento de cabeça esperando pelo resto. – Por que eles viram?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Existem lendas – dessa vez foi Nana, que até então não havia pronunciado uma palavra desde quando saímos de casa, começou a falar inclinando sua cabeça em minha direção. Apesar de não ver, tinha esse costume de inclinar-se ou virar-se para a pessoa com quem estivesse falando – sobre os gatos. Dizem que os gatos possuem um sentido muito sensível e que são como guardiães de energia negativa; outros acreditam que os gatos guardam a porta do mundo dos mortos e até que são guias para as almas que partem desse mundo. Também há histórias que dizem que os gatos acompanham ceifadores e outras que eles mesmos sejam esses ceifadores, nesse caso são gatos especiais que só aparecem para a pessoa que está próximo da morte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Olhei para Ling buscando confirmação, mas ela apenas sorriu brevemente aguardando para que Nana continuasse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não sei ao certo, mas dizem que isso é ligado ao guizo que era carregada pelos gatos, por isso acredita-se de que quando alguém está próximo da hora de sua morte, esta pessoa ouça um guizo, inaudível para todos que estão a sua volta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Rompi o silêncio que tinha se estabelecido entre nós.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Então esse gato que procuramos é um ceifador?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Provavelmente – foi Ling que respondeu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Pensei mais alguns segundos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Mas isso não faz sentido. Se somente aqueles que estão próximos da morte podem ouvir o guizo e ver, como os garotos o viram? – completando. – Eu entendo que pessoas sensíveis como Nana podem o ver, mas não acredito que os dez adolescentes tinham a mesma sensibilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling sorriu de uma forma de quem espera por palavras certas e as consegue.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– É isso que me chamou a atenção – falou sem mudar seu sorriso, não pude deixar de notar olhares furtivos das pessoas que passavam por nós. – O fato do gato se revelar livremente para todos não faz parte de nenhum relato, pelo menos em mitos e histórias que eu vi.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E qual a sua teoria? – perguntei, supondo que ela já tivesse uma.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Seu sorriso abriu ainda mais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Os gatos também são conhecidos por serem animais independentes e que respeitam sua posição, há quem diga que eles honram aqueles que cuidam deles. É uma natureza felina de manter sua posição e independência – a garçonete retirou as xícaras e, Ling e eu, pedimos por mais dois expressos. – Eu acredito que o gato esteja sendo controlado. Não controlado – procurou as palavras certas, – talvez esteja apenas obedecendo a uma ligação de respeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Alguém que controla a morte? – perguntei de forma irônica. – Através de um laço de ligação?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Talvez. Mas eu acredito nisso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Soltei um longo suspiro relaxando os ombros e deixando que os braços caíssem paralelos ao encosto da cadeira. Me virei para Nana e a vi novamente em silencio e atenta na conversa, seus olhos dispersos no horizonte inexistente para ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E os garotos ouviram algum guizo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Assentiu com um leve aceno.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Segundo os investigadores que eu conversei, alguns mencionaram ouvir uma espécie de sino.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Mas não foram todos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Não – respondeu e após ponderar um pouco prosseguiu. – Disseram que a musica estava alta por ser uma festa, esse evento pelo menos não foi omitido dos relatórios.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Tomamos nossa segunda rodada de expresso &lt;st1:personname productid="em sil￪ncio. Nana" st="on"&gt;em silêncio.  Nana&lt;/st1:personname&gt; apenas observando algo que não podíamos ver, enquanto eu passava por minha cabeça todos os fatos discutidos. Após esvaziar sua xícara Ling quebrou meu raciocínio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E então? – perguntou sem expressão. – Vão aceitar?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– E como podemos encontrar algo invisível? – subitamente me veio uma outra pergunta a cabeça. – Como aqueles garotos viram o gato?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Mais uma vez Ling sorriu como se esperasse por aquela pergunta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Eu não sei – sua resposta quase me fez cair da cadeira. – Mas o que posso imaginar é que se alguém está controlando a morte, esse alguém não tem nenhum senso de discrição.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ou o seu rancor é tão forte que não se importa de ser visto ou não – disse Nana em um tom baixo, quase inaudível. Ling e eu a olhamos espantados. Ling sorriu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nana? – eu continuava a fitá-la. – O que acha?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ela apenas assentiu com um breve movimento de cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Ótimo! – exclamou Ling sorrindo para mim e logo depois para Nana que, como se pudesse ver, respondeu com outro sorriso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Ling pediu a conta, me ofereci para pagar pelo café, mas mais uma vez foi ela quem acabou pagando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Só uma pergunta – disse assim que a conta chegou. – Houveram outros casos parecidos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Nenhum – e completando. – Acho que não escaparia dos olhos de ninguém se um caso semelhante tivesse acontecido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Por quê?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– A maneira como as garotas morreram é peculiar e incompreensível. O corpo simplesmente desistiu de viver. Não há qualquer sinal de algo que pudesse levar uma pessoa a morte – colocou na caderneta uma nota muito maior do que teria dado o total da conta e se levantou pronta para sair. – É como se alguém tivesse desligado o cérebro delas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;Descemos na frente de nosso apartamento, claro que chamando muita atenção já que Ling tinha um dos poucos, senão o único, Aston Martin do Brasil. Ao se despedir ela me deixou uma pilha de fichas dos adolescentes da festa e partiu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;– Vou ver se descubro mais alguma coisa, vejam o que descobrem com a ficha deles, ainda não tive tempo de ver elas – disse antes de sair rua a fora.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-2088399818722568052?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/2088399818722568052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=2088399818722568052&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/2088399818722568052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/2088399818722568052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2009/01/trevas-da-luz-o-gato-perdido.html' title='Trevas da Luz - O Gato Perdido (PARTE 1)'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-5023453206345267998</id><published>2009-01-24T10:58:00.004-02:00</published><updated>2009-01-24T18:54:06.328-02:00</updated><title type='text'>Mudanças no blog</title><content type='html'>Antes de tudo agradeço as pessoas que visitaram e ainda visitam o nosso blog ocasionalmente. Como podem perceber já faz bastante tempo que não há novas postagens.&lt;br /&gt;Inicialmente nossa intenção era colocar um conto ou parte de uma história, por semana. Entretanto, devido a uma série de fatores André e eu não coneguimos cumprir com o objetivo por causa de diversos problemas que surgiram em nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente a maré está baixando e as ondas se acalmando, dessa forma a tempestade que nos cercou por aqui se dissipou e pouco-a-pouco organizamos o que foi bagunçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estarei a partir dessa semana e, se possível, uma vez por semana colocando parte de uma série de histórias que eu criei para o blog. Está série é uma espécie de light novels, particularmente meu contato com light novels é bem fraca, mas eu me interessei pelo gênero a um tempo atrás e estou ainda o estudando.&lt;br /&gt;A Light Novel para quem não sabe é uma série de novelas (romances) onde cada livro - seja ele longo ou crto - formam uma história central. Em cada livro uma parte dessa história se resolve. Seria uma série de TV em livro.&lt;br /&gt;No Brasil, especificamente em SP, temos o Sabrina. Não sei se ainda é impresso, mas para aqueles que conhecem, Sabrina é um tipo de light novel focado para o público feminino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, a história é sobre um rapaz ordinário que mora com uma garota cega que possui poderes sobrenaturais, ao lado deles uma investigadora de casos bizarros que também possui poderes misteriosos, os chama para auxiliarem a resolverem seus casos.&lt;br /&gt;O personagem pode contar melhor:&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5Cusuario%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:usefelayout/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-alt:"ＭＳ 明朝"; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;} @font-face 	{font-family:"\@MS Mincho"; 	panose-1:2 2 6 9 4 2 5 8 3 4; 	mso-font-charset:128; 	mso-generic-font-family:modern; 	mso-font-pitch:fixed; 	mso-font-signature:-536870145 1791491579 18 0 131231 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"MS Mincho";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Acordar cedo sempre foi um problema para mim por isso quem preparava o café-da-manhã era sempre ela, dessa forma eu conseguia acordar exatamente no momento em que ele estava sendo servido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sentir o cheiro do café e torradas de Nana é algo tão incrível que só perde para o cheiro da janta que ela também cozinha, o almoço é por minha conta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Nana, apesar de cega, é incrivelmente habilidosa e raramente precisa de ajuda de outra pessoa para qualquer coisa que seja. Além disso, sua sensibilidade e poderes sobrenaturais a faz tão independente quanto qualquer outra pessoa que enxerga.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Moramos juntos há alguns meses, sei que preciso ajudá-la após a morte de todo seu clã. Agradeço por ter ajuda de Ling Wei que, apesar de sua beleza angelical e seu ar misterioso, resolve casos estranhos onde as coisas parecem não fazer sentido. É exatamente disso que precisamos para encontrar quem procuramos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Vivemos em um mundo caótico e decadente, cercado de conspirações e violência, e aqui todas essas coisas se misturam ao sobrenatural. Sei que cada um de nós três temos objetivos diferentes, ocultos uns aos outros. Porém é somente com a ajuda de cada um que poderemos alcançar tais objetivos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Nana com seus poderes sobrenaturais, Ling com seus contatos e seus poderes misteriosos, quanto a mim... bem, prefiro manter meu passado longe delas para que ninguém se machuque.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5Cusuario%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt; 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charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CUsuario%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; 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Pano, mesa, sofás rasgados, cobertores velhos e desfiados, armários de uma madeira podre e lâmpadas penduradas ao teto sem qualquer lustre, preenchiam a casa de quatro cômodos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Passando pela entrada era a sala, não mais de cinco passos de largura e profundidade, um quadrado perfeito se não fosse por pilhas de caixas de papelão, um sofá desbotado que fora vermelho em um passado longínquo ocupado por cobertores pesados e travesseiros velhos, e um armário enorme que abrigava uma TV tão velha quanto a primeira lançada no mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Passando reto uma pequena cozinha, apertada e com teto completamente tomada pelo mofo. Uma pequena mesa quadrada no centro coberta por um pano quadriculado vermelho e branco, utensílios como chaleira de ferro e alguns potes reutilizados de manteiga e maionese, uma geladeira antiga de uma porta, provavelmente dos anos sessenta e algumas cadeiras de madeira que dariam medo de sentar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A senhora a recebeu alegre pedindo para que entrasse, paradas na cozinha a mulher virou-se para a senhora após olhar a pobreza e situação miserável do lugar:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Preciso ver o que a senhora conhece - disse, partindo direto para o assunto que a trouxera ali.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Sim minha jovem, e claro - respondeu a senhora corcunda da idade. - É logo ali - apontou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Um corredor estreito e sombrio que se encontrava do lado oposto da passagem da sala para a cozinha, estava tão cheio de mofo que a tinta antes branca da parede se tornaram nada mais que uma mancha preta. O cheiro era insuportável, a mulher sentiu logo que entrou no corredor apertado, fazendo o máximo para não se encostar nas paredes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Entrou na primeira porta, a senhora ficou na cozinha apenas a observando, virou-se para vê-la e ela sorriu acenando com a cabeça indicando que lá era o local certo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Passando pela porta de madeira descascada e podre. Devorada por cupins e umidade, ela viu um quarto ainda mais apertado, entretanto não era pelo espaço. Aquele lugar era relativamente maior que a sala e a cozinha, porém a pilha de bagunça era tanta que tornava o movimento beirando o impossível. Na cama um jovem de não mais de quinze anos dormia enrolado por trapos que já foram um dia cobertores. O quarto fedia quase tanto quanto o corredor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Encontrou um caminho até a janela do outro lado e a abriu, saltou para fora e apoiou-se em uma laje de cimento que estava a apenas dez centímetros a baixo da altura da janela. Olhou em volta, um jardim sujo cercado por paredes de concreto, isolada do mundo. Seu acesso era apenas por aquela janela. Pedaços de papel, copos plásticos, bitucas de cigarro, latas de cerveja e muitas outras coisas cobriam boa parte do gramado. Saltou no que foi não mais de um metro na grama e olhou para o que buscava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Uma árvore enorme estava na quina no fundo do jardim, seu caule enorme podia facilmente abrigar uma casa de família. Aproximando-se viu que por baixo de sua copa era tão escuro que não se podia ver qualquer coisa, nem mesmo a estria ou se lá no meio das sombras havia de fato um caule que sustentava o topo. Da parte visível do tronco via-se bolhas grotescas e bizarras, como se fossem chagas mas ao invés de estarem na pele, estavam na casca brotando e guardando um pus amarelado e fétido. Em um canto uma bolha enorme esverdeada cheio de estrias que pareciam veias humanas aparecia metade para fora e metade para dentro do caule, a parte de cima dessa bolha entrava na região sombria sem visibilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Ela sentiu a bílis subir pela garganta, respirou e voltou para dentro da casa, seguindo para cozinha. O garoto ainda dormia enrolado, mas tinha mudado de posição.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A velha senhora a aguardava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- O que é aquilo? - perguntou a mulher. Sabia o que buscava, mas não imaginava que seria de fato aquilo. Nunca tinha visto qualquer imagem ou ilustração, aquele encontro com a árvore foi inédito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;O tempo nublado começava a fechar mais ainda, ela pode ver da janela da cozinha que dava para a parte mais a frente do jardim, longe da visão daquela monstruosidade que se assemelhava a uma árvore, uma fina garoa começava a cair.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- É amaldiçoada, ninguém quer saber dela. Todos a negam - respondeu a velha séria, fria e sem expressão. - Aqui é um tabu muito forte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Por que ninguém faz nada?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- É uma cidade pequena, todos a ignoram, são manipulados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Como assim manipulados?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Quer saber a história dessa árvore? - perguntou a velha se sentando em uma das cadeiras. A mulher fez o mesmo sentando-se na cadeira próxima a senhora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Após se acomodar, incomodamente, na cadeira de madeira que parecia ceder a qualquer momento, ela assentiu com a cabeça olhando atentamente para a senhora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Contam a história de dois irmãos que brigaram muito, por poder - começou a discorrer a história. - eles se amavam no inicio, mas passaram a se odiar. Eram tão felizes que a rivalidade entre os dois e as brigas constante foram um choque.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A mulher cruzou as pernas, colocou a mão sobre seu coldre em sua coxa checando se sua arma estava lá. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Depois de muita briga, nesta mesma casa e nesta mesma cozinha, - continuou a velha. - eles mataram um ao outro.&lt;br /&gt;Parou por um instante tentando se lembrar e aproveitando para tomar um fôlego, sua velhice era evidente. Após se lembrar dos fatos, prosseguiu no mesmo tom obscuro de antes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Seus pais, tentando evitar a fofoca da cidade, como já havia dito aqui é uma cidade pequena e todos sabem a respeito de todos, enterraram os dois no quintal debaixo daquela árvore.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Os olhos da mulher arregalaram, era então uma maldição, previu ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Era uma árvore completamente normal, porém depois de enterrar eles algumas coisas estranhas começaram a acontecer com ela. Bolhas, chagas, inclusive insetos e animais nunca visto antes começaram a nascer dela - coçou a cabeça entre o pouco de cabelo que lhe restava. - Diziam que eram dois demônios, aqueles meninos, e que a árvore é maligna por causa do rancor deles.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Silêncio. Percebendo que a senhora havia terminado e ainda chocada, a mulher perguntou:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Por que começaram a brigar repentinamente?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Controle da mente - respondeu a senhora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Sua resposta foi tão inesperada quanto brusca que a fez se assustar. Tentou se acomodar melhor naquela cadeira tomando mais cuidado para não a quebrar do que se ajeitando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Desculpe? - interrogou sem compreender direito o que a velha quis dizer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- O antigo padre da cidade enfeitiçou todas as pessoas através de um refresco de garrafa que ele fabricava. Todos compravam exceto eu e minha família. Sabíamos das intenções malignas dele. Todos da cidade ficaram loucos e ainda estão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Como assim? Loucos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Esse refresco os deixa ignorantes, esquecem-se do que aconteceu aqui, neste exato lugar ignoram e continuam vivendo - revelou orgulhosa de estar em uma posição diferente dos demais na pequena cidade. - Quando se trata de falar sobre essa árvore, a história e esse jardim, é um grande tabu e nenhum deles vai falar. Exceto algumas pessoas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Mas não eram todas que bebiam essa bebida produzida por ele?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Sim, inicialmente - revelou. - Porém com a chegada das bebidas industriais das cidades grandes, muitos, mesmo enfeitiçadas, ficaram curiosos e começaram a beber essas outras marcas e acabaram gostando. Mas poucos continuaram, e mesmo parando de beber, o medo que reside neles é tanto que preferem não comentar a respeito das coisas daqui da cidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Enquanto a você? - inquiriu a mulher. - Você bebe o que?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;É claro que foi uma pergunta ao acaso, era apenas para manter uma conversa mais leve e dar uma animada. Contudo ainda sim era uma dúvida que reluzia no fundo de sua cabeça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Não, não - respondeu a velha senhora. - Eu só bebo essa marca...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Levantou-se de sua cadeira e caminhou em direção a geladeira, a mulher a seguiu. Abrindo a porta ela puxou uma garrafa de vidro com um conteúdo líquido amarelado, assemelhando-se com suco de laranja. O nome no rótulo dizia "Il Somair"&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Eu só tomo essa marca. Produzida aqui na cidade - disse retirando a garrafa para tomar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- E como a senhora sabe se essa não está drogada? - perguntou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Ora - começou a responder a velha. - Porque essa é produzida pelo novo padre - terminou levantando a garrafa para a mulher. - Quer experimentar uma?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;No mesmo instante a cabeça da mulher girou, vertigem e náusea a tomaram. A imagem do padre do qual ela investigava surgiu pregada por trás de seus olhos, podia a ver e a tocar tão bem quanto a foto real em sua mesa no departamento de investigações especiais. Se era verdade o que aquela velha senhora disse sobre o refresco do padre anterior, então também era verdade que esse novo padre estava drogando as pessoas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- D-desculpe - disse recuperando-se do susto. - E-eu esqueci de ver uma coisa no seu jardim - afirmou apontando de volta para o corredor. - Vou voltar lá para dar uma olhada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A senhora tomou um gole de seu refresco e acenou com a cabeça confirmando que ela estava livre para voltar ao jardim de sua casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Parada na laje do lado de fora da janela, a mulher percebeu algo que tinha lhe escapado antes, no canto esquerdo do jardim na outra ponta do muro onde se encontrava a árvore maligna, havia uma entrada cujo o chão estava forrada por um piso sujo, cercada por uma parede azulejada até metade e cimentada. Não podia ver mais a dentro por causa das sombras, mas algumas raízes haviam atravessado a parede e entrado no lugar. Um calafrio percorreu-lhe a espinha, não teria coragem de investigar aquela entrada melhor. Talvez fosse uma área de serviço antiga que isolaram do resto da casa conforme o tempo passou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Desceu da laje e olhou mais uma vez a árvore, notou que uma pequena elevação mais ao alto do tronco se elevava para fora, foi de baixo e notou uma porta de alumínio com uma janela de vidro no centro. Era pequena, assemelhava-se mais como uma janela do que como uma porta, mas era o suficiente para ela passar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Respirando fundo e retirando coragem e forças do fundo de sua alma, começou a escalar para tentar entrar dentro daquela árvore. Não sabia por qual motivo, mas ela tinha que entrar lá para descobrir melhor sobre o que estava acontecendo e a verdade sobre aquela árvore.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Depois de não mais de dois metros notou a sua esquerda uma pequena abertura cercada de concreto, possivelmente alguma coisa havia lá antes do caule penetrá-la destruindo toda a parede. Olhado melhor dentro daquela pequena abertura quadrada, entre a madeira que a atravessava internamente notou alguns insetos estranhos andando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Um deles, que a assustou, era um escorpião pequeno e marrom, era estranhamente deformado, ao invés de garras em forma de gancho parecia que uma bolha enorme e em carne viva se formara no lugar, e em seu corpo arredondado, estranhamente inchado formavam-se chagas parecidas com as da árvore, porém elas pulsavam como se cada uma delas fosse um parasita vivendo ao redor do corpo dele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Com o susto ela soltou a árvore e caiu de pé na grama, dando passos para trás, próxima ao muro do seu lado esquerdo parou em choque a virar-se e ver mais milhares de escorpiões do mesmo gênero andando pela parede de tijolos e cimento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Sacou sua arma, mas não pode mirar em qualquer coisa. Estava travada, presa e paralisada de medo. Sentiu o suor frio escorrer por suas costas e testa, ou talvez fosse a fina garoa que caia do céu desviando-se da enorme copa da árvore amaldiçoada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A grande bolha metade para dentro do caule e metade para fora pulsou, o som semelhante a uma batida de coração, porém mais forte e mais alta ecoou pelo jardim.&lt;br /&gt;Fechando os olhos, ela respirou fundo.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-1583692029080369906?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/1583692029080369906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=1583692029080369906&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/1583692029080369906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/1583692029080369906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/10/cidade-das-sombras-cap-2-resultados-da.html' title='A cidade das sombras Cap. 2 - Resultados da Investigação'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-8204614938475779356</id><published>2008-09-23T23:14:00.002-03:00</published><updated>2008-09-23T23:17:04.946-03:00</updated><title type='text'>A Ponte - parte I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Houve um tempo em que achei que minha miséria não seria notada. Disseram que a primeira coisa que notaram em mim foi que meu rosto ficara branco como uma folha de papel. Tinha olheiras profundas que denunciavam minhas poucas horas de sono – quantas horas não desperdicei fazendo cálculos e mais cálculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo fui perdendo peso, e isto se deu com a mesma velocidade que perdia minha cor. Minhas calças ficaram tão grandes que dentro delas caberiam dois de mim. Pobres calças. São usadas religiosamente todo dia. O tecido já perdeu o brilho, as marcas de sujeira decorrentes do uso vão contaminando, pouco a pouco, cada centímetro de minhas pobres calças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas camisas já estão rotas; dificilmente poderia se dizer que são camisas, pois mais parecem trapos utilizados para engraxar os sapatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só uso as camisas com meu paletó cujo pó e sujeira já são partes integrantes da peça; a costura de meu paletó já está toda rasgada e remendada, o mesmo pode-se dizer dos bolsos. Assim, quando saio de manhã, carrego meus documentos nas mãos, pois se colocar em alguns dos bolsos certamente não os veria novamente; já que, como disse estão todos furados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É vestido desta forma - portando meus andrajos como se fosse uniforme escolar - saio todas as manhãs de minha casa improvisada de baixo da ponte que nos serve de teto, em busca de alguns trocados para sustentar minha pequena Linda, que fica o dia todo cuidando de Maria, nossa filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta vida não é tão ruim quanto parece. Semana passada, saí como sempre de minha pobre casa; chovia muito e fui obrigado a me proteger com um pedaço de papelão que muitas vezes me servia de toalha de mesa de jantar. Era neste pedaço de papelão que eu e minha família colocávamos nossos pratos e, após rezar e agradecer à Deus, comíamos os restos de outros que para nós era um banquete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu caminhava pelo mesmo caminho de sempre: me dirigia à uma praça onde ficava sentado nos bancos, pedindo uma ajuda a quem tivesse Deus no coração e se compadecesse desta triste figura pálida e seca como um fóssil de galinha; então, no final do dia eu juntava as moedas que conseguia e as trocava na quitanda do Sr. Paulo – Deus o abençoe – por um punhado de feijão e um pouco de farinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente naquele dia chovia muito e o pedaço de papelão que utilizava como escudo de nada me protegeu. Quando já estava completamente ensopado corri para debaixo de uma tenda de uma loja que vendia sapatos para mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual não foi minha surpresa quando ouvi uma vendedora da loja se aproximar da entrada, próxima de onde eu me protegia e gritar:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Ei! Seu vagabundo! Saia já daí, você está espantando nossos clientes! Vá procurar outro lugar para vagabundear!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Mas dona, está chovendo muito! Eu não tenho para onde ir com essa chuva. Não posso me proteger aqui? Não posso ficar aqui só até a chuva parar?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Não pode e não vai! - Gritou a mulher enquanto voltava para dentro da loja e falava alguma coisa para um homem, que, após ouvir as palavras da mulher, as feições se transformaram em algo horrível. Me pareceu que ele me xingou de dentro da loja;  quando virei meu rosto para dentro para ver o que estava se passando vi que o homem que mais parecia um gladiador se aproximava de mim como um touro. Segurava uma vassoura como se fosse uma lança. Meu instinto me avisou: você será o alvo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esperei o homem colocar a cabeça para fora da loja. Iria explicar que não pretendia ficar na porta de sua loja muito tempo, só estava esperando a chuva diminuir um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Imaginei que ele, provavelmente por ser honesto e pai de família como eu, não iria me agredir com aquela vassoura, muito menos me enxotar dali para enfrentar aquela tempestade apenas com os trapos que mal cobriam minha pele de tão finos e gastos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como me doeu a primeira pancada. Achei que fosse desmaiar, mas tive forças para correr e evitar que fosse atingido novamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu entendo que minha aparência, no momento, não é das melhores. Tomo banho em raras ocasiões, mas mesmo assim meu corpo não exala uma fragrância tão repugnante a ponto de ser expulso de qualquer lugar. Às vezes tenho vontade de revidar ao agressor, tenho vontade de lhe dizer, olhando-o nos olhos:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Pare com isso homem! Não está vendo que sou igual à você?! Sou pai de família, trabalhador!&lt;br /&gt;Nunca me dão tempo de pronunciar nem o “ai!” como reflexo das bordoadas. Assim, quando vejo a possibilidade de perigo, logo corro, como um animal acostumado ao tratamento especial dos seus semelhantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meu corpo era castigado pela chuva que impiedosamente me atingia nos olhos, na boca, no peito, pernas, pés e alma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sapato que eu usava exigia de mim uma certa técnica para andar com ele nos pés, pois, se eu pisasse com muito vigor poderia ser visto que não havia mais costura na parte de traseira, o que me obrigava a andar a andar de uma forma bem peculiar, sem tirar muito os pés do chão.&lt;br /&gt;Este sapato é tão velho quanto eu. Ganhei-o de presente de um dos professores da escola em que eu era bedéu na parte da manhã e tarde. Era aluno também no período noturno.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só de lembrar como era respeitado por todos naquele tempo as lágrimas me vêm aos olhos.&lt;br /&gt;Vendo que não poderia vencer a chuva, dei por caminhar com passos lentos de volta para casa pois com chuva as pessoas não vão à praça, logo: não tenho aonde pedir ajuda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-8204614938475779356?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/8204614938475779356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=8204614938475779356&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/8204614938475779356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/8204614938475779356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/09/ponte-parte-i.html' title='A Ponte - parte I'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-2127791113781207079</id><published>2008-09-21T11:07:00.001-03:00</published><updated>2008-09-21T11:09:21.774-03:00</updated><title type='text'>A cidade das sombras. Cap. 1-A última noite</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CUsuario%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt; 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	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Capitulo 1: A última noite.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Estava em uma mesa de um bar fechado, fumaça de cigarro por todo o ambiente com apenas uma fraca luz amarelada vinda de cima da mesa redonda. Um senhor estava sentado do meu lado, porém diferente de mim estava calmo, enquanto eu estava terrivelmente ansioso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Temos que chamar todo mundo, se não eles vão morrer! - exclamei para o senhor que assoprava a fumaça do seu cigarro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Acalme-se - retrucou tranqüilo dando outro trago.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Mas, você sabe que não deveríamos ter brincado com eles! Agora todo mundo vai morrer! - exclamei novamente, o grito ecoando pelo lugar deserto. - Temos que ficar juntos!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Sim, concordo - apagou o cigarro no cinzeiro de vidro já cheio. - Por isso eu chamei todos para cá. Para que pudéssemos olhar um ao outro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Mas eles já deviam estar aqui! - retruquei como se já estivesse ciente da vinda deles. - Alguma coisa aconteceu! Sobramos apenas nós.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;O senhor não respondeu. Após longos minutos sem pronunciarmos palavra sequer, um a um outros rapazes começaram a entrar e, como se nada estivesse acontecendo, sentavam-se a mesa, alguns se sentaram na mesa ao lado quando a nossa ficou sem lugares.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Onde estão os dois? - não sabia o nome desses outros dois, mas claramente os outros me compreenderam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Pegaram eles - respondeu um rapaz que chegava ofegante. Com certeza havia corrido, ou melhor, fugido de algo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Mas como? - perguntei espantado e ao mesmo tempo amedrontado em obter a resposta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Não sei os detalhes, mas ouvi que invadiram a casa deles - começou o relato após tomar fôlego, seu rosto tão assustado quanto o meu. - Seus corpos dilacerados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Todos que observavam viraram seus olhares para nenhum lugar &lt;st1:personname productid="em especial. Em" st="on"&gt;em  especial. Em&lt;/st1:personname&gt; suas mentes um turbilhão de pensamentos onde imaginavam qual seria o futuro inevitável e aterrador que os aguardavam. Incluindo o meu. Senti um calafrio percorrer minha espinha de baixo até a nuca. Tremi de medo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Então vamos todos morrer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Me virei para o senhor que acendeu um outro cigarro, olhar disperso como de todos. Ele apenas assentiu com um pequeno movimento da cabeça. O que me assustava era que ele não parecia nem um pouco abalado com tudo aquilo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Um padre entrou no bar pela porta de trás, o barulho de seus passos quebrou o mórbido silêncio que envolvera o bar. Todos o olharam assustados, a tensão e horror era palpável.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Vocês não deveriam ter se metido no que não conhecem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Sua voz ameaçadora e sem sentimentos penetrou por nossos ouvidos como pregos sendo martelados diretamente nos tímpanos. Sabíamos que não haveria como sairmos de lá. Aquela era nossa última noite na cidade.&lt;br /&gt;&lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-2127791113781207079?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/2127791113781207079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=2127791113781207079&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/2127791113781207079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/2127791113781207079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/09/cidade-das-sombras-cap-1-ltima-noite.html' title='A cidade das sombras. Cap. 1-A última noite'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-3248488242746820386</id><published>2008-07-15T22:46:00.002-03:00</published><updated>2008-07-15T22:47:51.614-03:00</updated><title type='text'>Trecho</title><content type='html'>Era uma noite como todas as outras mas esta era excessivamente negra. A lua cheia se escondia atrás da cortina de névoa cinza e parecia estar suspensa no céu apenas por um barbante prestes a se romper; as calçadas estavam completamente vazias, nem as almas perdidas ousavam perambular com seus andrajos por aqueles cantos escuros que exalavam um cheiro seco e arenoso, e invadiam nossas narinas impiedosamente; as fachadas das lojas estavam trancadas e protegidas pelas armaduras de ferro impedindo que víssemos o que cada uma abrigava, nem as luzes amareladas que escapam pelas janelas daqueles que se esquecem de dormir deram o ar de sua presença. Era como se a escuridão tivesse lançado um decreto irrevogável: esta noite não haverá luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai e eu caminhávamos de mãos dadas entre a cortina de fumaça – digo que aquela figura cuja mão eu segurava era meu pai, mas em momento algum consegui olhar diretamente para seu rosto. Isto é uma das coisas que acontecem nos sonhos, há uma convicção em nossa alma que nos acalenta, sussurra ao nosso coração: este homem é seu pai, mesmo que não se pareça em nada com ele, este homem é seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo já ouvi relatos de pessoas que acordaram com seus corações tentando fugir-lhes pela boca e olhos inundados em lágrimas: sonharam que a mãe havia morrido. Porém, quando pararam para analisar o pesadelo percebiam que aquela figura, cuja alma foi levada por anjos com asas cor de neve, em nada se parecia com sua mãe. No entanto, esta constatação, de que tudo não se passou de um sonho, não os impediu de sofrer e sentir o rombo da perda na alma, alguns sofreram por um dia outros por uma semana inteira. Eis o efeito que certos sonhos podem causar em um indivíduo.&lt;br /&gt;            De qualquer forma, aquela figura, que eu sabia por conta de qualquer razão metafísica que era meu pai, tinha rosto encoberto por uma fumaça cinza que se misturava com a névoa e se confundia com as nuvens, usava na cabeça um chapéu bege, um longo sobretudo cinza, que lhe cobria quase o corpo inteiro, as calças e os sapatos marrons. Eu não vestia nada além de uma camisa amarela, uma bermuda e um par de sapatos de couro, bem gastos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Caminhávamos com passos tranqüilos por entre o enigma que era aquela rua. Não sentia muito medo, mas o fato de não distinguir um palmo à minha frente me obrigou a aguçar os sentidos o máximo que pude.&lt;br /&gt;            De repente, rompendo o colete de trevas e névoa que dominava tudo ao redor, surge em nosso caminho um filhote de labrador. Ele corria frenético em nossa direção, com sua língua rosada à mostra e abanando violentamente seu curto rabinho.&lt;br /&gt;            O pequenino filhote em momento algum parecer temer a presença daqueles dois estranhos parados na sua frente, ao contrário, sua amabilidade e afeto conosco eram incríveis. Mesmo sendo um filhote com poucos dias de vida – fato que presumi pelo seu tamanho, não teve dificuldades para se apoiar em minhas coxas com suas duas patinhas dianteiras e lamber minhas mãos com tanto carinho que só de lembrar me enchem os olhos de lágrimas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-3248488242746820386?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/3248488242746820386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=3248488242746820386&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3248488242746820386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3248488242746820386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/07/trecho.html' title='Trecho'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-5665211426211003321</id><published>2008-06-17T21:00:00.000-03:00</published><updated>2008-06-17T21:02:41.874-03:00</updated><title type='text'>quinqüagenário</title><content type='html'>&lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Amor... amor... - sussurrava uma voz feminina.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Hmmm – murmurou um pouco incomodado o homem que estava completamente absorto no fulgurante mundo dos sonhos. A voz da mulher que o chamava ecoava como um tambor em sua mente; ouvia-a distante e fraca, quase como o zumbido de um mosquito invisível, que incomoda sem que percebamos sua presença; era uma voz que se confundia entre toda a algazarra e tentava arrancá-lo daquele estado pesado de sonolência. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Amor! Amor! – Chamava a mulher agora balançando o braço que a abraçava. – Acorda, vai... acorda... – insistia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- O que aconteceu? – respondeu mecanicamente e com voz mole o homem que ainda não tinha certeza onde estava, quem era e o que fazia no mundo; no entanto,tentava demonstrar preocupação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Sonhei que havíamos nos separado. – dizia a mulher com voz aflita, trêmula. Seus olhos estavam completamente abertos e despertos, mirava o vazio da escuridão que encobria o quarto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Foi horrível! Não nos falávamos mais. Você não queria me ver e por alguma razão também não queria me ouvir; não sei nem se você fingia não me conhecer... acho que... - a voz feminina fez uma pausa, permeando suas palavras de um suspense indesejado. - Meu coração está tão apertado...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Fique calma minha gatinha. – disse a voz masculina um pouco mais consciente de onde estava e do que acontecia. - Lembra quando te chamava sempre assim?... minha gatinha. Faz alguns anos que não te chamo assim, não sei por que fui me lembrar disso justo agora. Mas fique tranqüila, meu amor. Isso que você viu não passou de um mero pesadelo; essas impressões, estes sonhos ruins, às vezes grudam na memória como chiclete gruda no cabelo, mas também não quer dizer que sejam reais ou iminentes...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Eu sei... eu sei... – interrompeu a mulher sabendo que o homem ainda tinha algo a lhe dizer; porém, não conseguiu permitir que ele continuasse. Sentia que aquele não era o momento para se perder em devaneios ou troças, principalmente a respeito de algo que, para ela, era tão sério e precioso. O fato de o homem ter iniciado sua resposta com um inocente gracejo causou-lhe certa indignação e levou-a a acreditar que suas palavras mal passaram pelos pêlos que germinavam das orelhas dele,  lhe causou tamanha irritação que, instantaneamente se amalgamou ao medo, gerando uma combinação explosiva e fatal para seu coração; assim, com muito esforço ela conseguiu aprisionar as lágrimas nos olhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;– Eu falava com você, mas você fingia não me ver. Nem olhava para mim... tenho certeza que era fingimento... eu tentava te abraçar, mas você se afastava. Foi horrível! Meu coração se apertou tanto que, no sonho comecei a chorar, a correr como louca para todos os cantos, gritava uma série de desatinos, fazia gestos só para você me notar, e nada! Nem uma manifestação sua. Até que desisti: cansei de toda aquela situação e comecei a chorar incontrolavelmente... – Neste momento a escuridão fez a gentileza de esconder uma lágrima que escapuliu e rolou no rosto da angustiada mulher.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Calma, meu amor. Tenha calma. Foi só um pesadelo – tentava acalmar o pobre homem que há poucos instantes sonhava que era marinheiro e tinha descoberto uma terra completamente desconhecida. Ele a abraçava com mais força e dava-lhe beijos no ombro desnudo, afagava-lhe os cabelos, tudo com tanto carinho que ela parecia ser feita de porcelana. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;– Lembra quando eu sonhei que tinha morrido? Eu sonhei por várias noites que afogava num rio, lembra? Lembra disso, minha gatinha? Lembra como foi horrível e como fiquei com tanto medo. Não achei que ia conseguir dormir novamente, nunca mais. Fiquei com medo de ter o sonho novamente... mas você me acalmou, até beijava minha careca, lembra, minha gatinha? E mesmo tendo aquele sonho horrível aqui estou eu, vivo e saudável como um gorila; e olha que este ano mesmo andamos de barco. Graças a você. Até hoje não sei se aquela viagem que você tanto quis fazer ao litoral era só para me mostrar que tudo aquilo não passava de um disparate, de um medo tolo. Você brincou com os golfinhos naquele dia... estava tão linda. – o homem tinha tanta facilidade para divagar quanto para cair no sono; às vezes nem a mulher entendia como conseguia agüentar aquele sujeito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Eu sei de tudo isso, me lembro claramente; você insistiu em usar aquele chapéu de palha no barco,ainda bem que bateu um vento e jogou aquele chapéu horrível no mar...– respondeu sem alterar o tom de voz –, mas não é a mesma coisa... não é a mesma situação... - argumentava a mulher. Parecia que travava uma batalha interna entre aquele lado de nossa mente que insiste transformar tudo em uma catástrofe e aquele outro que nos diz que tudo não passou de uma impressão. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Você me ama? – podia-se sentir a voz falhar ao fazer essa pergunta; era como se ela não soubesse a resposta e a surpresa pudesse fuzilar-lhe a alma e acabar com tudo ao seu redor em apenas um segundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Mas veja se isso é pergunta que se faça! Claro que te amo! Não te digo isso sempre? Não te trago flores, aquelas rosas vermelhas e as violetas que você tanto gosta? Não lhe trago quase todos os dias chocolates e uma infinidade de penduricalhos que tanto gosta? É claro que eu te amo! É tão claro quanto o céu azul que nos brindará pela manhã. Tão claro quanto o Sol e a luz...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Mesmo ele dizendo todas essas coisas, ela sentia como se as paredes do quarto se movessem e iam espremendo impiedosamente seu coração, que de tão apertado mal conseguia bater.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Pare de exagerar, você sabe que eu não gosto quando você fala assim. Mas acho que você está certo... foi só um sonho... - começava ela mesma a tentar afastar qualquer tipo de pensamento que a fizesse duvidar de tudo que tinha por mais certo na vida - e você sabe que se algum dia pensar, simplesmente pensar, em me ignorar um segundo só que for, eu lhe darei tantos tapas que você perderá os sentidos e lhe faltarão dentes para falar comigo! Aí sim terá um bom motivo para não falar nada! - sentenciou a mulher, não transparecendo o tom de brincadeira com que afirmou a ameaça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Mas é claro! É claro ,minha gatinha! E se algum dia eu deixar de falar com você, eu lhe dou o mais inquestionável aval para me estapear até a imbecilidade, porque deve ser justamente esta a razão pela qual faria algo desse tipo. - A mulher esboçou um sorriso que só Deus pôde apreciar naquela penumbra que acolchoava o quarto; abraçou com força aquele braço que estava em volta de seu corpo e fechou os olhos para dormir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Obrigado - disse ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;O homem respondeu o agradecimento com uma série de beijos, e quando terminou perguntou: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Já passaram da meia-noite?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;A mulher inclinou um pouco a cabeça e pode ver com alguma dificuldade as luzes verdes emanadas do rádio-relógio que estava ao lado da figura santa que os protegia todas as noites e confirmou:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Sim, já passou da meia-noite.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Vamos dormir então, minha gatinha, que hoje, logo pela manhã teremos uma grande festa na qual somos a principal atração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- É verdade, vamos dormir, meu amor. - A mulher beijou a mão que recostava em seu peito, e se ajeitou mais uma vez na cama para dormir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;- Feliz bodas de ouro, minha gatinha. - sussurou o homem e lhe deu mais um beijo de boa noite.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="color: black;"&gt;- Feliz bodas de ouro, meu amor.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-5665211426211003321?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/5665211426211003321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=5665211426211003321&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/5665211426211003321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/5665211426211003321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/06/quinqagenrio.html' title='quinqüagenário'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-3624140992222393712</id><published>2008-06-01T17:04:00.002-03:00</published><updated>2008-06-01T17:08:17.214-03:00</updated><title type='text'>Novidade</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Não, senhor, não quero saber destes forjadores de enredos! Em lugar de escrever algo de útil, agradável e consolador, comprazem-se em rebuscar as mais insignificantes minúcias, divulgando-as por aí. Francamente, eu os proibiria de pegar da pena, pois o resultado é que agente lê... e logo, sem querer, se põe a pensar no que leu.... e afinal de contas... fica com a cabeça cheia de disparates. E assim, repito: eu os proibiria de escrever, terminantemente, categoricamente, sem apelo!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Príncipe V.F. Odoiévskii&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extraído de Gente Pobre - Dostoievski, Fiodor - Ed. José Olympio -1960&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-3624140992222393712?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/3624140992222393712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=3624140992222393712&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3624140992222393712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3624140992222393712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/06/novidade.html' title='Novidade'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-4255359752572566230</id><published>2008-04-28T20:54:00.001-03:00</published><updated>2008-04-28T20:56:40.345-03:00</updated><title type='text'>A garota da colina</title><content type='html'>O conto foi feito como o estilo maravilhoso para um trabalho da universidade, como acabei não utilizando, vou colocar ele aqui. xD&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota da colina.&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Estava sempre sozinha na colina de árvores e grama de um verde intenso e impossível, o céu azul e limpo com um sol que trazia o calor de verão, a garota de longo cabelo ficava lá sentada do nascer ao por do sol, aguardando por algo que já havia a tempos esquecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Por que esperava? Por que naquele lugar? Nem ela mesma sabia, mesmo assim ela ficava lá, em um paraíso solitário, um mundo onde apenas a natureza a fazia companhia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Ao seu lado uma pequena cesta com frutas colhidas logo depois de acordar, quando os pomares ainda se lavavam com o frio e delicado orvalho da manhã. Iria comer sozinha, como fazia todos os dias, todas as semanas, meses e anos que estivera lá naquela colina. A paisagem mostrava sua beleza quando o primeiro raio de sol começava a acariciar a terra, e ela assistia como se tudo aquilo fosse inédito, completamente novo, mesmo sabendo que já havia visto e que ainda veria no dia seguinte, adorava, amava tudo aquilo, mesmo não tendo ninguém com quem compartilhar aquele jardim do Éden.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Nunca se sentiu sozinha, não conhecia esse sentimento uma vez que nunca compartilhou sua vida com nenhuma outra pessoa, mas de certa forma seu espírito sabia e ela sentia, mesmo que não soubesse o que era tal sentimento, que precisava de alguém para conversar, alguém com quem pudesse compartilhar seus pensamentos, sua voz, suas palavras; alguém que pudesse tocar, e também ser tocada, queria sentir o conforto de estar em volto aos braços e em companhia de alguém.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Foi depois de não se sabe quantos milhares de anos, vindo das estrelas que surgiam na noite, dizia que foi a pedido de duas amigas que não podiam falar com ela, o sol e a lua, que viera, percorrera uma distancia longa, quase infinita, apenas para encontrá-la. Estava aguardando, de pé e encostado na árvore no topo da colina em que ela sempre se sentava em baixo, passara a noite em claro apreciando toda aquela vastidão bela, que até então só pudera ver em quadros, seus olhos lacrimejaram ao serem tocadas pelos primeiros raios de sol e com a vista embaçada pelas lagrimas, ele limpou com a manga de sua blusa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Não parecia ter reparado na presença dela, parada em pé atrás dele, estática, em choque, não sabia o que fazer, o que falar, esperara anos, dos quais perdera a conta, por aquele momento, uma pessoa além dela própria, alguém com quem pudesse viver. Estava prestes a chorar, mas tinha medo de que se o fizesse aquele rapaz partisse. Queria falar, mas as palavras não se pronunciavam, seus lábios apenas abriam e fechavam, estava muda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Quando se virou ele a viu, então se aproximou dela com os olhos já enxugados das lagrimas, e com um sorriso abriu os braços e girou no lugar como se estivesse mostrando e ao mesmo tempo tentando abraçar toda aquela beleza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“É lindo. Esse lugar em que você vive. É muito lindo.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Ainda sem palavras ela apenas balançou a cabeça em afirmação, olhando fixo para o rosto daquele rapaz desconhecido, como uma criança olha para os pais quando estão dizendo algo extremamente importante, com toda a atenção que consegue ter.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Mas também é muito solitário, não? Você é a única pessoa aqui neste planeta, não é verdade?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Mais uma vez afirmou com um balanço de cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Uma linda prisão para as pessoas que conhecem o sentimento de convívio, um mundo comum para aqueles que nunca virão outras pessoas.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Vim aqui para perguntar se você gostaria de ir para um lugar onde existem outras pessoas.” Disse o rapaz ao virar-se para ela. “Vir junto comigo.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Passaram um longo tempo apenas olhando um para o outro, não tinham nenhuma expressão de duvida, alegria ou tristeza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“E - eu...”, mas a garota não conseguiu terminar, baixou a cabeça e observou a cesta de frutas que segurava pela alça com ambas as mãos em frente ao seu corpo, podia ver algumas maçãs, pêras e amoras colocadas dentro de uma toalhinha de pano em cima das outras frutas para que elas não as esmagassem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Sim?”, fitou-a com um olhar curioso, aguardando que ela terminasse sua frase.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“O - outras pessoas?” Voltando seu olhar novamente para o rosto do rapaz que agora estava mais próximo que antes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;“Sim, muitas delas. Nem todas vieram de planetas tão belos como esse ou tão solitários também. Alguns mal sabem o que estão fazendo lá, outras foram para lá a contra gosto, mas posso garantir para você que existem muitas pessoas de todos os tipos, alegres, bondosas, felizes e que sempre querem compartilhar sua vida com outros.” Fez uma pausa. “Mas...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Mas?” Agora era ela que estava esperando que ele completasse a frase, seus olhos brilhavam, não conseguia imaginar uma pessoa além dela, muito menos um mundo cheio delas, de todos os tipos e repleto de diferentes sentimentos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Você nunca mais poderá voltar para esse planeta em que está vivendo agora.” Completou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Ah...” novamente baixou a cabeça, pensativa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Ambos ficaram em silencio, o vento soprava e o sol já estava no alto do céu, radiante e belo como era todos os dias naquele mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Você não precisa dizer se quer vir junto comigo ou não agora, eu vou aguardar o tempo que for necessário para que você tome a decisão, vou estar todos os dias aqui, debaixo desta arvore, do alvorecer ao anoitecer.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;No raiar do dia seguinte ele a aguardava da mesma forma que estivera no dia anterior, desta vez não carregava cesta alguma, foi ao reparar nisso que o rapaz soube que sua decisão havia sido feita. A garota se despedira de cada lugar que esteve, cada arvore que lhe deu de comer, dos riachos que a deram de beber, da luz do sol e da lua que a acompanhavam em silencio, iluminando seu caminho; também se despediu da grama e do céu, de sua cabana e de cada toalhinha de pano que deixava dobrado gentilmente sobre uma bancadinha de madeira que ela mesmo entalhara com os restos de uma árvore morta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Está pronta?” perguntou o rapaz ao desencostar da árvore.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Ela se aproximou da mesma árvore tocando-a com uma das mãos seu caule rugoso e antigo, uma companheira quieta mas fiel, que a cobriu do sol escaldante e deu um lugar onde sentar e encostar, como um pai que da o colo para o filho cansado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Sim.” Respondeu fechando seus olhos e retirando sua mão do caule. Em seu pensamento ela prometeu que nunca esqueceria aquele mundo, aquele planeta, sua verdadeira casa, seu lar, onde todas aquelas coisas que nunca pronunciaram uma palavra, lhe deram a vida e beleza das quais conheceu desde a nascença.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Vamos.” O rapaz estendeu sua mão e a garota a aceitou. Ambos abriram suas asas olhando para o céu alaranjado que começava a surgir com os primeiros raios de sol, então, ainda de mãos dadas, eles voaram através do infinito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O cheiro de tabaco misturado com café e um clarão a fizeram despertar de seu sono, alguém havia aberto as cortinas do quarto. Ainda atordoada pelo sono, ela se levanta e encosta na cabeceira da cama observando em volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;A porta da sacada do apartamento estava aberta, um rapaz estava sentado lá em uma das cadeiras de lá, com um cigarro em uma das mãos e uma xícara na outra, ele observava o céu; era seu marido que, como de costume, acordava cedo para observar o alvorecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Ao perceber que sua esposa havia acordado quando vira para olhá-la ele sorri e com a mão que segurava a xícara faz um gesto indicando o criado-mudo que ficava ao lado da cama, ela vira e vê uma cesta com maçãs, pêras e amoras, e do lado uma xícara de café.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Estão frescas. São suas preferidas, não?” Diz o rapaz lá de fora na sacada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Com um sorriso alegre ela acena em afirmação em direção ao marido. Dando um gole de seu café e depois pegando uma maçã com a outra mão, se levanta e vai até ao lado dele na sacada e o beija, sussurrando em seu ouvido:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;“Obrigada, amor. Eu te amo.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-4255359752572566230?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/4255359752572566230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=4255359752572566230&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4255359752572566230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4255359752572566230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/04/garota-da-colina.html' title='A garota da colina'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-9143321262486806627</id><published>2008-04-21T20:17:00.002-03:00</published><updated>2008-04-21T20:19:08.979-03:00</updated><title type='text'>Último Fragmento</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;    Nesta noite sinto que meu coração não bate por mim, não é por minhas veias que corre este sangue. Neste exato instante sinto que meu coração bate para o mundo, para aqueles que não tem voz, não tem nada. Por isso não preciso usar minhas palavras para dizer nada. Valho-me dos outros, que fazem meu ofício assaz melhor que eu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A CASA DO OSCAR &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Chico Buarque&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;"&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A casa do Oscar era o sonho da família. Havia o terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.&lt;br /&gt;Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e sai batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguazes, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquale casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.&lt;br /&gt;Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando a minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é a casa do Oscar."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-9143321262486806627?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/9143321262486806627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=9143321262486806627&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/9143321262486806627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/9143321262486806627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/04/ltimo-fragmento.html' title='Último Fragmento'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-6535386930621113461</id><published>2008-04-21T19:40:00.001-03:00</published><updated>2008-04-21T19:41:32.292-03:00</updated><title type='text'>Fragmento de "O Triste Fim de Policarpo Quaresma"</title><content type='html'>"... contudo, quem sabe se outros que lhe seguissem as pegadas não seriam mais felizes? E logo respondeu a si mesmo: mas como? Se não se fizera comunicar, se nada dissera e não prendera o seu sonho, dando-lhe corpo e substância? E esse seguimento adiantaria alguma coisa? E essa continuidade traria enfim para a terra alguma felicidade? Há quantos anos vidas mais valiosas que a dele, se vinham oferecendo, sacrificando e as coisas ficaram na mesma, a terra na mesma miséria, na mesma opressão, na mesma tristeza.   &lt;p class="MsoNormal"&gt;E ele se lembrava que há bem cem anos, ali, naquele mesmo lugar onde estava, talvez naquela mesma prisão, homens generosos e ilustres estiveram presos por quererem melhorar o estado de coisas de seu tempo. Talvez só tivessem pensado, mas sofreram pelo seu pensamento. Tinha havido vantagem? As condições gerais tinham melhorado? Aparentemente sim; mas, bem examinado, não.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Aqueles homens, acusados de crime tão nefando em face da legislação da época, tinham levado dois anos a ser julgados; e ele, que não tinha crime algum, nem era ouvido, nem era julgado; seria simplesmente executado!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fora bom, fora generoso, fora honesto, fora virtuoso -- ele que fora tudo isso, ia para a cova sem o acompanhamento de um parente, de um amigo, de um camarada..."&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O Triste Fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-6535386930621113461?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/6535386930621113461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=6535386930621113461&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/6535386930621113461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/6535386930621113461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/04/fragmento-de-o-triste-fim-de-policarpo.html' title='Fragmento de &quot;O Triste Fim de Policarpo Quaresma&quot;'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-6490067093860868183</id><published>2008-04-03T20:55:00.000-03:00</published><updated>2008-04-03T20:56:06.417-03:00</updated><title type='text'>Do Jabaquara ao Tucuruvi</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;As duas foram jogadas para dentro do metrô, como se duas ondas enormes as tivessem empurrado com toda a força que só a natureza pode exercer sobre nós, pobres seres humanos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Por puro capricho da sorte ou brincadeira do acaso, sentaram-se uma ao lado da outra. A que se encontrava ao lado da janela era Maria e ao seu lado sentou-se Josefa, que ajeitou com presteza seu filho José, que estava sentado em seu colo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Maria trabalha com vendas, adora falar. Deus lhe imbuiu de uma eloqüência digna de vendedores de dietas miraculosas nos programas de final da tarde. Adorava ler, lia tudo! Sabia todas as estações do metrô de cor e salteado. Conhecia todos os remédios para gripe, quais suas composições e melhores ocasiões para usá-los. Conhecia um pouco de tudo, enfim, uma chata.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Josefa, por sua vez, mal sabia escrever seu nome, era uma mulher de vida humilde, família humilde, aparência humilde, fala humilde, enfim, uma chata. Casou-se aos 16 anos com Diego, uma semana depois estava grávida de José, o garoto de 2 anos sentado em seu colo. José, conseqüência da cadeia hereditária e por galhofa de Deus, era muito parecido com a mãe. Assim, tinha uma vida humilde, família humilde, aparência humilde, enfim, um coitado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Enquanto o metro cruzava a estação Conceição, Maria dirigiu-se a José, fez aquela expressão de espanto, forçou a voz em tom infantil, como que para agradar o pobre rapaz e disse:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Mas que menino lindo! Qual o seu nome menino lindo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O rapaz apenas a olhou. Não mudou a expressão séria, não sorriu, pelo que eu me lembro, sequer piscou. Maria olhou-o, depois fitou a mãe e insistentemente dirigiu-se ao menino novamente:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Ué? Está bravo? A mamãe brigou com você? – E o menino permanecia imóvel, irresoluto, como uma estátua.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Maria fez uma expressão de desentendida, deu de ombros e passou a encarar a janela do metrô, sentindo-se completamente contrariada. A mãe de José, Maria, disse em voz baixa, quase sussurrando: “Ele não é muito de falar não, moça”. O fato de Josefa ter se manifestado a respeito do “diálogo” havido despertou a expressão extremamente sapiente que se perpetrava no rosto de Maria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não é de falar? Como pode? Um menino tão grande, tão forte, tão bonito! – Dizia olhando para o rapaz na esperança de que suas palavras surtissem algum efeito mágico e o menino despertasse de seu transe para lhe agradecer enormemente por ter lhe curado da mudez.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É – Respondeu a mãe, no mesmo tom de voz – Ele é mais de gemer, chorar e fazer barulhos estranhos quando quer algo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Entendo. Exatamente como um namorado que eu tive. – Ficaram as duas em silêncio olhando para o chão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Quantos ele tem? – Indagou Maria. – Diz pra moça quantos anos você Zé, diz? – O menino envergonhado escondeu o rosto entre o peito da mãe. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Suspeito que este diálogo não o estava agradando nem um pouco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Sabe, - Maria sempre começava suas preleções assim. Seus amigos mais íntimos quando ouvem o “Sabe” já compreendem o que vai se seguir, e logo inventam alguma razão para fugir ou tentam suicídio (o que é mais comum). – Eu já trabalhei com crianças. É muita estranha essa mudez. Tenho certeza disso. Já li em muitos livros. Ele com certeza tem mais de 1 ano e meio, já deveria estar falando. Ele canta? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Josefa não teve tempo de responder pois Maria continuou:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Pode ser psicológico, já dei uma palestra sobre crianças muito retraídas... – Passaram a estação São Judas, Saúde, Praça da Árvore, Santa Cruz, Vila Mariana, Ana Rosa, e Maria continua incessante:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Nos Estados Unidos, fizeram uma série de testes com macacos mudos... – Josefa fingia prestar atenção com maestria, pois parou de entender o que a outra estava dizendo há umas 5 estações atrás.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Quando o metrô se aproximou da estação Sé, Josefa se levantou, fato que obrigou Maria a interromper, muito a contragosto, o que dizia. Justamente agora que chegaria na parte mais importante! Ia discorrer sobre o que a mudez significada para os Incas, e compararia este significado com a doutrina existencialista de Kierkergaard.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Bom, eu desço aqui. Muito Obrigado moça. Foi um prazer. – Disse Josefa sem saber exatamente pelo que estava agradecendo. Maria limitou-se a sorrir e acenar com a mão. Tenho certeza que em sua cabeça continuava discursando energeticamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;José que já andava ao lado da mãe, segurando sua mão, surpreendentemente proferiu as únicas palavras que iria dizer antes dos 15 anos:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Mamãe, eu prefiro ficar mudo do que falar como essa mulher!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu também filhinho, eu também.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-6490067093860868183?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/6490067093860868183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=6490067093860868183&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/6490067093860868183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/6490067093860868183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/04/do-jabaquara-ao-tucuruvi.html' title='Do Jabaquara ao Tucuruvi'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-3377533141493430798</id><published>2008-03-29T21:29:00.001-03:00</published><updated>2008-03-29T21:30:30.770-03:00</updated><title type='text'>O show deve continuar, mas que show?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Apesar de não me lembrar muito bem, gosto de pensar que muito antes de isso tudo começar eu conseguia sorrir sem sentir um pingo de nervosismo; conseguia aproveitar cada momento como se fosse mais um no meio de uma coleção enorme de boas lembranças. Minha voz não era tão amarga e meus olhos mais brilhosos; não se pareciam como estrelas encobertas pelas nuvens negras numa noite mais negra ainda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando começou, meu corpo foi o primeiro a sentir o golpe. Era como se fossem desferidos inúmeros socos na minha barriga; toda vez que tentava recuperar o fôlego um sorrateiro golpe era novamente desferido. Mesmo com o coração acelerado por conta das pancadas sucessivas e o pulmão nunca integralmente cheio, ainda sentia prazer no por do sol, no cigarro pós-amor, em sentar-me na beira da janela de madrugada para ver as estrelas mais de perto. Ainda tinha tempo para perguntar se as estrelas também me viam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não muito tempo depois do início, pouco antes de meu corpo desabar, minha mente me enviou um bilhete dizendo: “parti para nunca mais voltar, o que você fazia comigo é desumano. Precisei partir. Não me desculpo. Seja feliz”. Me senti como o único ser na Terra cuja mente desistiu de pensar. Obviamente que não pensei em desistir, afinal, pensar já não era uma palavra constante no meu dicionário, e outra, estava no meio da jornada. Para não sucumbir de vez, decidi me esforçar em dobro e forcei minha cabeça sem que ela quisesse trabalhar. Dobrei o tempo e carga do serviço. Minha meta era conseguir meu objetivo ou vegetar tentando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Pouco tempo depois de minha inócua tentativa em busca de me tornar algo maior que eu mesmo, talvez uns dois dias, não havia, para mim, mais carros na rua, nem estrelas, nem bitucas, nem cachorros ou pessoas. Restara apenas eu e eu mesmo no mundo, os dois seres que mais odeio, completamente insuportáveis. Dei graças à Deus quando sucumbi de tanto me esforçar para me esforçar. A questão é que me esgotei. De tanto me dar chibatadas, me prostrei diante de mim mesmo, cerrei os dentes, enxuguei os olhos, encarei-me frente à frente, olhos nos olhos. Prossegui. Não fui muito inteligente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando dei por mim, ainda trajava o pijama da semana passada, o chinelo estava no mesmo lugar, mas já não era eu quem os calçava, já não era eu quem tomava o café pelas manhãs e seguia direto para o quarto. Não havia mais dias nos meus dias, apenas repetição, dia ou noite, chá ou cara no chão, repito, era tudo repetição. Havia perdido minha mente, agora perdi meu corpo. Me tornei máquina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Alguns dias antes do final pensar em se aproximar, cogitei - como já disse, me era impossível pensar - sorrir e experimentar abrir a janela, sentir o vento, a brisa, mas não consegui. Não tinha tempo para perder. Gastava meus segundos com neurose, meus minutos com fixação e minhas horas se esvaiam por si só.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Era um domingo, aproximadamente às 14 horas. Chegou o tão esperado momento: O fim. Fiz o que tinha que ser feito e para tanto vendi minha alma, meu corpo, meu sangue, mas não sei até agora se foi o suficiente. Confesso que me surpreendi: é que não obstante as horas que eu acreditei ter desperdiçado, as estrelas que julguei que haviam morrido, estavam todas lá ainda. As pessoas ainda eram as mesmas, as árvores, os pássaros, as bitucas. Apenas eu mudei. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;As coisas nunca mudam. Não importa o quão mártir você seja ou o quanto você queira que o mundo sucumba aos seus sacrifícios pessoais: as coisas não mudam, as pessoas não mudam. Talvez essa imutabilidade seja a única forma do Universo nos mostrar que todo sacrifício é inútil, que as coisas sempre serão as mesmas, e não importa o que aconteça conosco, a Terra vai continuar girando e girando e girando...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-3377533141493430798?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/3377533141493430798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=3377533141493430798&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3377533141493430798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3377533141493430798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/03/o-show-deve-continuar-mas-que-show.html' title='O show deve continuar, mas que show?'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-1879535788243488705</id><published>2008-02-16T18:24:00.001-02:00</published><updated>2008-02-16T18:27:06.554-02:00</updated><title type='text'>O artista</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E é neste momento que o artista rouba a cena. Se eu fosse artista colocaria no papel o que meu coração insiste em gritar, meus ouvidos se forçam a musicar mas minha boca não consegue pronunciar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Se eu fosse artista saberia escolher as palavras mais belas e as organizaria de modo que te fizessem corar, seu sorriso se abrir e seu peito arquejar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas não sou artista, não sou escritor, muito menos poeta. Não há cartazes na rua com meu rosto estampado, não há sessão de autógrafos nem nada no meu nome que me façam identificar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mesmo assim faço questão de suar, perder noites de sono e horas de acordar apenas na esperança de ver o palco todo se iluminar com brilho de seus olhos acompanhados da ovação do seu riso, e, mesmo que tudo perdure a eternidade de um segundo, sentir em um abraço, mesmo que singelo, seu coração me aplaudir de pé.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas, apesar de tudo, há um momento em que o artista sai de cena e é obrigado a ver a cortina se fechar, a orquestra parar e os aplausos amainarem; sem reconhecer um rosto sequer e sem ter sorriso a almejar disfarça-se de sujeito comum e saí pela porta dos fundos rumo a um quarto de hotel qualquer, que de ser igual aos outros, nunca mais vai se lembrar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu, que não sou artista, recolho-me ao bar, onde poderia ser tido por um artista qualquer; peço a bebida mais cara, acendo um cigarro, mas sem beber nem tragar durmo cansado de esperar alguma coisa que me prove que vale a pena esperar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao acordar e lembrar que não sou artista, pego minha jaqueta, pago a conta do bar e ando na rua em busca de um rosto familiar qualquer. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Chego em casa com o Sol a me empurrar, jogo as chaves na mesa, que está posta e recito um poema de amor àquela que estás a dormir e sonhar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sonha que sou artista, ilumina meu palco com o brilho de seus olhos acompanhados da ovação do seu riso; e com entusiasmo de fã incondicional, me abraça pela eternidade, fazendo meu coração sentir seu coração aplaudindo de pé.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-1879535788243488705?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/1879535788243488705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=1879535788243488705&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/1879535788243488705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/1879535788243488705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/02/o-artista.html' title='O artista'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-4644023384113587944</id><published>2008-02-08T21:42:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T21:43:57.763-02:00</updated><title type='text'>O Último Ato (Cap. 3)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;3 – Uma menina má.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;No dia seguinte e nos próximos passei a buscá-la na escola, caminhávamos durante 45 minutos, ela me contava como havia sido o seu dia, o que iria fazer para o almoço enquanto eu contava sobre as coisas de quando ainda era pequena, como era o meu trabalho no exterior e também como era viver &lt;st1:personname productid="em Londres. Curioso" st="on"&gt;em  Londres. Curioso&lt;/st1:PersonName&gt;, mas não me lembrava de como havia sido a minha estadia em Londres, parecia estar em uma outra época, distante da qual eu estava vivendo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Yuki, como Marcio havia me contado, nunca comentava nada sobre Bianca nem Kenji, parecia evitar qualquer assunto que se relacionasse com eles. Eu também nunca forcei ela a falar nada a respeito, estava bom daquela maneira, afinal de contas, tinha todo o tempo do mundo. Pelo menos foi o que pensei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Nunca pedia para entrar em sua casa, nem ela me convidava. Não me importava com isso, pois mesmo se me convidasse, não saberia o que falar ou fazer e também não queria mais ficar naquela casa, ainda não me sentia muito confortável com aquele ambiente tão melancólico que contrastava com as minhas lembranças felizes que tive.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Sexta feira chegou, perguntei a ela se não queria almoçar comigo, pois ficar cozinhando todos os dias deveria dar trabalho e queria passar um pouco mais de tempo com ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Desculpe Tioshi.”, respondeu ela. Estávamos na saída da escola. “Mas eu preciso cozinhar para mamãe também. Ela está muito doente, sabe? Então não consegue fazer as tarefas da casa, por isso eu faço pra ajudar ela.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Aquela foi a primeira vez em dias que ouvi ela falar de Bianca, assim como a chamar de “mamãe”, fiquei surpreendido com a mudança de animo dela. Quando me viu ao sair da escola estava feliz, mas quando perguntei sobre almoçarmos fora, toda a tristeza pareceu envolver ela. Devia ser muito difícil mencionar a mãe de forma tão livre assim, pensei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Se eu não faço nada para mamãe comer, ela simplesmente fica sem comer nada, sabe? Então eu não quero que isso aconteça de novo.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“De novo?” perguntei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sim...”, sua voz ficou mais fraca, não sabia se deveria ou não falar, depois de um tempo ela respirou fundo e parou de andar, ainda olhando para o chão sem se virar. “Eu te explico depois, Tioshi.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Não exigi mais explicação, aquilo já era um avanço bem grande.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Tioshi?”, perguntou ao chegarmos à entrada da casa dela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sim?”, passando as sacolas das compras pra ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Amanhã eu vou cumprir minha promessa, ok? Vou até a sua casa fazer um almoço bem gostoso.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Hã?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Eu só preciso saber onde você mora, eu consigo chegar lá, não se preocupe.”, disse sorrindo por entre o portão aberto, nenhum sinal de Bianca, nem nas janelas, nem na porta da casa, mas sentia que de alguma forma, ela estava acordada naquele lugar triste, cheio de memórias felizes que faziam a vida dela ainda mais difícil de se viver.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Eu venho pegar você, naquela praçinha sabe? Isso se estiver tudo bem pra você, eu vou ter que sair de manhãzinha mesmo, então não vai ser problema dar uma passada aqui na volta.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Ok, onze horas está bom para Tioshi?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Claro, onze horas estarei na praçinha para te pegar.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Hum!”, balançando a cabeça &lt;st1:personname productid="em afirma￧￣o. Com" st="on"&gt;em afirmação. Com&lt;/st1:PersonName&gt; um sorriso de criança no rosto, ela fechou o portão e correu com as compras para dentro de casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;O cheiro de comida caseira que não sentia, o que pareciam ser, há séculos, se espalhou pela casa onde meus pais moravam. Estava na cozinha sentado fumando um cigarro e lendo um livro que havia comprado durante a manhã, precisava ler algo por isso resolvi sair sábado logo cedo para comprar um e também para comprar uma outra coisa mais importante. Yuki cantarolava uma canção que eu não conhecia enquanto picava alguns legumes, me perguntei se ela ficava tão feliz assim a ponto de cantarolar enquanto cozinhava na casa dela com uma mãe que havia esquecido da sua existência.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Está muito bom!”, e realmente estava, talvez pelo fato de fazer anos que não comia nada caseiro. Fiquei impressionado com a habilidade de cozinhar da Yuki. “Muito bom mesmo! É incrível! Você é uma cozinheira muito boa, Yuki.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Tioshi acha mesmo?!”, soltou uma risadinha contente. “No começo eu queimava tudo, mas aprendi com o tempo. Agora eu posso fazer qualquer receita que eu ver.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Isso é bom, muito bom. Tioshi só comia comida congelada e macarrão instantâneo, nunca fui bom cozinheiro, sabe.”, dando mais uma garfada na comida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Comemos &lt;st1:personname productid="em silêncio. Quando" st="on"&gt;em silêncio. Quando&lt;/st1:PersonName&gt; terminei retirei os pratos e coloquei sorvete em dois potes, era de flocos, ela costumava gostar desse sabor. Ao sentar-me vi ela colocar na boca um pedaço grande, não devia tomar muito sorvete, pensei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Me diga, Yuki?”, perguntei para ela, ainda sem tocar no meu pote com o sorvete.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sim? Tioshi?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Amanhã é o seu aniversário, não? O que você pretende fazer? Uma festinha ou algo assim?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Hum...”, pensou por um momento. “Eu não faço festas no meu aniversário, geralmente eu faço um bolo pequeno e ganho alguns doces do dono do mercado perto de casa, aquele que agente sempre vai. Não faço mais nada.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Fiquei imaginando a cena dela na casa, fazendo um bolo e comendo sozinha para celebrar o seu aniversário. Senti uma pontada em meu coração com aquele pensamento, e estremeci. Nem mesmo eu teria tanta força quanto ela tem para continuar vivendo assim, teria enlouquecido antes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“E a sua mãe?”, perguntei. “Vocês não comemoram juntas?”, não custava nada tentar essa pergunta, queria ver a reação dela, no fundo, acredito, eu ainda não tinha admitido completamente aquela situação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“A mamãe...”, disse sem tirar os olhos da última bola de sorvete do pote que eu havia colocado pra ela, estava derretendo com as mãos dela o segurando. Nunca ouve continuação para aquele pensamento, não conseguia imaginar também o que ela diria, nem mesmo imaginar a tristeza que havia se acumulado naquele coraçãozinho tão pequeno.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“De qualquer maneira.”, falei olhando para ela, quebrando o longo silencio que tinha se posto entre nós. “Porque você não vem comigo à tarde depois do almoço? Podemos sair para comemorar agora que estou aqui. Podemos ir para o parque, depois para o cinema, ou onde você quiser. É domingo mesmo.”, fiquei animado com a minha proposta, queria dar o presente para ela que comprei durante a manhã também, mas acima de tudo, queria vê-la feliz, não aquela felicidade forçada que impunha para ela mesma, mas uma genuína, sem preocupações. No entanto a reação dela foi tudo menos alegria, ainda estava triste olhando para o pote.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Por quê?”, perguntou ela começando a soluçar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;Falei algo errado?&lt;/i&gt;, pensei. “Como assim por quê?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Por que você está fazendo isso?”, as lágrimas caiam, ainda não olhava para mim. “Por que você está fazendo isso por mim? Por que perde o seu tempo, Tioshi?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Como assim? Eu não to entendendo. Como assim perdendo meu tempo? É o seu aniversário, eu sou o seu tio afinal de contas, então como assim “Por quê?”. Você não quer ir? Se for é só falar Yuki. Não tem problema nenhum.”, estava espantado pela reação tão inesperada dela, mas consegui formar um sorriso. A verdade é que queria passar mais tempo com ela, talvez mais por mim do que por ela, queria me redimir com Kenji, sentia essa necessidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Eu sou uma menina má...”, disse ela em meio aos seus soluços e lágrimas. “Papai foi embora por minha causa, porque não ajudava a mamãe. E agora eu posso ajudar a mamãe, Tioshi! Eu to ajudando a mamãe...”, colocou a cabeça entre as mãos. “Não é? Eu to ajudando a mamãe! Então porque o papai não volta? Porque a mamãe não me reconhece de novo?!”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Não consegui me mover, as pernas fraquejaram, me senti leve e pesado ao mesmo tempo, a cabeça girava, parecia a mesma coisa que senti quando recebi a noticia da Bianca de que Kenji havia morrido. Controlei a respiração, sentei-me ao lado dela e a abracei contra o peito. Sentia as lágrimas morna molhando a minha camisa, passava a mão pelo seu cabelo, encostei o queixo em sua cabeça e deixei que as minhas lágrimas escorressem também.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;No dia seguinte após o almoço visitamos vários lugares, primeiro levei ela ao parque de diversão, um ônibus fretado saia perto da casa dela o que facilitou as coisas, quando voltamos já era fim de tarde, vimos um filme no cinema, que eu dormi e por isso ela deu risada, durante a janta ela me contou como era o filme, incrivelmente ele parecia ser de ação o que me surpreendeu por eu ter dormido, mas pelo menos deixou um assunto bem amplo que durou a janta inteira e, mais importante, realmente senti que Yuki estava se divertindo. Contava alegre sobre os feitos do herói da historia, de como ele resgatava a mulher que amava e se casavam no final e os bandidos acabaram derrotados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Voltamos em um ônibus vazio do centro, ficamos sentados no fundo, ela estava abraçada em meu braço direito, com a cabeça encostada no meu ombro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Queria que esse dia nunca acabasse.”, murmurou enquanto apertava mais firme seus braços em volta do meu. “Queria que papai estivesse aqui.”, e adormeceu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Segunda feira esperei em frente ao portão da escola como de costume. Após todos partirem, não vi sinal de Yuki, pensei que tivesse faltado. Quando comecei a andar em direção a casa dela, fui parado por uma mulher que saia dos portões da escola.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Você está esperando por alguém?”, perguntou ela quando se aproximou, seu olhar era simpático e tranqüilo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sim, mas acho que ela faltou hoje.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“E quem seria ela?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Yuki. Yuki Kanekawa.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Ela olhou um pouco assusta para mim ao ouvir o nome, mas logo voltou ao seu olhar simpático. “Desculpe, mas o senhor é?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Shinji. Shinji Ichinose. Sou o padrinho dela.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Shinji.”, pensou por um momento. “Ah! Ela me falou sobre você. Você deve ser muito especial para ela. Yuki esta sempre empolgada contando a seu respeito, ela até me contou uma de suas historias.”. Estendeu a mão para me cumprimentar. “Camila. Sou a diretora da escola. Por favor, vamos a minha sala.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Após nos cumprimentar fui a sua pequena sala, com muitos armários velhos de arquivos, uma estante de livros dos quais nunca ouvi falar. Sentei-me em uma cadeira em frente a mesa, do lado oposto em que ela estava sentada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Senhor Shinji.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Só Shinji está bom.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Shinji.”, fez uma pausa, parecia preocupada e por isso acabei ficando também. “Você não soube?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Do que?”, o coração bateu forte, coisa boa não podia ser. Mesmo assim não queria acreditar, o dia anterior foi tão bom que, ao terminar, acreditava que as coisas iriam melhorar para Yuki.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Bianca passou mal, foi parar no Hospital. Yuki ligou e me contou que ficaria com ela até se recuperar.”, parou por um instante e respirou fundo. “Sinto muito.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Realmente, foi uma ilusão acreditar que as coisas podiam melhorar. &lt;i style=""&gt;Pensamento positivo, Shinji. Você ainda tem tempo. &lt;/i&gt;Pensei. Tempo? Tempo para que? Por um momento uma lembrança voltou, mas tão rápido quanto veio, ela se foi. Estava esquecendo algo importante, só não podia me recordar do que.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Em que hospital elas estão?”.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;/p&gt;--Fim do capitulo 3&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-4644023384113587944?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/4644023384113587944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=4644023384113587944&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4644023384113587944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4644023384113587944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/02/o-ltimo-ato-cap-3.html' title='O Último Ato (Cap. 3)'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-3750537635994086265</id><published>2008-02-04T14:18:00.000-02:00</published><updated>2008-02-04T14:22:24.804-02:00</updated><title type='text'>O Último Ato (Cap. 2 - Parte 2)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Ao passar em frente a entrada da casa vizinha reparei que um senhor de idade estava me observado apoiado ao portão. Quando cruzamos nossos olhares ele sorriu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“É parente da Bianca?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Não, eu sou o padrinho da Yuki, mais de consideração da família. Amigo do pai dela e da Bianca também.”, respondi me virando para ele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Nunca te vi antes por aqui.”, disse um pouco desconfiado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Estive fora por seis anos, voltei ontem e vim visitá-los.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“A sim.”, pensou por um momento. “Padrinho da Yuki...”, esfregou seu queixo com a mão direita mantendo o apoio no portão com a esquerda. “Gostaria de entrar? Eu gostaria de conversar um pouco com você.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Pensei por um momento antes de aceitar. Era um senhor velho e simpático, não vi mal em aceitar o convite, também não iria fazer nada nem hoje nem nos próximos dias. Confesso que estava curioso também, queria saber mais o que eu perdi em minha ausência.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Uma garotinha adorável.”, disse ao colocar bolachas e café na mesa de centro da sala, se sentou em uma poltrona em frente do sofá em que eu havia me acomodado. “Yuki, eu digo. Está sempre sorrindo, feliz. Cumprimenta a todos do bairro e ajuda com as compras. Muito adorável. Mas...”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Mas?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“A mãe dela, Bianca. Muito triste sua historia, soubemos pelos seus familiares.”, tomou um gole do café. “Íamos visitar Yuki algumas vezes, mas sempre recebíamos a noticia da Bianca que não conhecia nenhuma Yuki, ou tinha alguma filha.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Vocês não fizeram nada a respeito?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Senhor...”, olhando para mim esperando que eu me apresentasse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“A sim. Me desculpe. Meu nome é Shinji.”, me levantei e estendi a mão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Marcio.” Nos cumprimentamos, ao se sentar novamente continuou. “Como sabe todos que moram nesse bairro são velhos. Ninguém tinha muito contato com a família da Yuki, víamos as festas há muito tempo, conversávamos um pouco com os parentes dela, mas só quando aquele rapaz - Kenji não é esse o nome do pai? – parou de aparecer no bairro que Yuki passou a ficar mais tempo fora de casa, caminhava pelo bairro e parava na praça próximo ao mercado, então muitos do bairro iam para lá aproveitar os dias de sol e acabamos a conhecendo melhor. Apesar de tudo ela não fala nada a respeito da mãe, só que está muito doente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Ao passar dos dias notamos que ela voltava sozinha da escola,” continuou. “e é uma longa caminhada de lá para cá, tentei convencê-la voltar de ônibus, mas ela disse que preferia a caminhada, assim podia pensar no que fazer para o almoço. Até alguns anos atrás eu acompanhava todo o percurso com ela, mas como pode ver já estou velho.”, e olhou para a bengala ao lado de sua poltrona como se confirmasse o que disse. “Mesmo assim todos do bairro se apegaram a ela, e depois da mãe dela falar aquelas coisas estranhas de não conhecer a própria filha, ficamos muito preocupados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Os parentes vinham visitar ela constantemente, e descobrimos por eles que após a partida do marido ela entrou em uma profunda depressão, sua saúde fraca não ajudou também. Além de tudo ela esqueceu a existência da filha, apesar da Yuki fazer toda as tarefas de casa, ela simplesmente ignora a presença da filha.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“E a família dela não tentou fazer nada?”, perguntei tomando o resto do café que esfriava, peguei uma bolacha, estava muito bom.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Diziam estar cuidando das coisas, que era melhor deixar ela sozinha. Depois da noticia da morte do marido os médicos disseram que se tirassem a filha dela, poderia ser pior, ela poderia se matar.”, pegou uma bolacha também, mordiscou um pedaço e ficou segurando o resto. “A família ficou sem saída, não queriam enviar a Bianca para um asilo, mesmo porque sabiam o quanto ela amava Kenji e a filha, por isso pensaram que era só uma questão de tempo. Mas conforme os anos passaram, menos e menos víamos os familiares a visitarem, até que um dia simplesmente pararam, esqueceram a existência dela e da Yuki.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Não pareciam ser os mesmos familiares dos quais me lembrava. Estavam sempre tão unidos, seriam capazes de simplesmente esquecer Yuki e a Bianca. Mas todos temos problemas, talvez conforme o tempo passou e as dificuldades aumentaram para todos eles foram deixando elas de lado, pensando que o tempo curaria a situação de Bianca. Estavam errados, e eu ainda mais, estive errado antes mesmo deles, errei ao sair do país sem tentar mais, ou pelo menos por perder o contato com eles.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Não parece que é algo que a família dela fizesse. Esquecer elas dessa maneira, quero dizer.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“E não foi.”. Comeu o resto da bolacha. “Uma hora nos cansamos, senhor Shinji. Todos tem seu limite, o da família dela foi longo. Como ultimo recurso queriam deixar Bianca em um asilo, a mãe impediu isso, houve uma grande gritaria, Yuki chorava e a Bianca ficava quieta como se estivesse em um transe, em um outro mundo, entende o que eu digo? A mãe até continuou a vir por mais tempo, vinha todos os finais de semana, passava um tempo com a filha e depois ia para o parque com a neta. Essas visitas durante os fins de semana mudaram para uma vez ao mês, depois uma vez a cada dois meses, até que parou de visitar, acredito que ela também já estivesse muito velha para fazer as longas visitas.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Entendo, então...”, não conseguia me focar em nada, ainda estava pensando nas coisas que ele havia me contado, tentando reconstruir aquelas lembranças através das quais me narrou. Ele esperou que eu continuasse, mas não havia mais nada para falar. Me levantei e preparei para sair.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Não é culpa dela senhor Shinji. Não culpe Bianca.”, disse se levantando, indo abrir a porta para mim. “Ela devia amar muito o Kenji, pelas historias que ouvi, eram como almas gêmeas. Talvez eles se completassem, cada um com uma asa, e quando ele se foi, ela perdeu a sua outra asa e com isso o seu rumo neste mundo. Desculpe senhor Shinji. Apenas um devaneio de um velho, não de atenção.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Não se preocupe.”, passando pelo portão olhei para a rua, já era fim de tarde. Vi a casa de Bianca mais uma vez. “A única pessoa que eu culpo, sou eu mesmo por ter permitido que tal coisa acontecesse.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Antes de me despedir do Marcio no dia anterior perguntei onde Yuki estudava. Ele me deu o endereço e agora estava em frente a escola.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Estava esperando pelo sinal do término das aulas do dia, haviam muitos pais em volta e, assim que o portão abriu, muitas crianças saíram, dificultando a minha visão, foi então que me lembrei: não sabia como ela estaria agora com doze anos de idade. Isso me assustou, não pensei nisso e agora não sabia o que fazer, tinha que observar todas aquelas dezenas de crianças saindo e imaginar qual seria a Yuki. Me aproximei junto aos pais, e observei da forma mais atenta possível, a única certeza que tinha era de que ela sairia de lá andando e ninguém estaria esperando por ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Tioshi?”, ouço a voz de uma menina por entre a multidão de crianças. “Tioshi?!”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Ela sai da multidão e vem correndo em minha direção, quando para na minha frente fica me olhando com os olhos bem abertos e um sorriso largo no rosto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Yuki?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Tioshi! É você! Eu sabia!”, pulou pra me abraçar, me curvei um pouco devido a nossa diferença de altura, ela estava completamente diferente de como a lembrava, seis anos realmente foi bastante tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Yuki! Como você cresceu menina!”, disse após solta-lá do abraço.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Hihihi. O que você está fazendo aqui?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Fiquei sabendo que você estudava aqui, e como estava andando na região resolvi ver se te encontrava.”, respondi enquanto caminhávamos para fora da multidão de crianças e pais que se encontravam para voltar para casa. “Mas acho que foi o contrario, né? Como você sabia que era eu?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sabe que eu não sei?”, respondeu ao passar pelo ultimo grupo de mães. “Tioshi é Tioshi, eu olhei para você e a primeira coisa que me veio à cabeça foi você! Tioshi. Eu não me lembrava mais do seu rosto, mas no fundo eu senti que era você!”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Ainda não perdeu a mania de me chamar assim?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Desculpa.”, ficou um pouco triste, parecia que ela sentia ter me ofendido e estava arrependida, seus olhos baixaram para a rua e fez silêncio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Para que as desculpas? Não me importo mais que você me chame de Tioshi, pra falar a verdade até fiquei muito feliz por ter ouvido você me chamar assim de novo.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sério?!”, ficou toda feliz.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sim.”, ela começou a andar e eu acompanhei seu ritmo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Tioshi vai me acompanhar?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“É claro, faz tempo que não conversamos. Vamos aproveitar a caminhada para falar um pouco.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Eu tenho que passar no mercado antes de ir para casa, Tioshi não se importa?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Claro que não!”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Onde você esteve todo esse tempo, Tioshi?”, perguntou enquanto caminhávamos em direção ao mercado, estava sendo guiado por ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Trabalhando no exterior.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Estava feliz ao ver que ela estava com saúde e animada apesar da situação. Mas no fundo, sabia que estava triste e que guardava toda essa tristeza para si, para não preocupar os outros. Ela havia se tornado uma menina muito forte, Kenji, assim como eu, estaria muito orgulhoso dela se estivesse vivo. &lt;i style=""&gt;Kenji...&lt;/i&gt; Ainda não conseguia aceitar a situação, a morte dele, o estado de Bianca e a tristeza e bravura de Yuki. Nenhuma criança deveria passar por algo assim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;O mercado era no bairro onde a casa dela ficava, era um lugar pequeno, típico mercadinho de bairro residencial. Ela sabia exatamente onde procurar o que queria, provavelmente, pensei, por fazer compras regularmente lá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Desculpa, Tioshi.”, falou parando em frente de onde ficavam os legumes. “Eu não posso convidar você para almoçar em casa...”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Ora, não se preocupe com isso, eu vou almoçar em casa hoje.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Fizemos silêncio até ela terminar de pegar as coisas que precisava e passar pelo caixa do mercado, até que olhou para mim enquanto guardava as compras na sacola.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Prometo para Tioshi que vou fazer um almoço muito gostoso qualquer dia. Eu sou boa cozinheira, sabe?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Parei por um momento, com a alface em uma mão e sacola na outra. “Tenho certeza que sim.”, e quando a guardei na sacola continuei: “Hum! Eu vou aguardar ansioso por isso então.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Ok! É uma promessa, então!”. Saímos com as sacolas do mercado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Nos despedimos&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;na frente da casa dela. Ela não me convidou para entrar, também não insisti para isso. De certa forma foi bom ter visitado Bianca antes, se não o tivesse feito, provavelmente iria pedir para entrar e vê-la, com isso as coisas poderiam se agravar, principalmente para Yuki que estava fazendo força para não me contar nada talvez para não me preocupar com ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Amanhã eu vou buscar você de novo na escola, tudo bem?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Não quero atrapalhar, Tioshi. Por favor, não precisa. Eu já estou acostumada.”, disse ao entrar pelo portão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Não vai me atrapalhar, eu estou de folga...”, cocei a cabeça meio sem jeito e dei uma risada. “Na realidade estou de férias e não tenho nada para fazer, é serio. Amanhã eu venho te pegar, me espera na entrada da escola, ok?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Yuki parou por um momento, pensou e pensou, mas não conseguiu esconder a alegria. Tentou fazer uma cara séria, mas não conseguiu. “Se Tioshi diz que não vai atrapalhar então tudo bem.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Até amanhã então, Yuki.”.&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;--Fim do capitulo 2.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-3750537635994086265?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/3750537635994086265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=3750537635994086265&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3750537635994086265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3750537635994086265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/02/o-ltimo-ato-cap-2-parte-2.html' title='O Último Ato (Cap. 2 - Parte 2)'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-218862434832779485</id><published>2008-01-28T21:40:00.000-02:00</published><updated>2008-01-28T21:43:20.848-02:00</updated><title type='text'>A Miopia e a Genética</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Assim está bom?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Sim. Perfeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- E agora?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Agora embaçou um pouco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Agora?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Está bom.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Assim costumam se desenrolar minhas visitas ao oftalmologista. Continuo com olhos de lince míope: 4,0 e 4,5 no olho esquerdo e direito, respectivamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Enquanto o Dr. Miura preenchia as informações em seu computador, eu gastava meu tempo observando a paisagem de seu imenso consultório. Imaginava a função de tantos aparelhos e objetos, alguns pontudos até.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Para mim, ser oftalmologista é uma das profissões mais difíceis do mundo, quiçá da galáxia. É preciso deduzir, ter um &lt;i style=""&gt;feeling&lt;/i&gt; do paciente, quase um chute mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Imagine que, como de praxe, o Doutor peça para uma senhora sentar-se na cadeira situada no fundo do enorme consultório enquanto ele prepara o aparelho em seu rosto, ajeitando as lentes, o foco, as letrinhas iluminadas na parede em tamanho médio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Então ele apaga a luz, faz um último ajuste no aparelho grudado no rosto da senhora e pergunta, já apontando para as letrinhas refletidas na parede:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- E então? Assim está bom?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Sim. Não dói nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Mas a Senhora consegue enxergar bem assim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Sim, consigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- A Senhora poderia ler para mim as letrinhas na parede?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Que letrinhas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Aquelas refletidas na parede.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Que parede?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Enfim, eu, com minha paciência de motorista paulistano, jamais conseguiria exercer o ofício de oftalmologista, nem por uma hora, nem para dilatar a pupila dos velinhos e crianças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;O Dr. Miura terminou de mexer no computador; anotou o grau de meus olhos em uma ficha, para que eu pudesse fazer meus novos óculos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Quando já havia me levantado para sair, notei um porta-retrato com uma foto do Dr. Miura de shorts, óculos de mergulho, pé de pato, abraçado com uma mulher e três crianças em volta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- São seus filhos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- São sim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- São bonitos. Puxaram à mãe né?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;O Dr. Miura limitou-se a me conceder um sorriso de canto de lábio: o qual para os japoneses equivale a uma risada forçada ou educada que nós brasileiros tanto usamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Mas enfim, pai é quem cria, não é mesmo? – Disse brincando enquanto esticava as mãos para cumprimentá-lo e me retirar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Não é não. – Respondeu o doutor me cumprimentado e sorrindo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Acho que minha cara de espanto o obrigou a concluir o raciocínio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- Embora possa parecer difícil de acreditar, na faculdade nós estudamos um pouco de psicologia. Aprendemos que: pai é quem gera a criança e não quem educa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Larguei a mão do médico – oftalmologista é mesmo considerado médico? – Sequer tentei me defender da piada de mal gosto proferida por mim instantes atrás, balancei a cabeça levemente, como que processando a informação: não esperava tal resposta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;- O DNA marca a pessoa, como uma tatuagem. – prosseguiu entusiasmado o Doutor – Assim, a criança terá um vínculo eterno com o pai, o homem que a gerou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Me sentei na cadeira de couro novamente, não tanto porque estava tão interessado no assunto, mas porque vi que o homem não iria parar a preleção tão cedo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;O Dr. Miura, com notável eloqüência, discorreu acerca da importância de se reconhecer aquele que deu início a tudo. Seja ele Deus, o pai, a pessoa que antes de você chegar ocupava seu cargo na empresa em que você trabalha, os portugueses que ocuparam o Brasil. Não importa se o resultado foi positivo ou negativo, mas aquele que nos antecede merece o mínimo de respeito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Mesmo sentado em sua cadeira, o Doutor gesticulava e reiterava suas afirmações, dizia que o pai biológico é insubstituível e deve ser sempre respeitado; fazia inúmeras analogias para dissecar o assunto até este se esgotar em si mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Engraçado que de um momento para o outro aquele homem cujas únicas palavras tinha ouvido antes eram “E agora? Consegue enxergar?”, estava compartilhando seus conhecimentos de psicologia, metafísica e budismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Confesso que as palavras do Dr. Miura, me tocaram, senão não às colocaria, mesmo que de forma sintética e grosseira, nestas linhas tortas. Fiquei muito impressionado por ter o Dr. Miura falado ininterruptamente por trinta minutos, parando apenas para respirar: Primeiro porque não sabia que os japoneses davam discursos longos e segundo por confiar na minha capacidade de entendimento do assunto. Afinal, em momento algum fiz ou disse qualquer coisa que indicasse meu conhecimento acerca de qualquer tema.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Assim que ele terminou me levantei, cumprimentei-o novamente, evitei qualquer comentário que pudesse ocasionar um segundo &lt;i style=""&gt;round&lt;/i&gt; e saí. A sala de espera estava lotada. Creio que os que ali esperavam imaginaram que meu estado era grave, afinal, minha consulta deve ter demorado mais de uma hora. Devem ter se perguntado: Será que vai ter que arrancar os olhos? Usar olhos de vidro? Coisas do gênero.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Agora, toda vez que espero por muito tempo pelo atendimento de qualquer médico, imagino qual o tema em pauta na sala. Estará ele discutindo o sentido da vida, a importância das células-tronco, o governo Lula? E toda vez que o paciente sai da sala após longas consultas fito-o com olhar desconfiado e confuso: devo agradecê-lo por ter sido ele meu antecessor ou será que é daqueles que não enxergaram as letrinhas na parede?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-218862434832779485?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/218862434832779485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=218862434832779485&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/218862434832779485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/218862434832779485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/01/miopia-e-gentica.html' title='A Miopia e a Genética'/><author><name>André</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07193950479156506737</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-6561490144046078952</id><published>2008-01-27T16:27:00.000-02:00</published><updated>2008-01-27T16:30:11.287-02:00</updated><title type='text'>O Último Ato (Cap. 2 - Parte 1)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;2 – Reencontros e Descobertas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Seis anos se passaram e estou retornando à minha terra natal, uma semana para o aniversário de Yuki. Perdi o contato com todos quando deixei o país, e agora não sabia o que tinha acontecido em minha ausência, todos os meus familiares se mudaram para outra cidade e também não mantive contato constante com eles, me lembrei de Yuki quando acordei no avião com a aeromoça me informando nossa chegada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Ficaria na antiga casa de meus pais, e durante todo o percurso não parava de pensar no que Kenji estaria fazendo, se já retornara de sua viajem a trabalho, como Bianca estaria e a aparência de Yuki agora com onze anos e daqui uma semana, doze.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Felizmente meus pais deixaram o meu quarto como estava antes de eu partir, pude achar minha agenda com os telefones. Encontrei o da casa onde Kenji e Bianca moravam, estava sem linha telefônica, então fui até um telefone publico de um posto de gasolina que ficava próximo de casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Já era fim de tarde quando liguei para o número que constava na minha antiga agenda, assim que coloquei o cartão torci para que eles não tivessem mudado de número. Uma mulher com voz suave e fraca atendeu, parecia estar doente pela maneira que pronunciava as palavras, ou muito cansada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Alô?”, dizia a voz da mulher.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Boa tarde. Com quem eu falo?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Bianca. Com quem você gostaria de falar?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Bianca? Sou eu o Shinji, você se lembra de mim?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Shinji...?”, ouve um silêncio, provavelmente tentava se lembrar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Shinji!”, tossiu após a surpresa. “Há quanto tempo! Nunca mais ouvi falar de você!”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Desculpe, perdi o contato com as pessoas daqui, por sorte encontrei esse numero em uma agenda antiga &lt;st1:personname productid="em casa. Como" st="on"&gt;em casa. Como&lt;/st1:PersonName&gt; estão as coisas por ai? Como vai Yuki?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Yuki?”, perguntou sem me entender.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sim, sua filha Yuki.”, respondi um pouco confuso, talvez a ligação estivesse ruim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Desculpe, Shinji.”, disse após uma pausa. “Não tenho nenhuma filha. Nunca ouvi falar de nenhuma Yuki também.”, outra pausa, “Talvez você tenha confundido com a filha de um outro amigo.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;Não tinham nenhuma filha? Nem conhecia uma Yuki? O que está acontecendo?&lt;/i&gt;, pensei, imaginei ter ouvido errado, ou de repente ligado para um outro numero, mas era ela, Bianca. Poderia ter me confundido, talvez.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“E como está o Kenji?”, perguntei, talvez isso esclarecesse minha confusão, apesar de no fundo saber que não poderia ser o caso, não conhecia nenhuma outra Bianca.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Houve um longo silêncio, ouvi soluços. Estaria ela chorando? O que aconteceu nesses seis anos que estive fora?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Desculpe. Shinji,”, quebrando o silêncio, ainda conseguia ouvir os soluços, “podemos nos encontrar? Você ainda lembra do endereço da nossa casa, né?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sim, claro. Mas o que aconteceu?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Não posso...”, então os soluços viraram lágrimas do outro lado da linha, ela estava realmente chorando. “Não quero...”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Bianca?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Amanhã às oito horas está bom pra você?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sim claro. Mas...”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Ela desligou. Não consegui compreender direito, estava perdido, parecia que as informações vinham de um sonho e quando acordei ainda estava atordoado, perdido entre o sonho e realidade. Voltei para casa e pensei em todas as possibilidades, mas não conseguia chegar em nenhuma conclusão. &lt;i style=""&gt;O que aconteceu enquanto estive fora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Cheguei ao sobrado &lt;st1:personname productid="em que Bianca" st="on"&gt;em que Bianca&lt;/st1:PersonName&gt; morava, quinze minutos antes do combinado, a casa ficava em um bairro residencial tranqüilo, mas, diferente de todas as outras residências, a dela estava mudada, principalmente das memórias que eu tinha de seis anos atrás quando estive no aniversário de seis anos de Yuki. Não parecia mais uma casa de família, estava sombria e alguns borrões de umidade apareciam na garagem sem carro, as paredes descascavam e o lugar parecia ter um ar melancólico, sombrio e solitário. Me assustei ao ver o sobrado daquele jeito, me assustei ainda mais quando vi Bianca sair pela porta da casa depois de tocar a campainha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Ela estava com uma camiseta branca larga e toda amassada, uma calça de moletom cinza meio desbotada e chinelos, provavelmente era seu pijama. Sua aparência estava ainda mais arrasada do que o da casa. Olheiras profundas, despenteada e andava como em transe a passos lentos e desregulares como se fosse uma sonâmbula. Dava para ver claramente que sua saúde estava afetada, mesmo dentro daquela roupa larga percebia-se sua magreza, pude ver seus dedos esqueléticos ao abrir o portão da entrada e sentir sua tristeza quando me abraçou com seus braços fracos e raquíticos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Há quanto tempo Shinji. Estou tão feliz em te ver. Tenho certeza que Kenji também estaria.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Entramos e sentei na pequena mesa quadrada que ficava em um canto da cozinha, me impressionei com a limpeza do lugar, da parte de fora pensava que dentro da casa estaria pior, mas foi o contrario, estava limpo e organizado, no entanto aquele ar melancólico continuava a me rodear, não estava muito confortável naquele lugar, era exatamente o oposto de como me sentia anos atrás quando vinha para as festas, o clima familiar, amigável, alegre e descontraído havia sumido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Onde está o Kenji?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Ela soltou um suspiro e olhou para o chá na xícara dela. “Você não soube, não é mesmo?”, voltando seu olhar para mim continuou: “Ele morreu há seis anos, um pouco depois que você partiu.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;A descoberta me deixou em choque, olhei para aqueles olhos tristes com olheiras profundas, provavelmente passara a noite chorando quando abri velhas feridas com a ligação do dia anterior. Não consegui pensar; por um momento aquela pequena cozinha tinha se tornado ainda menor, mais apertada e abafada, não conseguia mais respirar direito, tive vontade de levantar e sair correndo de lá. Não conseguia chorar, ainda processava o que havia ouvido, a cabeça começou a girar, a visão embaçar, tive vontade de gritar e acordar daquele sonho, ver Yuki, Kenji e Bianca felizes me recebendo com abraços, contaria tudo sobre minha viagem a eles e muitas novas historias para Yuki se ela ainda se interessasse por essas coisas, mas aquilo era real, não podia fugir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Como?”, foi tudo que pude balbuciar com minha voz fraca, meus olhos lacrimejando.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“O avião dele.”, lágrimas começavam a escorrer, pingavam dentro da xícara, ela soluçava por entre as palavras. “O avião dele caiu indo para o Japão. Disseram que foi uma falha na queima de combustível, ou algo assim. Ninguém sentiu nada, eles garantiram.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“E-eu...”, não conseguia falar, limpei minhas lágrimas na manga da minha camisa, respirei fundo e tentei recomeçar. “Eu sinto muito, Bianca. Eu... não sei o que... falar...”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Ninguém falou mais nada até tomarmos todo o chá, em silêncio, as lágrimas pingando e pouco a pouco desaparecendo salgando nossas xícaras de chá. Não sentia que havia perdido um amigo, mas sim que eu havia abandonado um, assim como sua família.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Você...”, disse e ela desviou o olhar da pia com as xícaras para mim. “nunca ouviu falar &lt;st1:personname productid="em uma Yuki" st="on"&gt;em uma Yuki&lt;/st1:PersonName&gt;?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“De novo? Não, nunca ouvi falar.”, se virou novamente para a pia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Nem nunca tiveram uma filha?”, ousei a perguntar novamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Shinji...”, apoiou os braços na pia olhando fixamente para as duas xícaras e outras coisas que eu não podia ver sentado na mesa, sem se virar ela suspirou e continuou: “já disse que nunca tive uma filha, nem um filho. Por favor, já é doloroso de mais ter perdido o Kenji, lhe peço por favor, não me faça essas perguntas. Não é culpa minha você ter sumido assim e não ter tido noticias do acidente.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Da primeira vez pensava não ter ouvido direito, ter me confundido, mas agora estava certo. Ela realmente não conhecia Yuki, ou pelo menos parecia ser assim. Resolvi não falar mais nada, apenas me despedi e em silêncio nos abraçamos no portão e parti.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;/p&gt;--Fim do capitulo 2, parte 1&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-6561490144046078952?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/6561490144046078952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=6561490144046078952&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/6561490144046078952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/6561490144046078952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/01/o-ltimo-ato-cap-2-parte-1.html' title='O Último Ato (Cap. 2 - Parte 1)'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-4881186743783144365</id><published>2008-01-20T10:20:00.000-02:00</published><updated>2008-01-20T10:21:28.019-02:00</updated><title type='text'>O Último Ato (Cap. 1)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;1 – A Última Festa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Era a filha de um antigo amigo de infância. Seu nascimento foi inesperado, como qualquer gravidez de adolescentes, mas ao contrario do que acontece com a maioria dos jovens casais que esperam um bebê, eles viviam felizes e a espera dessa menina apenas acentuou esse sentimento de felicidade entre os dois.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Claro que, como qualquer acontecimento do gênero a família de ambos os lados entraram em desespero, ficaram nervosos, mas como uma tormenta que acontece nas famílias, chegou a calmaria, aceitaram e inclusive regozijaram a chegada da menina chamada Yuki. Decidiram dar esse nome à ela devido seu significado japonês: neve; a língua nativa dos dois, pois sua pele era branca como tal e suas lágrimas quando brilhavam com a luz, pareciam pequenos flocos de neve.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Fui o padrinho distante desta criança, não oficial, mas considerado por ambas as famílias como um parente próximo, apesar de não ter tanto contato com meu amigo como tinha quando éramos menores, sempre ia às suas festas de aniversário e nesse único dia nós conversávamos até o fim da festa e ao terminar ajudava com a limpeza.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Neste aniversário ela comemorava seis anos, já estava crescida e se tornara uma menina simpática e alegre, todos se cativavam muito com sua felicidade. Acreditava que ver a inocência de uma criança leva todos os problemas e trás uma grande paz para os mais caóticos dias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Você tem certeza, Kenji?”, disse acendendo um cigarro, olhando na distância Yuki brincando com os familiares. “Yuki é sua filha, você sair assim da vida dela, eu não acho que vai fazer muito bem.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Shinji, a situação tá difícil, não consigo achar um emprego e a Bianca tem uma saúde muito frágil para cuidar da filha e trabalhar, não quero entregar esse fardo para ela.”, e sentou-se na cadeira ao meu lado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Vocês realmente são almas gêmeas, nunca vi nada do tipo, toda essa “melosidade” me espanta.”, falei dando um trago e assoprando com um sorriso. “Mesmo assim, entendo que suas intenções sejam nobres, mas é importante para o pai participar da vida da filha.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Também acho, mas preciso garantir o futuro dela, Shinji. Sem falar que aqui ela pode contar com a família. Talvez a nossa felicidade esteja condenada a acabar, mas não vou permitir que a felicidade da Yuki acabe.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Palavras bonitas, no entanto...”, pensei por um momento nas palavras de uma antiga amiga. “E se a felicidade dela for a felicidade de vocês?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Eu não sei mais o que fazer...”, ficamos em silêncio, acredito que ambos pensássemos no futuro, no que iria ser de Yuki.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Japão então, não é?”, disse para quebrar aquele silêncio que começava a me incomodar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sim, e você Londres.”, respondeu depois de um instante. “Quem diria que íamos terminar assim, alguns anos atrás não conseguíamos nem pensar no que fazer após a faculdade.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“É verdade.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;A festa continuou, conversei com os familiares e amigos e, quando a noite chegou e as pessoas começavam a ir embora, Yuki apareceu correndo com os braços abertos em minha direção.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Tioshi! Tioshi!”, gritava ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Ainda não perdeu essa mania, pequena?”, disse abraçando ela e colocando-a na cadeira ao meu lado. “Tioshi é estranho, pode me chamar de Tio Shin.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Não! Tioshi é Tioshi! E sempre vai ser Tioshi pra Yuki!”, deu uma risadinha e ficou balançando as perninhas na cadeira que parecia ser de gigantes perto do tamainho dela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Tudo bem, entendi. Pode me chamar assim, mas ainda acho estranho.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Não é estranho! Tioshi é &lt;i style=""&gt;kawaii&lt;/i&gt;!”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Bonitinho? Ta aprendendo rápido japonês, não?”, perguntei espantado, não imaginava que ela estava crescendo tão rápido, embora talvez o meu espanto tenha sido devido a minha falta de contato com crianças, ela era a única que eu conversava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Sim, a&lt;i style=""&gt; ba&lt;/i&gt; me ensina.”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“&lt;i style=""&gt;Ba&lt;/i&gt;? &lt;i style=""&gt;Ba-chan&lt;/i&gt;? A vovó?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Isso! Tioshi...”, falou com uma voz tímida. “conta uma historia pra mim?”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Contei três historias aquela noite até ela adormecer, após a colocar na cama ajudei com a limpeza da festa. Voltei para casa e no dia seguinte estava em um avião indo para Londres.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;--Fim do Cap.1&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-4881186743783144365?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/4881186743783144365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=4881186743783144365&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4881186743783144365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/4881186743783144365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/01/o-ltimo-ato-cap-1.html' title='O Último Ato (Cap. 1)'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-1191251163923900263</id><published>2008-01-11T20:58:00.000-02:00</published><updated>2008-01-11T21:01:18.328-02:00</updated><title type='text'>Neve de Ano Novo - Parte 3 (FINAL)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;-00:00&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Ouço sua voz doce e suave, tão única que poderia reconhecer a qualquer distância, parecia estar sentada ao meu lado. Estava deitado, não sabia onde, tudo estava escuro, não conseguia me mexer. Sentia sua mão macia e morna acariciando minha cabeça conforme falava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Será que os flocos de neve são as lagrimas derramadas por um coração que se tornou frio pela solidão?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;No fundo, distante, ouço o barulho de explosões e desperto em um salto em meu quarto. Estava desnorteado, não sabia o que aconteceu, senti ter perdido algo importante, não me lembrava de nada, nem de como eu havia parado no meu quarto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Suado e ofegante, as luzes estavam todas apagadas, mas os fogos explodindo iluminavam o suficiente para olhar em volta, não havia nada. Observei por mais alguns instantes os fogos até meu coração se acalmar. Já era ano novo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Voltei então a me deitar, estava tonto, o teto do quarto girava e as pálpebras não tardaram em pesar e me trazer o sono.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Nevou &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em São Paulo&lt;/st1:PersonName&gt; naquela madrugada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-7:00 (1º dia do novo ano)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Acordei ainda atordoado, tive um sonho muito estranho, estava na cobertura do apartamento e uma garota pulou de lá, não pude salva-la apesar de todos meus esforços. Senti que a conhecia há muito tempo e comecei a chorar, não sabia o porquê exatamente, se tudo havia sido um sonho, mas os sentimentos pareciam aflorar tão forte que não pude resistir as lagrimas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Após minha crise de choro reparei em minhas roupas, as mesmas encharcadas de ontem, resolvi tomar um banho e comer algo. Depois me arrumei e como de costume todo 1º dia do ano ia à casa do meu amigo em sua cobertura e chamava ele e sua família para o festival de ano novo tradicional japonês que ocorria no bairro da Liberdade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Estava fazendo um frio descomunal aquela manhã, coloquei os casacos mais pesados que tinha e sai. Quando passei pela entrada do prédio me assustei, estava tudo branco, neve havia caído. As pessoas se aglomeravam nas ruas admiradas e assustadas discutiam, as crianças que pareciam bolas de algodão de tantas roupas que usavam tentavam brincar com a neve que, provavelmente, só haviam visto em filmes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Realmente ferramos a natureza a esse ponto?”, pensei enquanto caminhava em direção ao apartamento do meu amigo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;São Paulo não estava preparada para neve, então muitas ruas estavam interditadas, policiais, CETs e bombeiros trabalhavam às pressas para botar ordem no caos que ela provocou. Tive que ir andando, e foi uma longa caminhada, mas pude me entreter bastante com aquela visão única da paisagem de São Paulo, eu também nunca tinha visto neve pessoalmente. Iria chegar atrasado, mas provavelmente não haveria festival esse ano novo, não sabia por qual razão então estava indo até o apartamento dele, poderia ter ligado para avisar, como já estava no meio do caminho, não compensaria voltar agora; pelo menos, pensei, poderia conversar um pouco com ele e discutir a respeito desse evento único e bizarro que a natureza, ou nós mesmos, trouxemos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-9:30 (1º dia do novo ano)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Ao tocar a campainha sua esposa logo abriu a porta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Meu Deus! Você veio!”, disse me puxando para dentro do apartamento que estava com a lareira acesa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Meu marido tentou ligar para você, mas ninguém atendia, ficamos preocupados.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Logo ele apareceu, seus olhos estavam arregalados de susto e espanto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Como a vida lhe trouxe até aqui amigo?!”, continuou ao me dar um abraço forte. “Fiquei preocupadíssimo com você! Essa neve, você não atendendo ao telefone... Confesso que pensei o pior”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Soltando do abraço eu dei uma risada meio sem jeito, de fato não estava acostumado com tanta preocupação assim, era até que gostoso sentir aquele afeto dos outros as vezes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Desculpe. Acho que esse ano não vai ter festival na Liberdade, não é?”, disse tentando aliviar a preocupação que evidentemente sentia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Com esse tempo?! Não mesmo!”, exclamou apontando para fora, a sacada e as bordas da porta de vidro estavam com uma camada de neve. “Mas já que está aqui, almoce conosco, amigo! Convidei uma moradora nova, a conhecemos ontem depois que você saiu! Acho que você irá gostar muito dela. Já que não podemos ir ao festival, vamos todos almoçar juntos”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Não queria, mas de fato as ruas demorariam para ficar limpa e com isso não haveria ônibus por um bom tempo, então decidi ficar; precisava de companhia, o sonho fez com que um sentimento muito vazio se alojasse em meu corpo, acreditava que se saísse de lá e voltasse para o meu apartamento sozinho, iria ficar chorando, aqui pelo menos me sentia confortável e os sentimentos de vazio se preenchiam com os de alegria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Ficamos sentados no sofá, sua esposa estava na cozinha e seu filho ainda dormia. Não conversamos, apenas ficamos observando a neve que derretia na sacada. Quando a campainha tocou sua esposa foi atender.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Oi! Seja bem vinda.”, disse sua esposa cumprimentando a visitante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;Uma voz doce e suave respondeu, um calafrio subiu pela minha espinha. A neve derretia, lembranças que não podia distinguir se eram um sonho ou realidade voltavam, o sentimento de nostalgia de uma vida passada aflorava em minha alma. Suas palavras ecoavam no fundo da minha mente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Será que os flocos de neve são as lagrimas derramadas por um coração que se tornou frio pela solidão?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;“Gostaria que na próxima vida nos encontrasse, eu ficaria muito, muito feliz.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 42pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;De fato, a natureza derramou suas lagrimas frias &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em São Paulo&lt;/st1:PersonName&gt;, mas conseguimos nos conhecer em uma outra vida...&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;--FIM&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-1191251163923900263?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/1191251163923900263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=1191251163923900263&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/1191251163923900263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/1191251163923900263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blogspot.com/2008/01/neve-de-ano-novo-parte-3-final.html' title='Neve de Ano Novo - Parte 3 (FINAL)'/><author><name>Massahiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11881680175117415912</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1872204472583199429.post-3397821806861157866</id><published>2008-01-10T07:09:00.001-02:00</published><updated>2008-01-10T07:09:49.757-02:00</updated><title type='text'>Reprise - Parte 3 de 3</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;3ª PARTE&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Ao abrir os olhos sabia exatamente o que veria. Sentia que já tinha passado por tudo isso. Tanto é que quando decidi, sem medo, abrir os olhos, os fogos de artifício me cumprimentaram sorridentes, explodindo no céu escuro coberto de nuvens. É ano novo em São Paulo, chove e isso não me incomoda nem um pouco. Fiquei deitado por um tempo antes de tentar entender se havia bebido, fumado ou qualquer coisa do gênero. Deixei que a chuva molhasse meu rosto por um bom tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Eu podia pressentir o que aconteceria nos instantes seguintes, nos próximos dias; se por alguma razão foi-me concedida a oportunidade de reviver tudo, talvez seja melhor, pelo menos desta vez, agir de outra maneira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Sempre fui um sujeito irritado. Desconfio que seja essa a simples razão de não me conformar facilmente com as coisas. É claro que há sempre uma maneira melhor de se lidar com o inesperado e com a vida. Eu optei por gritar, ofender e agredir. Culpo meus pais por isto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Meu pai era italiano. Trabalhava das oito horas da manhã às dez da noite em sei lá o que. Nunca nos faltou comida, portanto, nunca quis saber qual seu ofício. Minha mãe era uma alemã afetuosa. Nunca vi meus pais brigando. Na verdade, não sei se deveria os culpar por qualquer coisa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Sem mesmo tentar acabei levantando, uma força superior me ergueu e deixei que me arrastasse feito um fantoche. Me limitei a impedir uma queda direta ao chão apenas me apoiando nas paredes úmidas pela chuva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;O taxi, conforme previa, me esperava. Tentei ver o que havia ao meu redor, não conseguia; tudo permanecia embaçado. Tentei ver o número do carro, também sem sucesso. Quando entrei no veículo, aquele sujeito cujo rosto já sabia que jamais conseguiria identificar fitava-me no espelho. Mesmo sem que eu dissesse uma palavra, começou a dirigir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Dentro do taxi era como se estivesse em um pequeno mundo, não tinha contato nenhum com o exterior, que era apenas uma nuvem coberta pela chuva e pelo vapor que tornava impossível ver qualquer coisa através da janela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;O motorista fitou-me pelo espelho, aproveitei para sorrir e dizer: “Boa noite. Como vai?”. Para minha surpresa este me respondeu com um sorriso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Feliz ano novo para o Senhor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Novamente, outra olhada pelo espelho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Não sei para onde vou, não soube das o outras vezes. Mas ao invés de importunar-lhe com minhas fúteis indagações, me limitarei a desejar-lhe um maravilhoso ano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Percebi que o taxista diria agora as palavras já quase decoradas por mim:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- O senhor parece estar cansado, porque não descansa um pouco?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Sorri, mas não fiquei zonzo, minha cabeça não doeu, não me senti mal, apenas adormeci.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Acordei em meu apartamento, largado em minha cama com a mesma roupa, que ainda estava ensopada, imaginei como seria se apenas ficasse deitado e não me levantasse, não fosse à sala. Quando ouvi o primeiro choro meu coração partiu, uma lágrima escorreu de meu rosto. Não queria levantar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Porém, não teria opção; ergui-me sob meus pés e troquei de roupa. Respirei fundo e me dirigi à sala de estar. Vi o vulto de minha irmã ao lado do sofá, onde sentavam meus tios sérios, fumando. Não sei por que das outras vezes não consegui situá-los, mas desta vez pude ver onde cada um se encontrava. Seus rostos permaneciam esfumaçados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A sensação de que havia morrido batia forte em meu peito; mesmo assim decidi que faria o meu melhor desta vez; pode ser que das outras vezes fosse um sonho, uma premonição. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Minha tia se aproximou. Abracei-a com vontade, com sentimento. Ela dizia: “Nós sentimos muito, meu querido. Sentimos tanto!”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Eu sei. Eu sei. Muito obrigado pelo apoio. Muito obrigado por tudo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Assim que minha tia se afastou minha irmã se aproximou dizendo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;- Marcos, o Marcolito, faleceu. Foi um acidente de carro, horrível!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Abracei-a fortemente, de modo que abafei seu choro em meu peito. Acariciei seu cabelo, disse-lhe inúmeras vezes que tudo acabaria bem. Estava tudo bem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Tenho inúmeras lembranças de meu irmão. Enquanto meu pai trabalhava era ele quem cuidava de mim, me ensinou tudo que sei. Há anos não o via. Ele morava no interior, tinha esposa, filhos, talvez um cachorro. Não sei. Afastei-me de minha família. Não agüentavam meu gênio forte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A última vez que vi meu irmão foi quando me livrou de um problema na delegacia. Creio que fui pego dirigindo bêbado e foi ele quem pagou a fiança. Não me lembro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Sinto tanto por não ter visto meu irmão, ter-me afastado de todos. Mas não sei se devo me culpar por tudo isto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Estranhei o fato de não ter perdido os sentidos desta vez. Mas mesmo contra minha vontade peguei as chaves de casa, minha jaqueta e fui para a rua. Não podia me controlar. Flagrei-me andando pela cidade. Não sabia que horas eram, mas era escuro e estava muito nublado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Ouvi Jorge me chamando, ignorei tal fato, continuei andando. Jorge chegou a gritar meu nome várias vezes, pedindo para que esperasse, mas não o fiz, continuei andando e este sumiu na neblina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Enfim chegara o ponto que tanto esperei. Ouvi o assovio do trem, podia ouvir seu barulho, os quilos de metal em uma velocidade aparentemente incomensurável. Vinha me pegar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Por razão alguma comecei a correr feito um louco. Estava leve como o ar. O assovio insistia em ressoar, avisava-me que estava a caminho. Meu coração começou a bater mais rápido, as lagrimas escorriam pelo meu rosto, mas meu coração estava leve, livre de remorsos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Corria como o vento, o assovio se aproximava, o barulho da máquina anunciava o derradeiro encontro. Finalmente ele apareceu. Era do tamanho de um prédio de três andares, negro, o farol iluminava apenas meu corpo, como se eu fosse uma espécie de alvo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Desperdicei todo ar que sobrava em meus pulmões com um grito que se misturou com o barulho do assovio do trem, abaixei a cabeça e o atropelei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;Não havia mais fogos de artifício, chuva, irmã, primos e primas, tios e tias. Não importavam mais os telefonemas, a secretaria eletrônica, fita com mensagens, parede, estilhaços, meu humor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 42.55pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;A única coisa que importa é o que restou, o assovio do trem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1872204472583199429-3397821806861157866?l=saladasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saladasletras.blogspot.com/feeds/3397821806861157866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1872204472583199429&amp;postID=3397821806861157866&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3397821806861157866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1872204472583199429/posts/default/3397821806861157866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saladasletras.blog
